Brasília - Ao lado de Dilma Rousseff, o presidente dos EUA, Barack Obama, discursou ontem no Palácio do Planalto e fez um aceno de que os norte-americanos poderão apoiar no futuro o pleito do governo brasileiro de conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas Obama não se comprometeu explicitamente em chancelar a presença do Brasil no órgão mais importante da ONU.
Obama disse que sua visita ao país é uma "oportunidade histórica" e afirmou que os EUA vão trabalhar junto com o Brasil para a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Mas não fez nenhuma menção a um possível apoio à reivindicação brasileira citada de forma clara pela presidente Dilma Rousseff minutos antes, em seu pronunciamento oficial.
Nos meios diplomáticos, a declaração de Obama foi interpretada como um gesto de boa-vontade do governo dos EUA ao Brasil. Seria um aceno de que, se a política externa brasileira mudar em relação a países como o Irã, como Dilma estaria indicando, a presença permanente do Brasil no conselho poderá ser apoiada pelos EUA.
Durante a manhã de ontem, chegou-se a especular que Obama faria um apoio mais explícito à reivindicação brasileira. Mas, nos bastidores, o comentário era de que os norte-americanos teriam ficado desapontados com a posição brasileira de se abster na votação de sanções militares à Líbia no Conselho de Segurança, no qual os brasileiros hoje ocupam uma cadeira temporária. Isso teria frustrado qualquer tentativa de um apoio formal de Obama ao pleito brasileiro.
Sem acaso
Obama, no discurso, agradeceu ainda à presidente Dilma pela recepção e disse que o fato de o Brasil ser sua primeira parada na visita à América Latina não é um acaso. Ele citou o "crescimento extraordinário" do Brasil, celebrou o fato de o país ter saído da ditadura para a democracia de forma estável e a ascenção social criada pela distribuição de renda.
Obama afirmou que os EUA apoiam o crescimento econômico do Brasil. E aproveitou para destacar a "oportunidade histórica" para colocar os dois países juntos na rota do crescimento. Mas fez uma pequena crítica à relação comercial entre as duas nações: disse que ainda "há muito a fazer" nessa área.
Cobranças comerciais
A presidente Dilma Rousseff reconheceu o esforço de Obama para recuperar a economia americana. Citou áreas estratégicas para o Brasil (como o pré-sal). E aproveitou para pressionar o presidente norte-americano para solucionar entraves comerciais em setores econômicos de interesse do Brasil. Dilma disse que é fundamental esclarecer algumas contradições dos EUA ao livre comércio, como as barreiras a produtos brasileiros como etanol, carne bovina, algodão, suco de laranja e aço.
Paralelamente à cobrança de Dilma, representantes dos dois governos assinaram ontem um acordo justamente para criar uma comissão bilateral que tem entre seus objetivos "reduzir as barreiras não tarifárias e os subsídios que distorcem o comércio. O acordo não significa, porém, a suspensão de subsídios dos americanos, um dos principais gargalos da relação comercial entre os dois países, mas estabelece um horizonte de discussões institucionais para garantir a liberalização do comércio bilateral. O Brasil tem hoje déficit na balança comercial com os EUA de quase US$ 8 bilhões.
A comissão, segundo o acordo, terá uma lista de temas a serem discutidos, como direito de propriedade intelectual, comércio, serviços, assuntos regulatórios que afetem o comércio e "facilitação e liberalização do comércio e dos investimentos bilaterais.
Democracias
Apesar das cobranças, o tom do discurso de Dilma foi de gentileza. A presidente agradeceu a visita de Obama. E lembrou que Brasil e EUA ergueram as maiores democracias das Américas, o que possibilitou a chegada ao poder de um negro e de uma mulher ao poder.







