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Lava Jato

Costa diz que PT, PMDB e PP recebiam dinheiro de esquema na Petrobras

Em depoimento à Justiça Federal em Curitiba, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef citaram novos doleiros, novas empreiteiras e detalharam o pagamento de propina em contratos envolvendo a estatal

  • Kelli Kadanus, Katna Baran e Amanda Audi
O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, chega à sede da Justiça Federal em Curitiba nessa quarta-feira (8) para depor sobre irregularidades na Petrobras |
O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, chega à sede da Justiça Federal em Curitiba nessa quarta-feira (8) para depor sobre irregularidades na Petrobras
 
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O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, abriram o jogo ao prestarem depoimento na sede da Justiça Federal, em Curitiba, na tarde desta quarta-feira (8). Durante o interrogatório, os dois detalharam o pagamento de propina em contratos envolvendo a Petrobras e três partidos políticos: PT, PMDB e PP. “Paulo deixou bem claro que esse esquema beneficiou a campanha de 2010. Ele citou três partidos grandes”, disse o advogado de Alberto Youssef, Antônio Figueiredo Basto.

Os três partidos 'grandes' foram identificados pela revista Veja em reportagem publicada em agosto desse ano. “Eles reafirmaram a versão sobre um grande esquema dentro da Petrobras com participação de pessoas jurídicas, agentes públicos e, principalmente, de agentes políticos”, disse Basto. De acordo com o advogado, os acusados não citaram nomes, mas deixaram claro a participação de políticos no esquema. “Ficou muito claro a fortíssima influência de agentes públicos dentro desse sistema”, disse.

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Costa teria detalhado também que a propina correspondia a 3% do valor líquido de contratos da Petrobras, que eram divididos entre partidos políticos. Afirmou ainda que o Consórcio CNCC - integrado pela Camargo Corrêa - pagou propina para ganhar obras da estatal para a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Além disso, os réus citaram novos doleiros e empreiteiras envolvidas no esquema de irregularidades cometidas dentro da estatal. Segundo a investigação da operação Lava Jato - conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) - a Petrobras contrataria prestadoras de serviços com contratos superfaturados. Parte do dinheiro seria repassado a partidos políticos, deputados, governadores, senadores e diretores da estatal.

Haveria um intermediador do esquema no PT. A revista Veja em agosto informou que seria o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. No PMDB, a função ficaria a cargo do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Ele seria o responsável por procurar as grandes empreiteiras que poderiam firmar contrato com a Petrobras e intermediava os dois lados, de acordo com documentos da investigação. No PP, o doleiro Alberto Youssef seria o responsável direto por fazer o direcionamento da verba. Os recursos eram distribuídos em espécie aos envolvidos, o que dificulta um possível rastreamento do dinheiro.

No depoimento, conforme Basto, Costa teria confirmado também que recebeu pessoalmente R$ 500 mil do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que é ligado ao PMDB. O ex-diretor também teria citado o nome de José Eduardo Dutra, atual diretor da Petrobras e ex-presidente da BR Distribuidora, como participante dos esquemas do grupo. Dutra já foi presidente do PP.

Conforme o advogado Haroldo Nater, o ex-diretor também confirmou o recebimento de dinheiro da Odebrecht e citou o nome do executivo Márcio Farias como sendo seu contato, mas não falou de valores. Nater defende outros réus no processo, entre eles Leonardo Meirelles, apontado como laranja de Youssef no Labogen, laboratório usado para lavar dinheiro. O advogado também participou da audiência. Os depoimentos de Paulo Roberto Costa e Youssef duraram cerca de duas horas cada um. Os réus citaram outras diretorias da Petrobras envolvidas no esquema, além da diretoria de Abastecimento - comandada por Paulo Roberto Costa. Os demais diretores envolvidos seriam Nestor Cerveró (Internacional), Renato Duque (Engenharia e Serviços) e José Zelada (Internacional), que operariam o esquema a mando de agentes políticos.

De acordo com Basto, os dois réus confirmaram integralmente a denúncia do Ministério Público Federal. Novos doleiros e empreiteiras também teriam sido citados nos depoimentos. “O meu cliente [Youssef] não era o chefe dessa quadrilha, era um operador”, disse Basto. “O chefe não se disse o nome porque o juiz não permitiu”, finalizou. O chefe da quadrilha não teve o nome citado por ter foro privilegiado, de acordo com Basto. A competência de investigação de deputados federais, por exemplo, é do Supremo Tribunal Federal (STF). Citar nomes de políticos durante o depoimento nessa quarta-feira poderia retirar a competência da Justiça Federal do Paraná de investigar os casos.

Depois dos depoimentos, Paulo Roberto Costa foi direto para o aeroporto e deve voltar ainda nesta quarta-feira para o Rio de Janeiro, onde cumpre prisão domiciliar. Alberto Youssef voltou à carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso.

Ligação com políticos

Os depoimentos de Paulo Roberto Costa – que deixou a sede da PF em Curitiba e começou a cumprir prisão domiciliar na semana passada – motivaram a investigação de pelo menos 40 pessoas ligadas ao esquema, incluindo políticos. A informação consta de decisão emitida no último dia (30) pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que confirma o foro privilegiado de pelo menos alguns dos investigados.

Segundo a revista Veja, Costa teria citado pelo menos 25 deputados federais, seis senadores, três governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da Petrobras.

A expectativa é que os depoimentos de Youssef possam endossar as acusações de Costa ou ainda adicionar outros nomes de empresas e políticos envolvidos.

Em 2003, o doleiro já havia firmado acordo de delação premiada no escândalo do Banestado. Por ter reincidido em atividades criminosas - e por isso quebrado o acordo -, Youssef foi condenado em setembro deste ano a cumprir quatro anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa naquele caso.

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