Só no Paraná, desde 1996 foram aprovadas 15 leis em defesa das pessoas com alguma deficiência auditiva, abrangendo 13 cidades. A Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) destaca as conquistas dessa parcela da população nos últimos anos, particularmente no campo legislativo, e agora luta para disseminar a Linguagem Brasileira dos Sinais (libras).
"O Paraná oficializou o ensino da libras em 1998, dois anos antes de ela ser oficializada no Brasil", comenta, com a ajuda de uma intérprete, Karin Lilian Strobel, pedagoga e diretora regional da Feneis no Paraná. "Isso facilita a contratação de instrutores e intérpretes. Mas ainda falta esse reconhecimento em alguns municípios", afirma.
A pedagoga afirma que os surdos não gostam de ser classificados como deficientes auditivos. "Somos uma minoria lingüística, como uma comunidade estrangeira", compara. Ela também comenta a importância da mudança de enfoque na educação para surdos. "O ensino precisa ser bilíngüe. Os educadores devem entender que normalmente o português é a segunda língua dos surdos", explica.
Para tanto, segundo Karin, a língua portuguesa deve ser ensinada de uma maneira diferente para as crianças surdas. "Hoje ela é toda ensinada com base na fonética, o que não faz nenhum sentido para quem é surdo", observa. "Seria importante adotar metodologias visuais, por meio do contato com educadores surdos. É como quem aprende inglês só lendo", completa. Karin também incentiva pais ouvintes de crianças surdas a aprender a libras. "A Feneis promove esses cursos e a comunicação será muito mais fácil", garante.
Um passo importante mencionado por Karin Strobel é a iniciativa de algumas cidades paranaenses, como Palmeira e Palmas, onde escolas oferecem libras como matéria opcional no currículo regular. "Assim o aluno ouvinte pode se matricular na aula de libras, como faria para aprender inglês ou espanhol. A popularização da linguagem dos sinais é a melhor maneira de evitar que os surdos formem um gueto, por dominar uma língua que as outras pessoas não entendem", observa.
Entre as reivindicações dos surdos estão ainda a existência de intérpretes em libras nos eventos públicos, como congressos, seminários e palestras, e mesmo medidas simples como a inclusão de legendas em filmes nacionais. "A assembléia regional do Coede em Irati, por exemplo, não tinha intérprete em libras. Era uma reunião do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência inacessível aos surdos", conta.
Karin também procura derrubar alguns estigmas que acompanham quem não ouve, como aquele que considera pouco inteligentes crianças ouvintes de pais surdos: "essas crianças apenas aprenderão libras como primeira língua. O contato com outras crianças, amigos e parentes ouvintes, além da escola, em pouco tempo torna a criança bilíngüe", afirma.



