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Antonio Palocci e Dilma: ex-ministro da Fazenda de Lula pode voltar ao Planalto como o chefe da Casa Civil da petista | Fábio Rossi/O Globo
Antonio Palocci e Dilma: ex-ministro da Fazenda de Lula pode voltar ao Planalto como o chefe da Casa Civil da petista| Foto: Fábio Rossi/O Globo

Escândalos influenciaram a campanha

Agência O Globo

Cuidadosamente calculada pelo presidente Lula e executada com mão de ferro pelo PT, a blindagem da campanha de Dilma Rousseff à Presidência se mostrou frágil diante dos escândalos que atingiram nomes da confiança da candidata: o ex-prefeito de Belo Ho­­rizonte Fernando Pimentel e a ex-ministra Erenice Guerra. Lula e integrantes do Planalto já te­­miam a "maldição de setembro", numa referência a 2006, quando apareceram as denúncias sobre os "aloprados do PT", que levaram o presidente ao segundo turno contra o tucano Geraldo Alckmin. Mas, nesta campanha, os escândalos respingaram antes.

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A máquina de ganhar eleição

Rogerio Waldrigues Galindo

O lulismo, ou o petismo, con­­seguiu o que o PSDB sonhou e não atingiu: um projeto de longo prazo com base nas urnas.

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Ao mesmo tempo em que vive seu auge, com a eleição de Dilma Rousseff e a perspectiva de formar suas maiores bancadas históricas no Congresso, o Partido dos Tra­­balhadores tem à frente o desafio de equilibrar sua inédita força po­­lítica com as exigências da governabilidade, balizada pelo aliado PMDB. Dessa forma, bandeiras ideológicas do PT – do controle social da mídia à legalização do aborto – poderão ter de ficar restritas à mobilização social e partidária, poupando o futuro governo de desgastes. Para isso, o partido se prepara para exercitar sua musculatura, na era pós-Lula, pe­­lo Legislativo, sem "imposições programáticas".

Na opinião do vice-presidente do partido, Hum­­berto Costa (PE), o resultado das urnas é uma de­­monstração de que o PT já não vive mais à sombra de Lula e conseguiu amadurecer pa­­ra não ficar à sombra também da máquina ad­­ministrativa federal.

"O PT aprendeu com os erros e conseguiu separar o que é o papel do partido e o que é o papel do go­­verno", disse Costa às vésperas das eleições. "O partido também avançou muito no seu papel questionador, e acredito que esses avanços vão ajudar no futuro go­­verno Dilma. O PT vai ter uma função muito mais evoluída no próximo governo porque sabe hoje como deve atuar."

A presidente eleita já decretara que bandeiras históricas do partido serão assunto da sociedade civil organizada. Na campanha, repetia: "Movimento é movimento, sindicato é sindicato, e governo é governo." Na trincheira de governo, para auxiliar nessa separação, estarão Antonio Palocci, cotado para a Casa Civil, e o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, nome certo no primeiro escalão. Entre as batalhas que o PT tentará travar em paralelo estão a redução da jornada de trabalho, a descriminalização do aborto, a taxação de grandes fortunas e a audiência prévia à reintegração de terras invadidas.

Usada em tom de ameaça pela oposição, essa nova relevância programática do PT foi um trunfo pouco alardeado internamente, em parte para evitar temores so­­bre as "imposições" que o partido poderia fazer a Dilma. Em setembro, o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) sintetizou a petroleiros: "A eleição da Dilma é mais importante do que a do Lula, porque é a eleição do projeto político, porque a Dilma nos representa." Dirceu, forte articulador do PT, elegeu o filho Zeca na Câmara e aguarda apenas o julgamento do mensalão no STF para retomar uma vida política mais ativa.

Sua volta ao Executivo é impro­­vável, mas jamais foi descartada. O discurso de Dilma é igual ao dele: não existe pena de "banimento".

A disputa que ele mencionou, com o acirramento e escândalos da reta final de campanha, fortaleceu os aliados moderados.

"É Dilma quem dará o ritmo, o perfil e a coloração da prática política do governo. Não há temor (de excessos) do PT. Eles já têm a Pre­­sidência, uma vantagem imensa. Para o PMDB, é fundamental a boa convivência na coalizão, especialmente saindo de uma campanha tão violenta", explica Moreira Franco (PMDB), um dos coordenadores do programa de governo, que acabou ficando na gaveta.

Porém o documento final eliminou as propostas polêmicas do PT e serviu de "embrião" para "pe­­sos e balanços" entre os aliados.

A primeira grande prova de força do PT será a queda de braço com o PMDB pelas presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. Dela, sairão também as relações da "governabilidade" de Dil­­ma. Na Câmara, os "nomes naturais" são Cândido Vaccarezza (PT- SP) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

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