
A TV Sudoeste, de Pato Branco, realizou ontem o segundo debate da corrida eleitoral para o governo do estado em 2014. O grande destaque foi a ausência do governador Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição, que confirmou presença mas não apareceu. Sem o tucano, os adversários bateram pesado na gestão atual. Temas recentes como a crise penitenciária e a queda do Paraná no ranking do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) viraram munição na mão dos outros candidatos.
A direção da emissora disse, durante a tarde, que Richa havia confirmado sua presença no evento. Entretanto, ele não compareceu. Durante o debate, o mediador Ari Ignácio de Lima disse que lamentava a ausência do candidato e ressaltou que o debate estava marcado há 55 dias.
O coordenador da campanha, Eduardo Sciarra, enviou um comunicado para a emissora justificando a ausência do candidato. "Durante o atual processo eleitoral, o candidato Beto Richa já participou de 12 sabatinas, 2 debates e dezenas de entrevistas. Entretanto, o acúmulo de compromissos já assumidos anteriormente o impede de atender a mais este convite", disse.
Os adversários criticaram pesadamente a falta de Richa. "Essa ausência mostra o medo que ele tem de não falar sobre suas promessas não cumpridas, além de desrespeito com a região", declarou Gleisi Hoffmann (PT). "Estou muito triste pela fuga do governador. Queria vir aqui para discutir com o Richa a crise nas penitenciárias, o desabamento do Ideb", alfinetou Roberto Requião (PMDB).
Críticas
Os candidatos de oposição voltaram a fazer críticas à atual gestão. Gleisi atacou principalmente a política energética de Richa. "Ultimamente o que o governo faz é aumentar a tarifa [da Copel] e aumentar a distribuição de dividendos para os investidores, e aí falta dinheiro para investimentos", disse. Ela voltou a negar ter agido nos bastidores para bloquear empréstimos ao estado. "O governo não conseguiu fazer o empréstimo porque não cumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), gastou mais com pessoal do que podia, especialmente com cargos comissionados."
Já Requião foi questionado por Rodrigo Tomazini (PSTU) sobre a promessa do pedágio "baixa ou acaba", e aproveitou para bater na atual gestão. "Eu esperava resolver esse problema na minha administração, mas a Justiça é extraordinariamente lenta, e a paranaense não é diferente. Mas o atual governador suspendeu as ações", disse. Ele criticou também o gasto do atual governo com publicidade.
Os dois principais candidatos da oposição chegaram a fazer uma "dobradinha" no quarto bloco, quando Requião foi sorteado para perguntar para Gleisi. "A grande solução para o estado é a mudança do governo. Precisamos de um governo de verdade", declarou Requião. "Às vezes eu fico pensando se ele fez promessa demais para ganhar as eleições ou trabalhou de menos para não entregar os resultados", respondeu a petista.



