
Os dez candidatos mais ricos que concorrem às prefeituras paranaenses concentram quase um quarto do total de patrimônio declarado à Justiça Eleitoral pelos 1.021 postulantes a prefeito no estado. Eles são apenas 1% do total de concorrentes, mas concentram 23% das riquezas somadas de todos os concorrentes. As informações patrimoniais foram consolidadas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, com base na declaração apresentadas pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No Brasil, a situação é semelhante. Os 14,5 mil candidatos a prefeito nas eleições pelo país somam R$ 8 bilhões em bens declarados oficialmente. Entre os 81 prefeituráveis que confessaram ter mais de R$ 10 milhões, estão concentrados R$ 1,8 bilhão ou seja, 23% do patrimônio estão nas mãos de apenas 0,55% dos candidatos. No país, há mais de mil políticos em campanha que são milionários. Na média nacional, cada postulante ao cargo de prefeito tem R$ 604 mil.
Com R$ 55,4 milhões, o candidato declaradamente mais rico do Paraná é Susumo Itimura (PSDB), prefeito de Uraí, no Norte do estado. Sozinho, ele concentra quase 10% de todo o patrimônio declarado pelos candidatos a prefeito paranaenses.
Os bens informados pelos 1.021 candidatos a prefeito em território paranaense somam R$ 574,96 milhões. Na média, cada candidato paranaense teria mais de meio milhão de reais. Mas, como em toda média, a conta é distorcida por aqueles que têm muito.
Em tese, a quantidade de bens materiais de um candidato não decide uma eleição, mas na era capitalista, dinheiro e poder exercem forte influência. O cientista político Fábio Goiris destaca que o Paraná é um estado conservador, com forte concentração de renda e tendência de manutenção do status quo e de valorizar quem tem patrimônio. "Muitos eleitores escolhem pessoas bem sucedidas financeiramente acreditando que assim não correm o risco de errar", diz.
Sensibilidade social
Mas Goiris defende que nem sempre o candidato que tem mais dinheiro é o melhor e que a situação econômica não deve ser uma condição para escolher um político. "A administração pública envolve sensibilidade social, que não é uma característica necessariamente do rico ou do pobre", argumenta. Para ele, muitos dos que lutam contra o poderio econômico não raramente são vistos como heróis pela população.
Mario Sérgio Lepre, também cientista político, salienta ainda que a campanha eleitoral consome muito dinheiro e que aqueles que já possuem boa condição financeira têm chances de bancar a própria investida. O analista acredita que o que leva muitos milionários para o ambiente eleitoral é a busca por patrimônio político. "Esse poder vai além dos bens materiais e tem influência em diversas outras esferas, como coisas que o dinheiro não pode comprar", salienta. Do ponto de vista do eleitor, não são poucos o que preferem confiar nos ricaços, por imaginarem que eles têm tanto que não vão precisar se apropriar do dinheiro público.








