Semáforo inteligente em Curitiba: exemplo de iniciativa sustentável da cidade.| Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo

Mobilidade urbana e as consequências dela no funcionamento das grandes cidades. A construção de imóveis sustentáveis para driblar as crises hídrica e energética do país. E até uma aldeia que vende créditos de carbono pela redução do desmatamento em Rondônia. Esses serão alguns temas dos painéis do Smart City Business America Congress & Expo, evento que espera reunir mais de mil pessoas em Curitiba a partir desta semana, no Expo Unimed.

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Segundo dia do Smart Cities será para discutir o futuro da mobilidade

O congresso, que ocorrerá entre 19 e 21 de maio, contará com a presença de multinacionais, como Volvo e Google, da binacional Itaipu, além de prefeitos brasileiros e de capitais internacionais.

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O evento

A programação completa do Congresso SmartCity Business pode ser conferida no site do evento www.smartcitybusiness.com.br

O pioneirismo de uma aldeia conectada

A primeira tribo indígena do mundo a ter uma carta magna e a vender crédito de carbono por preservar a área em que está instalada também enviará seu representante a Curitiba. O cacique Almir Surui estará em Curitiba no próximo dia 21 para apresentar o Plano de Gestão para 50 anos da terra indígena Sete de Setembro, de Rondônia.

A tribo ocupa uma área de 248 mil hectares nos municípios de Cacoal e Espigão d’Oeste e tem 1,3 mil habitantes. A meta da aldeia é conservar uma área de 12 mil hectares de mata e evitar a emissão de cerca de 7 milhões de toneladas de CO2 até 2038. Seu líder, Almir Surui, é um cacique que foge ao estereótipo indígena. Já participou de programas televisivos em rede nacional e tem mais de três mil seguidores no Facebook – um deles o presidente boliviano Evo Morales. A carta magna da tribo estabelece regras para preservação ambiental, produção sustentável e de comportamento – inclusive para curas de doença aliando métodos comuns apenas ao povo Paiter Suruí e da medicina tradicional.

De acordo com os organizadores, a escolha de Curitiba para sediar o evento neste ano – as outras duas edições foram no Recife – se justifica pelo conjunto de iniciativas sustentáveis da cidade. Os projetos de eletromobilidade – com táxis elétricos e ônibus híbridos –, os semáforos especiais para idosos e pessoas com deficiência e a Via Calma são citados como alguns exemplos dessas iniciativas. O histórico de planejamento e inovações urbanas do município também é lembrado.

Segundo a Oficial de Programas para o Brasil da ONU-Habitat, Rayane Ferretti de Morais, Curitiba foi escolhida para sediar o evento após alguns seminários e anuários em que a cidade se mostrou como interessada nos conceitos de smart cities. “O prefeito candidatou a cidade para esse evento, que terá essa conotação internacional pela primeira vez”, disse.

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Curitiba e a ONU

As principais diretrizes para o financiamento de políticas e projetos sustentáveis discutidas no congresso serão agrupadas em um documento intitulado Declaração de Curitiba. Construída dentro do congresso, com a participação de autoridades, o material será encaminhado ao Secretariado da III Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, a Habitat III, que ocorrerá na cidade de Quito, no Equador, em 2016.

O encontro será coordenado e moderado pela equipe da ONU-Habitat, vinda de Nairóbi, no Quênia, sob a liderança do diretor-geral Joan Clos. Elkin Velasquez, diretor para América Latina e Caribe da ONU-Habitat, também deverá participar das discussões.

Para fugir do volume morto

A última sexta-feira marcou um ano do início da operação volume morto no sistema Cantareira, em São Paulo. Foi o epicentro da crise hídrica vivida pelo estado vizinho, mas que ligou um alerta em toda a sociedade brasileira. A crise hídrica bateu à porta do brasileiro e o Smart City Business America Congress & Expo também vai tratar do assunto.

Diretor técnico e comercial da Sustentech Desenvolvimento Sustentável, Marcos Casado vai falar também no próximo dia 21 sobre como transformar sua casa ou condomínio em um ambiente mais sustentável. “Buscamos otimização energias hídrica e elétrica. Com isso, conseguimos reduzir de 30 a 60% de água e 35% a 40% na parte energética”, afirma. E ele jura que isso não é milagre. A economia vem por meio do tratamento e reaproveitamento da água gerada pelo imóvel e também da troca de equipamentos hídricos e elétricos mais onerosos por outros mais eficientes – como torneiras, válvulas e lâmpadas.

Casado explica que o imóvel não precisa ter sido construído já dentro desse conceito. Para exemplificar, o empresário cita os arranhas céus paulistanos envidraçados. “Apenas colocando uma película nos vidros conseguimos reduzir o uso de lâmpadas e também do ar condicionado, por aproveitarmos melhor o calor e a luz natural”.

A Sustentech existe desde 2007. Mas foi a partir do volume morto da Cantareira que ela passou a ser mais requisitada. “As pessoas não tinham muito consciência, agora percebem isso no bolso e nas torneiras. Houve a necessidade de alternativas”, diz Casado.