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Mistério

Zeni: quatro décadas de exílio

Mulher diz que era vítima de maus-tratos em Curitiba e agora vai reencontrar a família em Laranjeiras do Sul, de onde saiu nos anos 70

  • PorGuilherme Voitch e José Marcos Lopes
  • 16/10/2009 21:07
Iracema Pereira da Rosa mostra a foto da pequena Zeni, na época em que ambas viviam juntas em Laranjeiras do Sul. “Acho que não vou reconhecer mais ela”, diz | Marcelino Duarte/ Gazeta do Povo
Iracema Pereira da Rosa mostra a foto da pequena Zeni, na época em que ambas viviam juntas em Laranjeiras do Sul. “Acho que não vou reconhecer mais ela”, diz| Foto: Marcelino Duarte/ Gazeta do Povo

Casal de Curitiba nega maus tratos

A reportagem da Gazeta do Povo esteve ontem à tarde no endereço em que Zeni Zavelinski morava, no Centro de Curitiba. No apartamento em que vive o casal com quem ela vivia, ninguém atendeu o interfone. Um vizinho disse apenas que a polícia esteve no local durante a se­­mana e que tinha levado Zeni embora. Preferiu não dar mais detalhes nem se identificar.

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Mãe não tinha mais notícias

Iracema Pereira da Rosa, 77 anos, soube nesta quinta-feira que sua filha Zeni, de quem ela nunca mais tinha ouvido falar, está viva e vai reencontrá-la. A prefeitura de Laranjeiras do Sul, onde Iracema mora, está preparando o reencontro.

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Entenda o caso

Zeni não vê sua família desde 1971. Veja:

Separação

> Aos 17 anos, Zeni Zavelinski é levada de casa, em Laranjeiras do Sul. Segundo familiares, ela teria ido morar com uma família em Irati, com autorização judicial. A mãe diz que a filha teria sido tirada da família.

> Na quarta-feira desta semana, o advogado Aristides Athayde é comunicado por um guardador de carros, no Centro de Curitiba, que uma mulher era mantida em cárcere privado. Ele comunica dois policiais militares que passavam pelo local e vai até o prédio.

> O advogado, Zeni e os dois policiais vão até o Ministério Público do Paraná e relatam o caso. A promotora de Justiça Terezinha Resede Carula determina à Delegacia da Mulher de Curitiba que abra um inquérito para apurar se Zeni era mantida em cárcere privado e se havia maus-tratos. Ela é encaminhada para a Fundação de Ação Social de Curitiba.

A família de dona Zeni achava que ela estava morta. Na cidade natal, a distante Laranjeiras do Sul, de onde está exilada há quase 40 anos, ninguém mais sabia dela. Para os vizinhos do apartamento em que ela morava em Curitiba, sua presença causava estranheza. Agora, a Polícia Civil e o Ministério Público estão investigando o caso para descobrir o que aconteceu com Zeni nos últimos 38 anos.

As queixas de Zeni Zavelinski começaram a surtir efeito na quarta-feira, quando um guardador de carros resolveu procurar ajuda. Ao ouvir os relatos de maus-tra­tos contra a mulher que passava sempre apressada e com medo, ele procurou um advogado conhecido.

O advogado, Aristides Athay­de, encontrou Zeni e ficou espantado. "Ela estava muito nervosa e apresentava sinais de hematomas nos braços. Me disse que era impedida de ver a família há 38 anos", diz Athayde. O homem acionou dois policiais militares que passavam pelo local. Juntos, foram até a residência do casal. "Lá eles disseram para os policiais que ela não batia bem da cabeça. E ficavam insistindo para a mulher entrar em casa novamente."

O advogado procurou então a promotora de Justiça Terezinha Resende Carula, do Centro de Apoio das Promotorias de Defesa dos Direitos do Idoso. Lá, Zeni teria confirmado o que disse a Athayde: que foi tirada da família quando ainda era jovem e que o casal não a deixava entrar em contato com os parentes; que trabalhava todos os dias e não recebia salário; e que era vítima de agressões físicas. "Ela dizia que recebia tapas na cabeça e beliscões. Dava exemplos das agressões. Disse que quando quebrou uma máquina de lavar apanhou muito e que era acordada com baldes de água", afirma Athayde, que depôs como testemunha no caso. O casal que mantinha Zeni teria entregue um envelope com a carteira de identidade e a certidão de nascimento da mulher. E teria dito que todos os parentes da mulher haviam morrido.

A promotora pediu que a Delegacia da Mulher instaurasse um inquérito para descobrir o que esava acontecendo. E encaminhou dona Zeni para um abrigo da Fundação de Ação Social (FAS), de onde ela deve sair na semana que vem para, finalmente, rever sua família. Afinal, ao contrário do que se dizia, ela tem, sim, parentes vivos.

Sumiço

O comerciante Edualtino Za­­velinski, 51 anos, primo de Zeni, diz que a família achava que ela já tinha morrido. "Na época, em 1971, a Zeni perdeu o pai e a família estava passando por dificuldades. Então, foi feita uma doação, acompanhada por um juiz", conta. "Acredito que foi uma coisa mal-feita. Ela tinha uns 15 ou 16 anos, apareceu um cidadão, disseram que era um taxista, e ficou com ela. Levou e ninguém foi atrás. Às vezes eu perguntava para a minha tia onde a Zeni estava, mas ela não sabia. Falavam que tinha ido para Irati. Nem achávamos mais que ela estava viva."

Iracema Pereira Rosa foi co­­municada na última quinta-feira sobre o aparecimento da filha. "Ela ficou emocionada", diz Edualtino. Na próxima segunda-feira, o pai de Edualtino, Amauri Zavelinski, 74 anos, e funcionários da prefeitura de Laran­jeiras do Sul virão a Curitiba para en­­contrar Zeni e conversar com a delegada Daniele de Oliveira Serigheli, da Delegacia da Mulher de Curitiba, que está presidindo o inquérito aberto a pedido do Ministério Público.

Daniele Serigheli diz que ainda é cedo para afirmar se houve maus-tratos ou se Zeni era mantida em cárcere privado. "Vou devolvê-la para os responsáveis. Notei que ela tem dificuldades para falar, relatar o que aconteceu", revela a delegada. "Ela foi ouvida no Ministério Público e a promotora requisitou um inquérito para apurar se houve cárcere privado e maus- tratos, mas isso ainda vai ter de ser investigado."

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