Determinada a aprovar a integração da Venezuela ao Mercosul com uma margem de pelo menos dez votos, a base aliada vai colocar o protocolo de adesão em votação no plenário do Senado na quarta-feira (18). A votação já foi adiada duas vezes por falta de segurança dos governistas na aprovação da proposta. Desta vez a oposição enviou recados de que não pretende obstruir a votação, mas aplicar a estratégia de esgotar o debate.
Na prática isso significa que a sessão de quarta-feira deverá ser longa e poderá se estender madrugada adentro. Os senadores de oposição pretendem intercalar longos discursos sobre a participação da Venezuela no Mercosul. Em contrapartida os senadores da base aliada deverão responder em defesa da participação dos venezuelanos.
O tema irá votação no plenário depois de quase um mês da aprovação na Comissão de Relações Exteriores do Senado no dia 29 de outubro. Na comissão, a aprovação foi possível porque o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou um voto em separado contra o proposto pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Jucá defendeu a participação da Venezuela, enquanto Tasso argumentou que a adesão do vizinho ao bloco não traria benefícios políticos aos acordos. Para a oposição, a presença da Venezuela sob comando do presidente Hugo Chávez é uma ameaça democracia interna no Mercosul e nas relações do bloco com outros países, como os Estados Unidos.
Na semana passada, a tensão no Congresso brasileiro aumentou depois que Chávez convocou militares venezuelanos para que se preparassem para um eventual conflito com a Colômbia. Os governos da Venezuela e Colômbia vivem um período de tensões. Em julho, Chávez rompeu as relações diplomáticas com os colombianos e a partir de então intensificou as críticas ao acordo firmado entre a Colômbia e os Estados Unidos para a instalação de bases militares.
Porém, a eventual aprovação do governo do Brasil adesão da Venezuela não soluciona o impasse. O governo do Paraguai adiou para o próximo ano os debates e a votação da proposta, uma vez que o presidente paraguaio, Fernando Lugo, recebeu informações de que a medida poderia ser rejeitada pelos congressistas.
Os governos da Argentina e do Uruguai já aprovaram a integração dos venezuelanos ao bloco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e interlocutores do governo atuam em favor da adesão da Venezuela.
Paralelamente, um grupo de deputados brasileiros está em Caracas com o objetivo de conversar com autoridades federais em busca de respostas sobre o impasse envolvendo os governos da Venezuela e da Colômbia. A missão parlamentar chegou ontem capital venezuelana.
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