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Quatro anos atrás, o então presidente Lula disse que pela primeira vez o Brasil iria às urnas sem os "trogloditas da direita". Era só mais uma das frases de efeito do presidente, mas em todo caso os candidatos realmente tinham uma tendência majoritária para o centro ou a esquerda. O DEM, principal partido liberal, já havia se tornado um puxadinho do PSDB e continuava minguando a olhos vistos. E ninguém aparecia para assumir o lugar.

A eleição de 2014 tem um perfil diferente. Embora os três candidatos com maior chance de vitória continuem sendo ou de esquerda ou de centro (e jurando que não querem nada com a direita), há sinais de mudança. Por um lado, embora Aécio Neves tenha assumido certos compromissos, como a manutenção do Bolsa Família, ele nitidamente está mais distante da esquerda do que José Serra, por exemplo. Seu discurso, no começo da campanha, era de que "quem muda o Brasil é você", lembram? Papo reto.

Mas dentre as candidaturas a presidente o que chama a atenção, nesse sentido, é mesmo o Pastor Everaldo. Embora não chegue a fazer cócegas (por enquanto) em PT, PSDB e PSB, o pequeno PSC parece ter percebido que havia um vácuo, um nicho a ser ocupado. Há tempos vinha se preparando para isso, e agora resolveu tentar carreira solo indo por aí. Dois componentes básicos: defesa de valores tradicionais, por um lado, e defesa do livre mercado, por outro.

Everaldo fala mais em livre mercado do que Eduardo Suplicy fala de renda mínima. É a sua panaceia. Quando não está nesse discurso, muda imediatamente a chave para falar da família e de seus valores. Claro: pega apenas uma parcela do eleitorado. Mas, como Marco Feliciano, do mesmo PSC, já demonstrou, há muita gente querendo candidatos nessa linha. Podem não estar na sua lista de amigos no Facebook, mas há milhares de pessoas dizendo na internet que Feliciano os representa. Milhares? Ele já tem quase 1,5 milhão de curtidas na rede social.

O movimento está se espalhando por aí. E, ao contrário do que parecia ocorrer antes, esse é um eleitorado que já ousa dizer seu nome. No Paraná, há um candidato a deputado federal que anda por aí, literalmente, em seu "reaça móvel". O nome do carro é dito pelo autofalante com orgulho. E, claro, a isso seguem-se as propostas que dele se podem esperar. Talvez não caia em ouvidos de mercador: cada vez mais vê-se jovens participando de "think tanks" de elogio a Von Mises e se interessando por versões não esquerdistas da história brasileira.

Ao mesmo tempo, aparece um número considerável de candidatos defendendo políticas de repressão policial, a turma da lei e da ordem. O professor Adriano Codato, do Observatório de Elites Sociais e Políticas do Brasil, computou 885 candidaturas de policiais no país inteiro. A maior parte em partidos pequenos e de direita. Há gente defendendo castração química de estupradores, pena de morte, armamento do "cidadão de bem" e outras coisas do gênero. Funciona? No Paraná, o delegado Francischini, que nunca havia disputado uma eleição, saiu de 2010 como terceiro deputado federal mais votado do estado.

Há quem lamente esse ressurgimento da direita. Há quem o considere a salvação da lavoura. Há quem ache que, com isso, a disputa passa a ter mais claramente os dois lados da balança. Mas que a direita está aí de volta, isso parece simplesmente um fato.

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