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Malhães prestou depoimento em março à Comissão Nacional da Verdade, em que relatava ter participado de prisões e torturas | Daniel Marenco/ Folhapress
Malhães prestou depoimento em março à Comissão Nacional da Verdade, em que relatava ter participado de prisões e torturas| Foto: Daniel Marenco/ Folhapress

Coronel que confessou tortura é achado morto

Malhães é ex-agente do Centro de Informações do Exército (CIE) e, em depoimento na Comissão da Verdade, assumiu o envolvimento em torturas, mortes e ocultação de corpos de vítimas da repressão. Foi a primeira vez que se confirmou as práticas de tortura na chamada Casa da Morte, em Petrópolis.

Em outra ocasião, Malhães admitiu ter recebido uma ordem de missão para ocultar o corpo do ex-deputado Rubens Paiva, que estava enterrado no Recreio dos Bandeirantes. A família de Paiva luta há 43 anos para descobrir o paradeiro do ex-deputado, morto em janeiro de 1971.

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A guia de sepultamento do coronel reformado Paulo Malhães, que morreu na última quinta, durante uma invasão de três homens a sua casa, em Nova Iguaçu (RJ), indica como causa da morte "edema pulmonar, isquemia do miocárdio, miocardiopatia hipertrófica, evolução de estado mórbido (doença)".

As causas podem indicar que a vítima teria infartado e não morrido por asfixia, como foi inicialmente informado pela polícia.Familiares de Malhães confirmaram que ele tinha problemas cardíacos.

Malhães, que morreu um mês depois de prestar depoimento à Comissão da Verdade, no qual admitiu ter torturado, matado e ocultado cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985), foi enterrado hoje, no cemitério de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

A cerimônia foi acompanhada por cerca de 30 pessoas, a maior parte familiares do militar, que tinha cinco filhos.

Na sexta-feira (25), a polícia afirmou que o militar reformado havia morrido asfixiado --seu corpo foi encontrado de bruços, no chão de um cômodo, com a cabeça afundada em um travesseiro. Segundo sua mulher, o casal e um caseiro teriam sido rendidos por três homens na tarde de quinta, em casa, e mantidos em cômodos separados.

Os criminosos levaram dois computadores, algumas joias, armas e R$ 700. A polícia suspeita que nos computadores pudesse haver nomes de outros militares que atuaram na repressão e não descartou nenhuma hipótese."Consideramos até latrocínio, uma vez que foram levados vários pertences da vítima. Também pode ser vingança pelo depoimento prestado na Comissão da Verdade. A investigação está apenas começando", afirmou o delegado Fabio Salvadoretti, responsável pelo caso, ontem.

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