Brasília - Grades, seguranças e uma distância de 300 metros isolaram as cerca de 350 pessoas que tentaram acompanhar a visita de Barack Obama ao Palácio do Planalto, em Brasília, ontem pela manhã. A maioria formada por famílias, turistas e curiosos ficou frustrada com o afastamento. A minoria de manifestantes contra a presença do norte-americano no Brasil também. Apenas pessoas selecionadas, dentre elas crianças, puderam chegar mais perto do norte-americano, dentro do palácio.
O acesso da população em geral ficou limitado a uma barreira ao lado do edifício do Supremo Tribunal Federal, do outro lado da Praça dos Três Poderes. "Pelo menos a praça tinha de ter ficado aberta. Eu, como brasileira, não sou obrigada a ficar longe de um espaço público por causa do presidente dos Estados Unidos", disse a servdiora pública Ana Beatriz Serpa, 25 anos, militante do PSTU.
Ontem, ela carregava uma faixa que criticava a possível ação militar dos Estados Unidos na Líbia. Quinze metros à esquerda, o líbio Abdalla Al Hamdy, 47 anos, exibia uma faixa de conteúdo oposto. "A demora dos Estados Unidos em ajudar na revolução é no fundo uma ajuda a Muamar Kadafi", afirmou o Al Hamdy, que também criticou o fato de a presidente Dilma Rousseff ter ficado em silêncio sobre a revolta no país africano.
Aos poucos, o manifestante e sua surrada bandeira da Líbia foram chamando a atenção de outros árabes, que começaram a se aglomerar em volta dele egípcios e marroquinos, com mulheres vestidas com burca. Ninguém queria protestar contra Obama. O objetivo era chamar a atenção ou só contemplar a passagem do presidente.
Entre os brasileiros, o funcionário público Raimundo Setúbal, 79 anos, foi o que chegou mais cedo às redondezas do Planalto. "Cheguei às 7h30 para não pegar a Esplanada fechada. Sei bem como a banda toca quando um figurão desses passa por aqui", contou. Setúbal deu outra aula de precaução ao levar um binóculo. Graças a isso, foi um dos poucos que conseguiram enxergar o norte-americano subindo a rampa do Planalto. "Moro em Brasília desde 1979 e sempre venho acompanhar a recepção dos grandes chefes de estado. As coisas mudaram muito. Nos bons tempos eu consegui até dar um tchauzinho para o Ronald Reagan e apertar a mão do François Miterrand", lembrou.







