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Dilma discursa logo após o anúncio de sua eleição: emoção no agradecimento a Lula e “mão estendida” à oposição | Celso Júnior/AE
Dilma discursa logo após o anúncio de sua eleição: emoção no agradecimento a Lula e “mão estendida” à oposição| Foto: Celso Júnior/AE

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Serra foi o mais votado no Paraná

O candidato derrotado à Presidência José Serra (PSDB) foi o mais votado no Paraná neste segundo turno. O desempenho positivo do tucano foi repetido nos outros dois estados do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No Paraná, Serra obteve 55,44% dos votos válidos, enquanto Dilma conquistou 44,56%. O tucano repetiu no estado um desempenho semelhante ao do primeiro turno, quando também venceu – 43,94% dos votos, contra 38,94% da candidata petista.

Apesar da vitória no Paraná, a votação de Serra não atingiu a meta estabelecida pelo comando tucano: 1,5 milhão de votos a mais que Dilma. O governador eleito do estado, Beto Richa (PSDB), se comprometeu a trabalhar para conquistar essa diferença de votos para Serra durante o almoço promovido pelos tucanos em Curitiba no início de outubro que reuniu lideranças do PSDB, como o presidente do partido, o senador Sérgio Guerra (PE).

O empenho e a popularidade de Richa no Paraná, porém, não conseguiram promover uma derrota esmagadora para Dilma no estado. Serra conquistou 673.130 votos a mais que a concorrente petista. Dos maiores colégios eleitorais do Paraná, a melhor votação do tucano foi em Londrina. Na cidade do Norte do estado, Serra obteve 75% dos votos (confira a votação dos candidatos à Presidência em cada município do estado na página 8).

De todos os estados brasileiros, o melhor desempenho de Serra – e consequentemente o pior de Dilma – foi no Acre. Com 97,59% das urnas do estado apuradas, o tucano aparecia com 69,70% dos votos até o início da noite de ontem e a candidata petista, com 30,30%. No primeiro turno, Serra também venceu no Acre (52,12%). O melhor desempenho de Dilma nas urnas foi no Amazonas. A petista aparecia com 80,39% dos votos, contra 19,61% do concorrente, quando 94,72% das urnas já estavam apuradas. No primeiro turno, Dilma também venceu no estado (62,62%).

Caroline Olinda

Dilma é a 1.ª mulher a ser eleita presidente do país

A continuidade venceu a alternância de poder. A petista Dilma Rousseff, "pupila" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi eleita ontem com 55,7 milhões de votos (56,05% dos votos válidos), batendo o tucano José Serra, que recebeu o apoio de 43,7 milhões de brasileiros (43,95% dos votos válidos). Com o resultado, ela se tornou a primeira mulher a ser eleita presidente da República.

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Beto e Dilma: como eles vão se relacionar

O Brasil elegeu Dilma Rous­seff (PT), mas a maioria dos paranaenses ficou com José Serra (PSDB). Soa estranho, mas não é novidade. Em 2006, Lula (PT) também foi derrotado por Geraldo Alckmin (PSDB) no estado. O fato novo é que, desde a vitória de Roberto Requião (PMDB) em 1990, o Paraná nunca foi governado por um opositor ao presidente.

Leia o texto na íntegra na coluna Conexão Brasília

  • Veja como ficou a disputa nos 26 estados e no Distrito Federal

Dilma Rousseff (PT) garantiu ontem, em seu primeiro discurso como presidente eleita, que será uma defensora da liberdade de imprensa, de culto religioso e da democracia. Agradeceu a honra de ser a primeira mulher eleita para o cargo. Disse que "estende a mão à oposição", afirmando que não haverá discriminação partidária em seu mandato. Também prometeu continuar o legado do presidente Lula na área social, reforçando o compromisso de erradicar a miséria até 2014, e garantindo a estabilidade econômica. A petista agradeceu ainda os apoios que recebeu, principalmente, de Lula. E classificou sua eleição como a missão mais importante de sua vida.

O discurso, de 28 minutos, foi feito em um hotel em Brasília, ao lado de líderes dos principais partidos que apoiaram a candidatura de Dilma. Porém, Lula, para não "ofuscar" a sucessora, não participou dos festejos públicos, apesar de ser o principal cabo eleitoral dela. Depois do pronunciamento, Dilma iria para uma festa no Palácio da Alvorada, da qual o presidente participaria.

Temas

A liberdade de imprensa foi o tema mais citado por Dilma. Ela fez questão de afirmar que é uma "amante da liberdade" e que "arriscou a própria vida" em nome da democracia e do direito de opinião. As frases são uma resposta da presidente eleita às críticas feitas a ela e a seu partido por defenderem mecanismos de controle social da mídia. "Vou zelar pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa e pela mais ampla liberdade religiosa e de culto. Vou zelar pelos direitos humanos e zelarei pela nossa Constituição, dever maior da Presidência da República."

Dilma também fez questão de afirmar que não fará retaliações aos partidos de oposição durante seu governo. "Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nessa caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios", afirmou.

Sobre o compromisso de erradicar a miséria, Dilma foi clara ao dizer que isso não dependerá "exclusivamente da boa vontade do governo". Afirmou que faz um chamado à nação, aos empresários, à imprensa e aos governos locais para que se somem ao seu esforço nesse sentido. "Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias nas ruas, enquanto reinarem o crack e as cracolândias", disse.

Sobre o fato de ter sido a primeira mulher eleita para a Presidência da República, Dilma afirmou que assume o compromisso de "honrar as mulheres". Até para que a escolha de representantes do sexo feminino para postos importantes "se torne natural" no futuro. Ela também disse que a igualdade entre os gêneros é fator fundamental para o avanço da democracia brasileira.

Agradecimento a Lula

O agradecimento mais emocionado da noite, no entanto, foi para o presidente Lula, mencionado por Dilma várias vezes como modelo de governante. A presidente eleita chegou a ficar com a voz embargada ao comentar sua convivência com Lula durante os oito anos de mandato que, segunda ela, foram fundamentais para que pudesse aprender com ele.

"Conviver durante todos esses anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu país e por sua gente. A alegria que eu sinto hoje pela minha vitória se mistura com a emoção da despedida dele. Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós."

Dilma afirmou ainda que recorrerá ao presidente Lula durante o seu mandato. "Baterei muito à sua porta. E tenho certeza e confiança de que estará sempre aberta. Sei que a distância de um cargo não significará nada para um homem de tamanha grandeza e generosidade", afirmou.

Nesse momento, parte dos militantes petistas que acompanhavam o pronunciamento puxou o coro "Olê olê olê, Lula, Lula". O grupo, bastante jovem, também iniciou as palmas para Dilma em pelo menos oito momentos de seu discurso.

Estabilidade

Sobre a economia, Dilma afirmou que terá ações no plano internacional. "É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas, limitando a especulação desmedida. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais neste sentido", afirmou.

No âmbito interno, disse que não aceitará aumento de inflação nem gastos públicos exagerados. "Cuidaremos de nossa economia com toda a responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável. Não aceita mais gastos acima do sustentável", disse, prometendo também uma simplificação da tributação.

Leia a íntegra do discurso de Dilma Rousseff

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