
A admissão dos embargos infringentes pode levar o processo do mensalão a se prolongar indefinidamente sem um desfecho. Se o recurso for considerado cabível, 12 condenados que tiveram até quatro votos de ministros do STF pela absolvição (7 a 4 ou 6 a 5) estariam aptos a pedir um novo julgamento. E se eles fossem condenados novamente com ao menos quatro votos pela absolvição, poderiam requerer ser julgados por uma terceira vez e assim subsequentemente.
"Esse processo anda dando voltas", reclamou o ministro Gilmar Mendes. Segundo ele, a lógica dos embargos infringentes definida no julgamento do mensalão também poderá ser aplicada em outros processos, além de atingir a credibilidade do STF. "O tamanho da incongruência [da aceitação dos embargos] é o tamanho do mundo neste caso."
Na quarta-feira, outro ministro que votou contra os infringentes, Luiz Fux, citou que a continuidade da análise do mensalão teria reflexos na análise de outros processos criminais e ampliaria a sobrecarga dos ministros. Ao todo, o julgamento do mensalão (sem contar a análise dos recursos) foi o único assunto de 53 sessões do STF, entre 2 de agosto e 17 de dezembro do ano passado.
Para o ministro Marco Aurélio Mello, o término da ação deve demorar pelo menos mais cinco meses. Já a procuradora-geral interina da República, Helenita Acioli, previu um prolongamento "por anos a fio". Outro risco avaliado por especialistas seria a prescrição de penas, principalmente dos condenados por formação de quadrilha.



