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Santa Catarina

Praias impróprias para banho por mais 10 dias

Mistura das águas do mar e das inundações oferece risco à saúde dos freqüentadores; presidente da Assindilitoral diz haver aumento de procura pelo litoral paranaense

Foz do Rio Itajaí-Açu, entre Navegantes (à esquerda) e Itajaí: água barrenta ameaça a saúde dos banhistas na região | Rodolfo Büher/Gazeta do Povo
Foz do Rio Itajaí-Açu, entre Navegantes (à esquerda) e Itajaí: água barrenta ameaça a saúde dos banhistas na região (Foto: Rodolfo Büher/Gazeta do Povo)

Mais 10 ou 15 dias serão necessários para que parte dos 562 quilômetros do litoral de Santa Catarina – os 51,1 km entre Barra Velha e Balneário Camboriú – esteja em condições para banho. De acordo com a Fundação de Meio Ambiente de Itajaí (Famai), o Rio Itajaí-Açu desemboca no oceano da região e, por esse motivo, a água do mar está barrenta e oferece risco de saúde, como a leptospirose e doenças de pele. Além disso, há acúmulo de entulho em balneários que optaram pela assistência à população em vez da limpeza das praias. "Evidentemente que para o turismo fica complicado", diz Luiz Fernando Inácio, engenheiro geógrafo e diretor de Educação e Fiscalização Ambiental da Famai. "As pessoas precisam marcar com antecedência e não sabem quanto tempo a situação pode se estender."

Para a melhoria das condições, é preciso que as chuvas parem permitindo que as marés façam a renovação da água, deixando-a própria para o banho. "Estamos na orla colocando faixas de prevenção alertando sobre os riscos", afirma Inácio. "Não há como prever com precisão quanto tempo será necessário para a liberação. Mas em 10 dias deve estar normalizado."

A situação do litoral catarinense impulsiona um aumento na procura pelas praias do Paraná, conforme disse o presidente da Associação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral Paranaense (Assindilitoral), José Carlos Chicarelli. De acordo com ele, o número de pedidos de informação via telefone para hotéis e pousadas localizados na orla paranaense cresceram em duas vezes em relação ao ano passado. E o número de reservas subiu 30% numa comparação com 2007. "Depois das chuvas em Santa Catarina, a demanda cresceu", garante. "Cerca de 30% dos estabelecimentos do litoral estão lotados para o ReveillonTuristas são precavidos. E o litoral do Paraná oferece uma condição mais segura hoje." No entanto, um recepcionista do Hotel Santa Paula, em Guaratuba, informa que o estabelecimento não sentiu diferença até o momento.

A dona da agência de viagens SBtur, Rosangela Vieira, afirma que houve cancelamento de cerca de 20% de pacotes de viagens para Balneário Camboriú. Outras praias tiveram suspensões em menor escala e, em Florianópolis, por exemplo, todas as compras foram mantidas. "É uma grande oportunidade para o litoral do Paraná lucrar com a situação", afirma. "Mas o baixo número de hotéis e a falta de infra-estrutura afugentam os turistas."

De acordo com Rosangela, paranaenses, paulistas e gaúchos optam pelas praias catarinenses. "Considero prematuro para dizer que a temporada vai ser atrapalhada", avalia. "Eu, por exemplo, sugiro a meus clientes que aguardem mais uma semana e, se possível, escolham o litoral catarinense."

Chicarelli defende que as falhas estruturais do litoral paranaense causam problemas quando há superlotação – em épocas como carnaval e réveillon. "Houve melhorias da Sanepar no litoral", afirma. "Mas os municípios dependem do movimento e da Operação Verão para poder investir."

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