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A presidente Dilma Rousseff disse em entrevista exibida pela GloboNews nesta sexta-feira (11) que seu governo será lembrado no futuro pelos investimentos em infraestrutura e por ter criado condições para que a economia do Brasil se torne mais competitiva.

"A característica principal desses quatro anos é o fato de que nunca se investiu tanto no Brasil em infraestrutura como investimos agora. O novo ciclo aposta na competitividade produtiva", disse Dilma à jornalista Renata Lo Prete no programa que entrevista os principais candidatos à Presidência da República.

Ainda segundo a presidente, seu governo deixa com marca "a criação das condições para se entrar em um novo ciclo", uma vez que o Brasil hoje já reduziu o número de pobres e tem "em torno de 75% da nossa população está entre as classes C, B e A".

Dilma também atacou o pessimismo na área econômica. Ela avaliou que a economia mundial passa atualmente por um período de recuperação gradual, após uma crise que afetou a maior parte dos países desenvolvidos e emergentes. "Eu acho terrível no Brasil que alguém possa supor que possamos ter um padrão de crescimento econômico como em outros momentos do país", afirmou.

Ela disse que o Brasil tem "todas as condições" de ter uma taxa de crescimento maior do que a dos últimos anos e observou que não considera provável uma queda nos atuais níveis de emprego.

Ela rebateu também as críticas de seus adversários ao subsídios de energia concedidos pelo governo federal. De acordo com ela, o Palácio do Planalto não fez nenhuma "intervenção nos contratos" e "não mudou as regras do jogo".

Elite branca

Dilma também falou sobre os xingamentos que sofreu na abertura da Copa do Mundo, em junho, no estádio Itaquerão, em São Paulo.Para a presidente, quem compareceu ao estádio foi "dominantemente uma elite branca".

Em junho, em encontro com blogueiros e ativistas de esquerda, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, havia dito que os xingamentos não partiram apenas da "elite branca". De acordo com ele, a avaliação de que a gestão petista é corrupta "pegou", percepção que, das classes alta e média, vem "gotejando" nas camadas mais pobres da população.

"O ministro Gilberto (Carvalho) disse que essa questão da chamada elite branca – que não fomos nós quem inventamos o nome –, tinha vazado para alguns segmentos. Essa é a opinião dele, eu acho que não há porque falar que é absurdo. Agora, quem compareceu aos estádios, não podemos deixar de considerar, foi dominantemente quem tinha poder aquisitivo para pagar o preço dos ingressos, dominantemente uma elite branca. Em alguns casos, devia ter 90%, em outros 80% ou 75%, mas era dominantemente elite branca", afirmou Dilma.

Na entrevista, a presidente atacou o "pessimismo" sobre a realização da Copa do Mundo. De acordo com ela, antes do torneio mundial, houve críticas de que o país não seria capaz de garantir a infraestrutura e a segurança para o evento esportivo.

"Nós passamos, desde o inicio do ano, escutando que o Brasil era incapaz de fazer uma Copa do Mundo, de garantir a infraestrutura e a segurança. E o que vimos é que o Brasil fez estádios, infraestrutura e construiu uma política federativa de segurança", disse.

A petista considerou que a derrota sofrida pelo Brasil pela Alemanha causou uma "dor imensa" tanto para a população como para os jogadores e voltou a defender reformas no futebol brasileiro. Ela criticou a saída de esportistas do país para atuar em times europeus, defendeu maior transparência nos gastos dos clubes brasileiros e pregou maior investimento nas formações de base.

"Não acho que é possível que, em um país com essa quantidade de talentos no futebol, craques saiam cedo deste país e não contribuam para criar uma cultura nova. Nós temos de fazer o que a Alemanha fez depois que perdeu a Eurocopa: uma reforma no futebol. Dar condições semelhantes aos técnicos brasileiros que as dadas em países europeus", disse.

Corrupção

A presidente ressaltou que nenhum partido "está acima de qualquer suspeita" na investigação de escândalos de corrupção, inclusive o PT. De acordo com ela, os casos de irregularidades no partido têm de ser apurados, assim como os ocorridos em outras legendas. Ela observou, contudo, que a corrupção no país já existia antes do PT chegar ao governo federal.

"É certo que nenhum partido está acima de qualquer suspeita. O PT compareceu com muitos avanços para a democracia no país. Agora, o PT também tem de apurar e não podemos compactuar com isso. O que serve para o PT tem de servir para todos os partidos. Mas não se pode considerar o PT como quem criou a corrupção no país", disse.

A petista se esquivou de comentar o julgamento do mensalão pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Ela ressaltou que, na condição de presidente, não poderia comentar decisões tomadas pelo Poder Judiciário.

No enfrentamento à corrupção, defendeu uma reforma política que reforce as instituições de combate às irregularidades no poder público. "Não é possível que haja uma situação que uma pessoa tem ficha limpa e a outra tem ficha suja e, apenas um dia de diferença, permita a ela também concorrer. Nós temos de mudar radicalmente as condições e as práticas eleitorais. O Brasil precisa fazer um plebiscito", disse.

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