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PF apreendeu 694 metros cúbicos de madeira já serrada, além de toras de araucária e carvão | Henry  Milleo - Gazeta do Povo
PF apreendeu 694 metros cúbicos de madeira já serrada, além de toras de araucária e carvão| Foto: Henry Milleo - Gazeta do Povo

Em uma semana de operação foram efetuados 133 autos de infração, sendo aplicados R$ 4 milhões de multas

Três políticos paranaenses e três empresários paulistas foram presos pela Polícia Federal (PF), nesta terça-feira (2), durante uma operação de combate a crimes ambientais. Os detidos são suspeitos de derrubar florestas nativas de araucária, espécie símbolo do Paraná. A polícia cumpriu determinação da Justiça Federal e interditou 16 madeireiras na região Centro-Sul do Paraná e em São Paulo.

Entre os detidos estão o prefeito do município de General Carneiro, Ivanor Dacheri, e o presidente da Câmara de Vereadores da cidade, José Cláudio Maciel, além do vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri. Os empresários paulistas presos não tiveram os nomes divulgados. A PF ainda tenta cumprir o mandado de prisão do prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin, que estaria foragido.

Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sediado em Porto Alegre. Foram fechadas madeireiras nos municípios de General Carneiro, Bituruna, Coronel Domingos Soares, União da Vitória, Cruz Machado e Palmas, no Paraná, e na cidade de São Paulo.

Segundo a PF, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em residências e escritórios dos investigados e nas instalações das empresas, que tiveram quebrado o sigilo fiscal. As empresas vão passar por investigação da Receita Federal (RF) por suspeita de sonegação.

Uma das madeireiras fechadas é da família do deputado Luciano Pizzatto (DEM). A empresa está em nome da mulher, do pai e do irmão do parlamentar. O deputado informou ao telejornal ParanáTV, que a madeireira está fechada há dois anos e que no local só há reflorestamento de pinus e araucária.

As ações desta terça-feira são realizadas no âmbito da Operação Angusti-Folia(trocadilho que a polícia fez com o nome científico do pinheiro do Paraná, Araucária-angustifolia), que combate o desmatamento na região Centro-Sul do Paraná desde o dia 25.

Na reunião da Escola de Governo desta terça-feira, o governador do Paraná, Roberto Requião, defendeu o trabalho voltado ao combate de crimes ambientais no estado. "Nós apoiamos a ação do Ibama e da PF na repressão ao desmatamento no Paraná. Se essas pessoas não têm consciência, vão adquirir consciência em uma cadeia pública", disse o governador.

O superintendente do Ibama, no Paraná, José Álvaro Carneiro, comentou que é constrangedor precisar chegar a este nível para defender a natureza. "Verificarmos que deputados estaduais, federais, prefeitos, ao invés de defender os interesses da população, formam uma quadrilha com dinheiro público", desabafou. "Espero que essas prisões, que nunca aconteceram antes, tenham o poder de mudar alguma coisa", diz o superintendente.

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com as prefeituras de General Carneiro e Coronel Domingos Soares para ouvir os representantes dos envolvidos, mas foi informada que ninguém comentaria caso. Na Câmara Municipal de General Carneiro ninguém atendeu as ligações. Balanço

Em uma semana de operação, foram efetuados 133 autos de infração, sendo aplicados R$ 4 milhões de multas e 165 hectares de áreas foram embargadas. A PF apreendeu 46 metros cúbicos de araucária em tora, 289 de imbuia e 694 de madeira já serrada, além de 300 metros cúbicos de carvão. Foram apreendidos ainda um trator, dois caminhões, carro, um picador de madeira e duas serrarias moveis.

Considerada a maior operação de fiscalização já realizada no Brasil, a Angusti-Folia se concentra em 14 cidades paranaenses e conta com um efetivo de 223 agentes de seis estados brasileiros, entre profissionais da PF, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Força Verde da Polícia Militar (PM). O foco do trabalho é verificar denúncias mostradas numa série de reportagens publicada pela Gazeta do Povo em março.

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