A Polícia Federal indiciou o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato em nove crimes cometidos quando o executivo fugiu do Brasil para a Itália. Os indiciamentos são referentes ao uso de documentos falsos, em nome do seu irmão Celso Pizzolato, falecido em abril de 1978. Os crimes são falsidade ideológica, uso de documento falso. A pena para esses crimes pode variar de um a cinco anos de reclusão.

Pizzolato chegou a tirar até título de eleitor em nome do irmão morto, RG e CPF, requereu passaportes brasileiro e italiano. Ele chegou a votar com esse título falso. O ex-diretor do BB foi condenado por envolvimento no esquema do mensalão a 12 anos e 7 meses de prisão. No entanto, ele fugiu para a Itália no segundo semestre do ano passado, quando o Supremo rejeitou recursos dos condenados no mensalão. Em fevereiro deste ano, ele foi descoberto pela polícia italiana e levado para prisão de Módena. No entanto, nesta semana, a justiça italiana negou ao Brasil a extradição de Pizzolato e ele foi solto na tarde da última terça-feira.

Pizzolato, condenado no processo do mensalão, fugiu para a Itália em setembro do ano passado. Na terça-feira (28), a Justiça daquele país negou o pedido de extradição feito pelo Estado brasileiro.Em novembro de 2007, em Santa Catarina, Pizzolato deu entrada para tirar uma carteira de identidade em nome de seu irmão, Celso, morto deste 1978.

A partir de então, ele obteve CPF, passaporte e inscrição eleitoral, sempre passando-se pelo irmão falecido. Nas eleições de 2008, Pizzolato conseguiu, inclusive, votar no Rio de Janeiro, como se fosse Celso Pizzolato.

Segundo o delegado responsável pela investigação, iniciada em Santa Catarina, Caio Pellini, uma fragilidade no sistema permite a alguém que já tenha RG e CPF retirar documentos em nomes de outra pessoa. "O RG dele era de São Paulo. Ele retirou segundas vias em nome do irmão em outros estados (Santa Catarina e Rio de Janeiro). No Brasil, o sistema não permite confrontação dessas informações interestaduais online", justifica Pellini.A polícia identificou, no entanto, que Pizzolato fornecia seu endereço verdadeiro do Rio de Janeiro para receber alguns dos documentos requeridos.

Em 2008, deixou mais um rastro: com a identificação de Celso, solicitou autorização para votar na Zona Eleitoral onde estava inscrito seu próprio título.Dessa vez, Pizzolato está sendo acusado de cometer noves crimes. Cada um deles prevê pena de um a nove anos de prisão. A Procuradoria-geral da República deverá apresentar denúncia contra o ex-diretor do Banco do Brasil nos próximos dias.Mesmo que condenado, porém, Pizzolato só será preso caso retorne ao Brasil.

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