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Trabalhos de revitalização da Marechal Floriano: cronograma atrasado, transtornos para motoristas e pedestres e prejuízos para os comerciantes | Fotos: Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Trabalhos de revitalização da Marechal Floriano: cronograma atrasado, transtornos para motoristas e pedestres e prejuízos para os comerciantes| Foto: Fotos: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

EstaR engole vagas que restaram

As áreas de estacionamento que restaram na Avenida Marechal Floriano deverão receber placas do Estacionamento Regulamentado (EstaR). Segundo o administrador da Regional Matriz da prefeitura de Curitiba (que inclui a área do bairro do Rebouças), Omar Ackel, a solicitação foi feita por comerciantes da região, para promover o rodízio de veículos. "Foi sugerido que as vagas passassem a ser de EstaR, para evitar o que acontecia, quando veículos estacionavam de manhã e ficavam até a noite", diz o administrador. "A Urbs ficou de elaborar as portarias e produzir rapidamente as placas."

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As obras da prefeitura de Curitiba na Avenida Marechal Floriano Peixoto estão espantando comerciantes da quadra entre a Rua Engenheiros Rebouças e a Avenida Presidente Getúlio Vargas, no bairro do Rebouças. Segundo eles, apesar das promessas de representantes da prefeitura de que o estacionamento seria mantido na via, as vagas foram reduzidas em pelo menos 80%. Quatro lojas já estão de portas fechadas e outros quatro comerciantes pretendem deixar o local.

Segundo os lojistas, o movimento caiu pela metade desde o início da intervenção. "Não tem nem como descarregar mercadoria", reclama Rubens dos Santos, de 55 anos, dono de uma loja de autopeças que está há 38 anos na quadra entre a Getúlio Vargas e a Engenheiros Rebouças. "Onde está o respeito pelo contribuinte?"

As vagas de estacionamento foram retiradas para a instalação de uma estação-tubo. Restaram sete vagas na quadra. Ao lado da estação foi construída uma calçada com pelo menos três metros de largura, em asfalto. Os comerciantes calculam que nesse espaço poderia haver estacionamento para cerca de 15 veículos, a exemplo das quadras seguintes. "Cantamos a bola e aconteceu", diz Rubens dos Santos, que já procura um novo ponto. A dúvida agora é como encostar um caminhão para fazer a mudança. "Vou ter que pedir pelo amor de Deus para a prefeitura permitir a mudança."

Outro que já está de malas prontas é Roberto Façanha, 45, dono de uma loja de móveis para escritório. "Estou até pensando em colocar uma faixa com a inscrição ‘obrigado, prefeito’", comenta. "Estou aqui há cinco anos e não tenho nem como encostar um caminhão para fazer a mudança." Em agosto, a reportagem esteve no local e conversou com Vicente Soviersosky, de 65 anos, dono de uma banca de revistas e morador do Rebouças há 25 anos. Na segunda-feira passada, a banca estava fechada. "Ele fecha todos os dias para procurar outro ponto", diz Façanha.

A situação é parecida com a de Eloí Aparecida Rodrigues, 63, dona de uma lanchonete vizinha à loja de Rubens dos Santos. "Acabar com o estacionamento foi uma sujeira com os comerciantes", define. "Meu movimento acabou, estou tirando uns R$ 600 a menos por mês. Tem dias em que eu não consigo nem R$ 30." Com o pouco movimento, dona Eloí fecha as portas durante a tarde. "No domingo eu tirava um dinheirinho para pagar as contas na segunda-feira. Agora, estou fechando às 3 da tarde."

Dificuldades e multas

As vagas foram mantidas nas quadras seguintes, mas o cenário ainda é de obras. No cruzamento da Marechal Floriano com a Brasílio Itiberê, entulhos ocupam as duas esquinas e bloqueiam o acesso à faixa de pedestres. Quem segue a pé nos dois sentidos tem dificuldades para enxergar se o sinal está aberto ou fechado para os veículos. Não há sinalização para pedestres.

As obras de concretagem da pista que receberá o "ligeirão" (ônibus que fará o trajeto Boqueirão–Centro sem paradas) e de reconstrução das calçadas estão concluídas somente nas quadras próximas ao Centro. À medida que se aproxima do Viaduto do Hauer, há entulho, calçadas ainda destruídas e máquinas na pista central. A situação mais crítica está entre as ruas Porthos Velozo e Plácido e Silva: o canteiro central ainda não foi concluído, nem a concretagem da via dos expressos. Operários trabalham nas calçadas, onde os entulhos se acumulam. No sentido bairro–centro não há calçadas em pelo menos cinco quadras e máquinas interrompem uma das pistas destinadas aos veículos. Além de toda a dificuldade criada pelas obras, na tarde de segunda-feira um agente da Diretran, colocado perto do cruzamento com a Rua Brasílio Itiberê, multava os motoristas.

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Onze meses de confusão

Adiamentos, prorrogações de prazo, entulho, buracos e reclamações marcaram a reforma da Marechal Floriano Peixoto

27 de dezembro de 2007 – Início das obras para implantação do pavimento de concreto nas canaletas dos ônibus, instalação de estações tubo e criação de áreas para ultrapassagem dos Ligeirões, que farão o percurso nos dois sentidos da avenida sem paradas.

17 de janeiro de 2008 – Começa a primeira etapa da concretagem.

7 de fevereiro de 2008 – A prefeitura anuncia a construção de lombofaixas (faixas elevadas de travessia de pedestres) na Marechal Floriano. Até agora não foram construídas.

12 de março de 2008 – A chuva abre buraco no viaduto sobre a BR-476, na altura do Hauer. A pista no sentido centro–bairro é interditada, causando uma série de problemas no trânsito, já que os ônibus são obrigados a usad a pista destinada aos demais veículos.

31 de março de 2008 – A prefeitura começa a reformar o viaduto, para recuperação da pista e implantação de galeria para escoamento da água da chuva. O trânsito no sentido bairro–centro é desviado para a Rua Anne Frank; no sentido centro–bairro, os motoristas dividem espaço com os ônibus.

8 de abril de 2008 – Começa a concretagem da pista na altura do cruzamento com a Rua Engenheiros Rebouças.

3 de maio de 2008 – É bloqueada a pista no sentido bairro–centro, entre as ruas João Viana Seiller e a junção da Avenida Kennedy com a Conselheiro Dantas, no Rebouças. Os ônibus passam a trafegar na pista dos automóveis.

6 de maio de 2008 – A prefeitura libera a pista do viaduto no sentido centro–bairro.

28 de maio de 2008 – Segundo a prefeitura, o pavimento de concreto já havia sido colocado em 1,5 dos cerca de 5 km da obra, entre o centro e o Parolin. A previsão era de concluir a obra em setembro.

23 de junho de 2008 – A prefeitura reabre a pistas do viaduto no sentido bairro–centro. No mesmo dia, a Rua Anne Frank é fechada para ganhar um novo asfalto, calçadas e uma pista central.

15 de agosto de 2008 – Em entrevista à Gazeta do Povo, o engenheiro da prefeitura Wilson Justus afirma que a previsão é concluir as obras em outubro. Justus diz que o atraso foi causado pela chuva. Segundo ele, faltavam obras de paisagismo e para a implantação de 5 km de calçadas nos dois lados da avenida.

21 de agosto de 2008 – Os trabalhos de concretagem entre a Avenida Getúlio Vargas e a Rua Engenheiros Rebouças ainda não começaram. A pista destinada aos ônibus está interditada entre as ruas Conselheiro Dantas e João Vianna Seiler; João Vianna Seiler e João Parolin; Professor Porthos Velozo e Plácido e Silva; Coronel Antonio dos Santos e Presidente Pádua Fleury; Cleto da Silva e Hipólito da Costa; Hipólito da Costa e José Maurício Higgins; José Maurício Higgins e Coronel Luiz José dos Santos; e José Hauer e Joanita Bernett Passos.

22 de outubro – A prefeitura bloqueia o trecho da Marechal Floriano Peixoto entre as ruas João Viana Seiler e João Parolin, no sentido bairro.

28 de outubro de 2008 – A prefeitura anuncia que obra da Marechal Floriano ficará pronta somente em dezembro. No fim de semana anterior, um buraco no início do Hauer causou estragos em sete carros.

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