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Para entender

Por que o tombamento de igrejas em Ponta Grossa gera polêmica?

Catedral Sant’Ana, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora do Rosário e Igreja Greco-Católica Ucraniana da Transfiguração de Nosso Senhor, quatro dos templos incluídos no processo preliminar de tombamento em Ponta Grossa. (Foto: Bruno Ishiai/Wikimedia Commons e Simplus Menegati/Wikimedia Commons)

O Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Ponta Grossa iniciou processos de tombamento para oito igrejas históricas. A medida, que já impõe restrições administrativas antes mesmo da decisão final, gerou forte reação de líderes religiosos e vereadores devido ao impacto na autonomia.

Quais templos foram atingidos por essa medida?

Ao todo, oito templos foram incluídos no processo. São seis igrejas católicas romanas ligadas à Diocese de Ponta Grossa, uma igreja católica de rito bizantino e uma igreja ortodoxa ucraniana. Embora o tombamento não mude quem é o dono do imóvel, ele obriga que qualquer reforma ou manutenção de conservação seja aprovada antes pelo conselho municipal.

Por que os líderes religiosos são contra o tombamento compulsório?

Dom Bruno Elizeu Versari, bispo da diocese, argumenta que o tombamento pode levar ao abandono, citando exemplos onde a burocracia impediu a preservação adequada. Além disso, existe o receio de que a igreja perca a liberdade de adaptar o espaço para funções religiosas, como mudanças em altares ou acessibilidade, tornando o prédio uma 'peça de museu' sem vida comunitária.

O que é tombamento e como ele funciona na prática?

Tombamento é um ato administrativo feito pelo governo para proteger bens de valor histórico ou cultural. Na prática, o proprietário continua sendo o dono, mas não pode destruir ou descaracterizar o bem. Em Ponta Grossa, as restrições já valem de forma provisória, o que significa que obras de restauração precisam de autorização prévia, o que costuma encarecer e dificultar as intervenções.

Como a Câmara Municipal reagiu à decisão do conselho?

Vereadores apresentaram um projeto de lei que exige a autorização da própria instituição religiosa para que o tombamento seja concluído. O objetivo é garantir que a preservação do patrimônio ocorra por meio de diálogo e consenso, impedindo que o Estado interfira na organização material das igrejas contra a vontade das comunidades que mantêm esses locais com recursos próprios.

Qual seria a solução ideal para preservar sem ferir a liberdade religiosa?

Especialistas sugerem o 'tombamento funcionalmente calibrado'. Isso significa proteger elementos históricos externos importantes, como fachadas e vitrais, mas deixar o interior e as estruturas litúrgicas sob autonomia da igreja. Assim, a comunidade pode fazer adaptações tecnológicas e de segurança necessárias para o culto moderno sem ferir as leis de proteção ao patrimônio.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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