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Patrimônio da violência

Museu do IML tem histórias de arrepiar

O acervo é um dos poucos que existem no Brasil para estudo da anatomia e da violência, mas é desaconselhável às pessoas mais sensíveis

  • PorGabriel Azevedo, especial para a Gazeta do Povo
  • 25/09/2010 21:08
Camargo mostra um dos crânios da exposição, que tem acesso restrito e é aberta só para maiores de idade | Antonio More/ Gazeta do Povo
Camargo mostra um dos crânios da exposição, que tem acesso restrito e é aberta só para maiores de idade| Foto: Antonio More/ Gazeta do Povo

Acervo

Três múmias são o destaque

Todo museu do mundo é lembrado por alguma obra em destaque que ele tem no acervo. O Louvre, em Paris, fica com a Monalisa, de Leonardo Da Vinci. O Museu Britânico, em Londres, tem a Pedra de Roseta; o Museu do Vaticano (Itália) guarda a Escola de Atenas, de Rafael Sanzio, e a Capela Sistina de Michelangelo.

Com o museu do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba também é assim. Lá, o que mais chama a atenção são as três múmias masculinas. Uma delas é chamada de Paraibinha, porque é do famoso assassino em série que aterrorizou a cidade de Campo Largo (região metropolitana) até a sua morte, em setembro 1977.

Segundo o curador do museu, Joel Camargo, Paraibinha era um assassino de alta periculosidade e matava suas vítimas com uma foice. "Ele pagou na mesma moeda. Em uma briga, Paraibinha foi morto com golpes de foice nas pernas, no tronco e nos braços", conta.

Além dele, outras duas múmias estão expostas no museu: uma é de um homem que morreu de câncer e outra é de uma pessoa que morreu por asfixia (suicídio).

Cuidado

Periodicamente, Camargo faz a manutenção dos corpos, com aplicações de álcool, formol e glicerina para que eles não embolorem. Ele também apara cabelos e unhas, que mesmo nos mortos dão a impressão que continuam a crescer. "Na verdade, os pelos e as unhas não crescem porque são células mortas. Os corpos vão murchando, enxugando e dão a impressão desse crescimento", explica.

Só rezando para suportar tanta maldade

Católico, o curador do museu, Joel Camargo, afirma que não tem medo de trabalhar no meio de tanta gente morta. Segundo ele, é preciso temer apenas os vivos. Na sua rotina, que começa às 8 horas e termina às 16 horas, ele faz a manutenção periódica de todo o museu. "Eu gosto do meu trabalho. De três em três dias eu faço toda a manutenção, peça por peça. Não tenho medo, é o meu serviço", afirma.

Com 30 anos de Instituto Médico Legal, 7 dentro do mu­­­seu, ele diz que sempre existe algo que o surpreende. "Criança violentada. Quando a gente acha que viu tudo, sempre tem algo pior. Existem muitas coisas que eu vi e gostaria de não ter visto", conta.

Na opinião do curador, todos os mortos têm de ser tratados com respeito. "No começo, quando eu entrei, estranhava um pouco, mas com o tempo foi passando. Não é que eu me acostumei, mas é que eu tinha de trabalhar", comenta.

Drogas

Na opinião de Camargo, a violência aumentou e a droga, principalmente o crack, fez com que a situação piorasse. "Antigamente você era só assaltado, hoje em dia você é assassinado, estuprado. É preciso que as famílias se preocupem mais com essa questão", diz. Com tanto crueldade, o curador, uma testemunha ocular da violência da capital paranaense, dá a receita para aguentar tanto tempo em um lugar tão carregado. "Agradeço a Deus, todos os dias, por estar vivo".

Quem visita o museu do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba provavelmente sairá de lá tomado por duas sensações conflitantes: a fascinação e o repúdio. Primeiro porque ali estão guardadas três múmias de pessoas que morreram em decorrência da violência urbana ou por causa de doença. Segundo, porque depois de alguns minutos dentro do pequeno salão em formato de "L" – com um pouco mais de 30 m² – não é difícil concluir que a crueldade e a insanidade do ser humano não têm limites.

Localizado no subsolo do prédio da Avenida Visconde de Guarapuava, o museu tem acesso restrito. Mas desde sua fundação, em 1975, exerce uma importante função educativa para estudantes de Ciências Biológicas e criminais. Lá, pertinho do necrotério, estão expostos crânios, fotos de pessoas mortas e estraçalhadas e fetos com má formação conservados em potes de vidro com formol.

De acordo com o funcionário do IML Joel Camargo, que tem 30 anos de instituto e é curador do museu há 7, são cerca de 3,2 mil futuros médicos, advogados, dentistas e farmacêuticos que visitam o local por ano. "Ele foi criado com fins educacionais e científicos para contribuir no estudo da anatomia", explica.

Para quem imagina o museu antes de conhecê-lo, a primeira impressão ao chegar lá pode ser um pouco frustrante. Mas alguns instantes depois, a quantidade e a variedade de artefatos surpreendem. O acervo conta histórias de assassinos em série, psicopatas, magia negra, suicídio e até de um ladrão com fixação por calcinhas.

É Camargo o responsável por narrar as histórias, muitas, inclusive, macabras. Há de tudo: desde pessoas que introduziram objetos nas partes íntimas e morreram até um doente psiquiátrico que martelou um prego na própria cabeça. A má sorte também está entre os relatos. Um homem que estava em Morretes foi beber água em uma bica e, ao invés de usar as mãos, colocou a boca. Ele engoliu uma cobra coral, foi picado e morreu", diz.

Também é preciso ter estômago forte para ver as fotos coladas nas paredes do museu. "Nessa temos a cabeça de um menino que foi arrancada para um ritual de magia negra. Aqui temos um corpo que chegou despedaçado e nós tivemos que montar", explica Camargo.

Outros objetos que causam repulsa são os fetos. "Eles são vítimas da ingestão de medicamentos muito usados para fazer o aborto", fala Camargo, enquanto aponta para um feto conservado em um vidro com formol. Prática, aliás, proibida no Brasil.

De acordo com Joel, muitos dos casos que foram parar no IML – e hoje estão expostos no museu – são consequência do uso de drogas. Em um dos setores da exposição estão guardados objetos usados por usuários, como cachimbos e seringas, além das próprias substâncias ilícitas, como a cocaína e o lança-perfume. "Nós sempre procuramos alertar os jovens para o problema e o perigo do uso das drogas", enfatiza.

O IML do Paraná é um dos poucos do Brasil que mantém um museu exclusivo para o estudo da anatomia e da violência. É desaconselhável às pessoas mais sensíveis e proibido para menores de 18 anos. A visita ao museu, segundo Camargo, é uma experiência que ajuda os jovens estudantes a refletir e respeitar mais a vida. Camargo não soube especificar a quantidade de objetos e corpos que existem no acervo. Porém, afirma o curador, todos eles são de indigentes.

Serviço:

O museu do IML oferece visitas guiadas, as quais precisam ser previamente agendadas e autorizadas. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. Está localizado na Avenida Visconde de Guarapuava, 2.652, subsolo do Instituto. Telefone (41) 3281-5600.

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