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Os assaltos a ônibus em Curitiba e região metropolitana (RMC) tiveram queda de 22% este ano, conforme informações da Polícia Militar. Até setembro último foram registradas 1.850 ocorrências (1.349 em Curitiba e 501 na RMC) contra 2.362 ocorrências no ano anterior (1.648 na capital e 714 nas cidades vizinhas). A média de 8,4 roubos por dia diminuiu para 6,78. As estatísticas dão mais tranqüilidade a motoristas e cobradores, que ainda lembram da morte do colega Ricardo Germano Hopaloski, baleado durante assalto à linha Eucaliptos 2, em janeiro, em Fazenda Rio Grande.

"A violência diminuiu graças ao trabalho de agir cirurgicamente onde há mais assaltos, com policiamento ostensivo", afirma o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e região metropolitana (Sindimoc), Denilson Pires. Segundo a entidade, em 2002 foram registrados 6,2 mil assaltos, número que caiu para 2,4 mil em 2006.

As linhas apontadas como mais perigosas são as que passam perto das ocupações irregulares, como Sabará, Vila Verde, Interbairros 3, Jardim Acrópole, Solitude e Santa Bárbara, na capital, e Gramados e Prado, na RMC. Já as linhas que só circulam na região central quase não registram ocorrências, como Água Verde-Abranches, Ahú-Los Angeles. O mapeamento é feito por João Carlos Mesquita, diretor do setor de Combate e Prevenção a Assalto do Sindimoc.

Perigo nos tubos

Segundo Mesquita, os cobradores estão sujeitos a diversas situações de perigo, como assalto à mão armada, pagamento de "pedágio" para que os assaltantes não levem o dinheiro e até simulação de roubos com armas de brinquedo. O risco é maior para quem trabalha em estação-tubo, onde fica sozinho. "Noventa por cento do assalto no transporte coletivo é feito por menores de idade porque eles sabem que vão lá e não vão ser presos", diz. As prisões e apreensões (estas no caso de crianças e adolescentes) cresceram de 90, em 2006, para 189, em 2007.

Mas a população continua insegura. No terminal Capão Raso, por exemplo, é comum encontrar pessoas que foram assaltadas. "Dois rapazes entraram no ônibus em que eu estava, assaltaram o cobrador e fugiram", diz o cozinheiro Luiz de Carvalho. "Há dois meses quase fui assaltada no Terminal Portão e há 20 dias no ponto de ônibus da Kennedy, onde arrancaram minha bolsa", conta a auxiliar de limpeza Luciane Régis. Um dos furtos mais comuns é o de telefone celular.

"Quando desci do tubo, percebi que levaram o aparelho", lembra a menor-aprendiz Camila Xavier Alves.

O secretário municipal da Defesa Social, coronel Itamar dos Santos, diz que 48 guardas municipais em oito viaturas dedicam-se exclusivamente ao patrulhamento do transporte coletivo. "O programa implantado em 2005 foi inédito no Brasil, específico para o transporte coletivo". Segundo ele, de janeiro a junho deste ano já foram feitas 231 prisões e atendidas mais de 2.481 ocorrências. A média é de 10 a 12 casos por dia. A Polícia Militar também alega que o efetivo e a quantidade de operações do programa Ônibus Seguro tiveram aumento.

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