Adriana Villela, filha do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, encontrado morto a facadas em agosto do ano passado, pediu, ainda em dezembro de 2009, que a Polícia Civil investigasse o ex-porteiro Leonardo Alves. Na última quarta-feira (17), o ex-porteiro confessou ser o autor do assassinato do ex-ministro, da mulher dele, Maria Villela, e da emprega do casal, Francisca Villela. Ele disse que o objetivo era roubar o casal.

Adriana é acusada pela polícia e pelo Ministério Público de envolvimento na morte dos pais. A denúncia foi acatada pela Justiça e Adriana responde ao processo criminal antes mesmo de a polícia encerrar as investigações sobre o crime.

Nesta terça-feira (23), em novo depoimento, Alves teria mudado sua versão para o crime. Segundo o promotor que acompanha o caso, Maurício Miranda, Alves acusou Adriana de ser a mandante dos assassinatos.

Diante da nova acusação do MP, o advogado de Adriana, Rodrigo Alencastro, divulgou o depoimento prestado pela filha do casal no dia 18 de dezembro do ano passado. No depoimento, Adriana pediu à Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) que investigasse o ex-porteiro. Adriana disse à polícia que algum tempo antes dos assassinatos Alves tinha tido um desentendimento com a mãe dela.

Adriana afirmou no depoimento que o ex-porteiro teria entrado sem autorização no apartamento dos Villela quando o casal estava viajando e teria feito uma cópia da chave da casa. O motivo alegado teria sido seria consertar um vazamento.

Segundo Adriana, sua mãe teria trocado o segredo das chaves depois que o porteiro entrou no apartamento. A filha do ex-ministro ainda afirmou que a empregada da casa, que também foi assassinada, tinha desentendimentos constantes com o ex-porteiro devido à limpeza do prédio.

Para o advogado, é "irresponsabilidade do Ministério Público", divulgar o depoimento de Alves, que já teria dado diferentes versões para o caso.

"Eu não conheço esse novo depoimento, mas é irresponsabilidade do Ministério Público divulgar declarações de uma pessoa que já mudou várias vezes de versão. A própria Adriana pediu para a Corvida investigar o ex-porteiro, mas ninguém deu atenção. Na nossa opinião, a investigação está sendo prejudicada pela polícia, que fica tentando defender suas versões", disse Alencastro.

Nova versão

Segundo o promotor, a nova versão de Leonardo Alves, de que Adriana seria a mandante do crime, foi dada em depoimento prestado a ele e ao delegado da Corvida Julião Ribeiro.

O delegado afirmou que não vai se manifestar sobre o caso. Segundo o promotor, os detalhes que o ex-porteiro teria dado no dia em que confessou os assassinatos não correspondiam com as investigações.

"Quando eu via as primeiras afirmações dele sobre os detalhes do crime, vi que havia incoerências com os indícios encontrados. Eu acho difícil que ele [Alves] tenha estado no local do crime. Esteve nas proximidades. Ele disse agora que a Adriana é a mandante do crime, e que houve contatos telefônicos. Vamos pedir todas as quebras de sigilo", afirmou o promotor.

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