Publicidade
Recurso negado

TRF4 mantém condenação de R$ 300 mil contra Sikêra Júnior por suposta homofobia

Caso ocorreu em 2021, quando apresentador criticou propagandas que envolviam crianças.
Caso ocorreu em 2021, quando apresentador criticou propagandas que envolviam crianças. (Foto: Reprodução/Youtube/Sikêra Jr (ampliada com Nano Banana 3))

Ouça este conteúdo

A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou os recursos do apresentador e pré-candidato a deputado federal por São Paulo Sikêra Júnior (Republicanos) e da RedeTV! e manteve uma indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos contra a comunidade LGBT. As ações civis públicas foram propostas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo "Nuances - Grupo Pela Livre Expressão Sexual".

O caso começou em junho 2021, durante o programa Alerta Nacional. Ao comentar um anúncio do Burguer King, em que crianças são entrevistadas sobre a homossexualidade, o apresentador opinou: "Vocês são nojentos. A gente está calado, engolindo essa raça desgraçada, mas vai chegar um momento em que vamos ter que fazer um barulho maior". Sikêra argumentou que é necessário permitir que a criança "descubra por ela mesma" e chamou o comercial de "podre" e "nojento".

Depois disso, em novembro, o apresentador criticou uma história em quadrinhos em que o personagem Superman aparece como bissexual. Sua crítica veio na forma de uma música composta pela equipe. A letra dizia que "o mundo tá bagunçado" e "de cabeça pra baixo", uma vez que "no banheiro de menina pode entrar macho". "Mas a intenção dessa corja desgraçada é tirar a inocência da nossa criançada. Não vem com esse papo de ideologia, vai se lascar pra lá com a sua pedofilia", completa.

A partir disso, o MPF ingressou na Justiça Federal alegando "ameaça" nas falas, que teriam "teor discriminatório e de preconceito, de descabida associação entre a homossexualidade e a prática de crimes associados à pedofilia" que estimulariam a violência.

O acórdão confirmando a condenação foi assinado no dia 15 de julho. O relator, desembargador Luís Alberto Aurivalle, entendeu que as falas "excederam os limites da liberdade de expressão, configurando discurso de ódio". Mesmo assim, ele negou um pedido para aumentar o valor a pagar e manteve a indenização nos patamares originais. A associação que atuou junto ao MPF receberá honorários de cerca de R$ 45 mil.

Após a repercussão, o apresentador veio a público se desculpar pelo excesso nas falas, mas reiterou sua crítica. "Como pai e avô, não posso me calar para vender uma ideologia. Criança precisa estudar, brincar e principalmente ser criança", defendeu.

A Gazeta do Povo tenta contato com a defesa de Sikêra Júnior. O espaço segue aberto para manifestação.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.