A inclusão de políticos na lista de pessoas investigadas pela Polícia Federal (PF) gerou questionamentos sobre a motivação da operação. Na região Centro-Sul, a alegação das autoridades locais é de que a força-tarefa teve cunho político. A empresa madeireira da família do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR) foi autuada em R$ 500 mil. O parlamentar falou diversas vezes desde o início da Operação Angustifalia que seria, de alguma forma, envolvido em polêmicas. Ele afirma que os policiais não encontraram madeira ilegal na propriedade e que as multas foram baseadas em tocos enraizados de árvores encontrados no meio do reflorestamento. As entidades ambientais informam que ainda está sendo analisada a documentação apreendida e a legalidade do corte de madeira em áreas plantadas.
"Por mais que tenha forte convicção de que foi uma ação política, vou esperar a audiência pública no dia 24 com o Ministério do Meio Ambiente e com a Polícia Federal", diz. Na semana passada, o Congresso Nacional aprovou um requerimento para que o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, e o superintendente estadual da PF, Mauricio Valeixo, prestem esclarecimentos na comissão parlamentar de Meio Ambiente sobre a ação da força-tarefa. Para Pizzatto, a operação não respeitou uma resolução recente do Conselho Nacional de Meio Ambiente sobre os métodos que devem ser adotados em fiscalizações.
Os coordenadores da Angustifolia asseguram que cumpriram todas as normas legais. Pizzatto é relator de uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) uma estrutura política constituída pela Câmara Federal que, desde janeiro, avalia a ação de fiscais ambientais em várias partes do Brasil e pretende investigar a operação Angustifolia.
O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) chegou a participar da organização de um protesto em União da Vitória questionando a motivação da força-tarefa, mas evita cravar que foi uma ação política. "Foi a região que mais preservou no estado e por causa de dois ou três casos de desmatamento está sendo perseguida", diz. O parlamentar garante que não defende o desmatamento e diz que não quer proteger quem comete crime ambiental, mas assegura que pessoas inocentes se viram envolvidas no caso.



