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Religião

Aparecida se prepara para receber 500 mil na visita de Bento XVI

É com orgulho e expectativa que Aparecida, a 160 quilômetros da capital paulista, espera a visita do papa Bento XVI, confirmada para o dia 13 de maio de 2007. A cidade de 36 mil habitantes, que já recebeu o papa João Paulo II em 1980, começa a se preparar para a festa em que deve se transformar a visita. Segundo estimativas da própria Igreja e da prefeitura, um público recorde — entre 500 mil a 800 mil pessoas — deve ir a Aparecida na ocasião. Além disso, a visita vai projetar internacionalmente a cidade e registrar seu nome definitivamente na história da Igreja Católica.

Só para se ter uma idéia da grandiosidade do evento, a cidade recebe na sua principal festa anual, em 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, cerca de 200 mil pessoas. Um público um pouco maior, de cerca de 300 mil pessoas, esteve no local durante a visita de João Paulo II.

Tudo em Aparecida tem proporções gigantescas. Ela tem o status de ser o maior centro de peregrinação religiosa da América Latina e o maior santuário mariano do mundo. Só ano passado foram de 8,2 milhões de romeiros que a visitaram. E não é para menos. A devoção à Nossa Senhora — que atrai à pequena cidade cada vez mais fiéis — fez com que, em 1955, a Igreja iniciasse a construção da chamada Basílica Nova, em tamanho que só perde para a de São Pedro, no próprio Vaticano.

Lotado, o prédio, que ainda está em obras, tem formato de cruz grega e é capaz de comportar até 45 mil pessoas. Seu estacionamento tem capacidade para 4.000 ônibus e 6.000 carros. Especialmente para a visita do papa, a Igreja adiantou a construção de uma tribuna voltada para o estacionamento.

Com 28 metros de frente e 11 metros de altura — o correspondente a um prédio de três andares — a chamada Tribuna Sul será inaugurada por Bento 16 na sua celebração ao ar livre em Aparecida. Se carros e ônibus não forem permitidos no estacionamento no dia, o evento poderá ser assistido por 250 mil pessoas. Com carros e ônibus, são 50 mil pessoas que poderão estar na área também cercada por arcos em formato de U. Isso sem contar com quem participar da festa do meio das ruas.

Funcionários da Basílica e comerciantes também se preparam para receber uma multidão de estrangeiros, já que o motivo da visita do papa é 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), que deve atrair romeiros de todas as partes da América Latina. Trezentos dos 900 funcionários da Basílica, comerciantes e vendedores da cidade fazem curso de espanhol desde o início do ano.

Se o público recorde anima os moradores e comerciantes, também deixa boa parte deles preocupada.

- Com 200 mil pessoas já fica ônibus parado na Dutra. Não cabem 800 mil pessoas aqui - diz o fabricante de lembranças religiosas José Carlos Monteiro, de 65 anos, que recorda-se muito bem da primeira visita de um papa à cidade em 4 de julho de 1980.

- O hospital ficou lotado, faltou água e três dias depois ainda tinha criança perdida por aí - conta.

- A cidade vai fechar - diz a vendedora Valéria Maria Aguiar Pinto, de 32 anos.

Em 1980, a Polícia Rodoviária realmente pôs barreiras na Dutra, antes e depois das entradas de Aparecida. Mas a prefeitura garante que o fechamento não vai ocorrer desta vez.

Tanto a administração da Basílica quanto a prefeitura de Aparecida têm projetos para receber os romeiros. Estão previstas instalações de mais sanitários públicos e também de placas de informação. A prefeitura também constrói uma nova avenida, marginal à via Dutra, para que parte do tráfego não precise entrar na cidade.

Para quem pretende dormir em Aparecida, ainda há vagas em alguns dos 150 hotéis, mas vários já estão lotados. Cinco vão abrigar 320 bispos que vão participar do congresso. A rede hoteleira se prepara para o evento há um ano, construindo e modernizando instalações — ao menos nove hotéis novos devem ser inaugurados até o início de 2007 e o número de leitos saltará de 27 mil para 30 mil.

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