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À polícia, senador diz que por ‘questões humanitárias’ tentou ajudar Cerveró. | Sérgio Lima/Folhapress
À polícia, senador diz que por ‘questões humanitárias’ tentou ajudar Cerveró.| Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Depois de já ter prestado depoimento na Polícia Federal (PF) na quinta-feira, o senador Delcído do Amaral (PT-MS) ficou irritado quando soube das críticas que recebeu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula teria dito que foi uma “grande burrada” as tentativas de Delcídio de impedir que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró o delatasse. Delcídio acabou preso na quarta-feira (25), acusado de tentar atrapalhar a investigação. Segundo a PF, Delcídio não prestará novo depoimento nesta sexta-feira (27).

No depoimento desta quinta-feira (26), o senador negou que tenha procurado ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a libertação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. E disse que apenas prometeu ajudar, para dar palavras de conforto ao filho dele, Bernardo Cerveró. Questionado se tinha interesse na soltura do ex-diretor da Petrobras, preso em Curitiba em decorrência da Operação Lava Jato, Delcídio respondeu que sim, mas por motivos pessoais, por já ter trabalhado com ele na Petrobras e por presumir o sofrimento pessoal que vinha sofrendo. Em resumo, por “questões humanitárias”.

Em reunião no dia 4 de novembro, Delcídio prometeu a Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, ajuda para libertar o pai, preso em Curitiba. Também prometeu dinheiro e auxílio para que ele fugisse para a Espanha. Bernardo gravou a conversa e depois entregou o áudio à Procuradoria Geral da República (PGR).

“Agora, agora, Edson (Ribeiro, advogado de Cerveró), Bernardo, é, eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori (Zavascki, ministro do Supremo), conversei com o (ministro Dias) Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar (Mendes, outro ministro do STF). O Michel (Temer, vice-presidente da República) conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o (ex-diretor da Petrobras Jorge) Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também”, afirmou Delcídio na conversa gravada.

Questionado sobre isso, Delcídio disse que apenas prometeu conversar com os ministros, mas não o fez. Segundo o senador, foi Bernardo quem pediu ajuda para libertar o pai. Delcídio também disse no depoimento que procurar ministros do STF seria infrutífero. A respeito da citação a Michel Temer, ele afirmou que tinha informações de que o vice-presidente seria próximo a Jorge Zelada, que também foi preso durante as investigações da Lava Jato. Questionado que relações próximas seriam essas, Delcídio não quis se manifestar.

Pasadena

O senador também negou relação com o negócio da compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Existe a suspeita de que ele tenha recebido propina pelo negócio. Mas Delcídio sustentou que na época, em 2006, era presidente da CPI dos Correios, que investigou o escândalo do mensalão. Assim, sofria resistências tanto do governo federal como do PT.

Delcídio afirmou que conhece o advogado Edson Ribeiro, que aparece na gravação participando da negociação em que o senador tenta comprar o silêncio de Cerveró. O senador diz que foi procurado por Edson porque o advogado tinha créditos a receber da Petrobras. Era a estatal que pagava a defesa dos diretores e ex-diretores investigados na Lava Jato.

No depoimento, Delcídio disse que conheceu Cerveró em 1999. Na época ele foi indicado para a diretoria de Gás e Energia da Petrobras, onde Cerveró tinha um cargo de gerência. Em 2002, Delcídio foi eleito senador pelo Mato Grosso do Sul. Ele relata que, no ano seguinte, a então ministra de Minas e Energia Dilma Rousseff, hoje presidente da República, o consultou sobre a indicação de Cerveró para a diretoria da Área Internacional da Petrobras. Delcídio foi favorável, mas afirmou que Dilma já conhecia Cerveró da época em que ela era secretária de Minas e Energia no Rio Grande do Sul (1999-2002).

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