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Os estudantes brasileiros de 15 anos continuam apresentando desempenho persistentemente fraco no Pisa 2025, avaliação internacional realizada com jovens de 91 países e economias. Os resultados divulgados nesta terça-feira (8) mostram pouca evolução em relação aos registrados em 2009.
No Pisa 2025, os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em 2009, os resultados haviam sido de 412, 386 e 405 pontos, respectivamente. A comparação mostra que, passados 16 anos, o Brasil perdeu quatro pontos em leitura, nove em matemática e avançou quatro pontos em ciências, evidenciando a estagnação do desempenho educacional do país. Confira a comparação completa no infográfico abaixo.

Aplicado a cada três anos, o Pisa avalia a capacidade de estudantes de 15 anos de mobilizar conhecimentos e habilidades em leitura, matemática e ciências para resolver situações e desafios do cotidiano. O programa é coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e reúne países-membros da entidade e economias parceiras.
Menos da metade dos estudantes brasileiros avaliados alcançou o nível básico de proficiência em leitura (49%) e em ciências (48%). A maioria permaneceu abaixo desse patamar, enquanto apenas 1% atingiu os níveis mais elevados de desempenho, considerados de excelência. Em matemática, o cenário é ainda mais preocupante: apenas 28% dos alunos alcançaram o nível 2 ou superior, patamar considerado básico, e quase nenhum estudante brasileiro chegou aos níveis 5 ou 6, os mais altos da escala de proficiência.
Na prática, isso significa que uma parcela expressiva dos estudantes brasileiros não consegue realizar tarefas consideradas básicas, como comparar distâncias, converter moedas, interpretar gráficos simples com dados científicos, identificar a ideia central de um texto ou localizar informações específicas quando é necessário relacionar mais de uma pista.
Média de países desenvolvidos vem caindo nos últimos anos
Se a situação do Brasil é de estagnação nas últimas posições do ranking, os países mais ricos vêm registrando queda no desempenho educacional. Em 2025, a média dos países da OCDE atingiu os piores níveis de desempenho já registrados pela avaliação. Segundo a própria organização, o recuo equivale a cerca de um ano de aprendizagem em comparação com estudantes da mesma idade há uma década.
A Finlândia, citada como referência em educação, já havia apresentado piora na edição anterior e continuou caindo. Desde 2018, o país acumulou perdas de 55 pontos em leitura, 45 em matemática e 26 em ciências. Outros países, como Islândia, Noruega, Alemanha e Eslovênia, se encontram no mesmo cenário de diminuição significativa nos resultados.
Já Espanha, França e Israel apresentaram recuos mais acentuados nos últimos três anos. Em Israel, a pontuação caiu 38 pontos em leitura, 25 em matemática e 23 em ciências entre 2022 e 2025. Na Espanha, a queda em leitura foi de 23 pontos no mesmo período. A França, por sua vez, perdeu 18 em leitura e 16 em matemática.
De acordo com a OCDE, a piora recente foi puxada principalmente pelos estudantes de nível socioeconômico mais elevado. A classificação de alunos favorecidos e desfavorecidos é feita com base em informações coletadas por questionários, como contexto familiar e escolaridade dos pais. Os alunos favorecidos correspondem aos 25% de maior nível socioeconômico e os desfavorecidos representam os 25% de menor nível socioeconômico dentro do próprio país.
Entre os alunos favorecidos, a média em leitura caiu 20 pontos entre 2022 e 2025. Já entre os estudantes desfavorecidos, a redução foi de quatro pontos.
O relatório da OCDE atribui parte do declínio em leitura à perda da capacidade de concentração em textos mais longos, o que leva os estudantes a responder às questões de forma mais rápida, porém de maneira incorreta. Segundo o documento, essa dificuldade de manter o foco está associada ao aumento do tempo de tela — seja aos finais de semana como lazer ou na sala de aula — e à redução dos hábitos de leitura aprofundada.
A aparente redução da distância entre o Brasil e os países mais desenvolvidos, no entanto, não passa de uma ilusão estatística. Essa aproximação não decorre de um avanço significativo dos alunos brasileiros, mas da queda observada nos sistemas educacionais que tradicionalmente lideravam o ranking.






