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Policiais militares fazem a segurança do Núcleo Regional de Educação, em Curitiba. | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Policiais militares fazem a segurança do Núcleo Regional de Educação, em Curitiba.| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

As ocupações de escolas estaduais do Paraná completam um mês na próxima quinta-feira (3). O movimento, que chegou a ter em outubro 831 colégios tomados por estudantes, já registrou assassinato de um aluno por um colega dentro de uma das ocupações, reintegrações de posse e intervenção da Polícia Militar em confusões com grupos contrários às atividades dos alunos. A ação também ficou marcada pela mobilização de estudantes em todo o estado - favoráveis e contrários à tomada dos colégios.

De um lado, os números informados pela Secretaria de Estado de Educação (Seed) apontam que o movimento secundarista perde força no Paraná. Segundo o órgão, a mobilização segue agora com 265 colégios, o equivalente a 30% das unidades tomadas desde o início do mês passado.

O governador do Paraná também aposta no enfraquecimento do movimento. Em declaração recente, Beto Richa afirmou que as ocupações já estão irritando a sociedade paranaense e que “o diálogo tem uma hora que se esgota”. O movimento, na opinião dele, já teria deixado de ser uma manifestação pacífica e ordeira.

PEC e MP

Os jovens são contra a PEC 241, que estabelece um teto de gastos para o governo pelos próximos 20 anos, e a MP 746, que trata de mudanças no Ensino Médio.

Na visão dos estudantes, no entanto, o cenário é outro. Em levantamento próprio, o movimento Ocupa Paraná afirma que ainda há 423 escolas ocupadas. Ainda assim, o responsável pela comunicação do movimento, o estudante Higor, que prefere não ter o sobrenome divulgado, observa que, por mais que o montante de escolas ocupadas diminua, a mobilização estudantil não deve parar e saí fortalecida após ganhar apoio de parte dos alunos, pais e professores e visibilidade.

Segundo ele, o movimento nesta fase deve apostar em atos de rua para chamar a atenção da população e governos federal e estadual. “Trancamentos” de rua já foram feitos em Curitiba e Londrina nesta terça. “Saímos muito fortalecidos desses 30 dias de ocupação. Em relação à PEC e à MP, já temos um número de pessoas contrárias muito maior e isso deve ter peso na votação do Senado”, afirma Higor.

Adesão em universidades

De acordo com o Ocupa Paraná, o movimento de ocupação também tem ganhado força dentro das universidades. A organização divulgou na tarde desta terça-feira (1) que o campus da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Realeza, também foi ocupado pelos estudantes. A assessoria da imprensa da instituição confirma a ocupação e diz que as atividades acadêmicas no campus estão suspensas desde segunda.

Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ocupam, por sua vez, os prédios Dom Pedro I e Dom Pedro II, além de outras instalações da instituição, desde o dia 24 de outubro.

Fora do Paraná, as ocupações universitárias também têm ganhado força. Na noite desta segunda-feira (31), estudantes da Universidade de Brasília (UNB) ocuparam o prédio da reitoria da instituição. Na mesma data, estudantes também ocuparam sedes das faculdades da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.

Mais prazo

Mesmo com o prazo encerrado para a desocupação dos 23 colégios estaduais de Curitiba, o estado do Paraná decidiu aguardar até a próxima quinta-feira (3) para finalizar a transição de maneira pacífica.

O pedido de extensão do prazo, segundo a Procuradoria Geral do Estado (PGE), teria partido da Defensoria Pública e do Ministério Público do Paraná (MP-PR).

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