Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
corrida eleitoral

Serra inicia campanha partindo para o ataque contra Dilma

Em Curitiba, tucano diz que a petista “não sabe por que quer ser presidente” e que o PT tem “várias caras”. Ele ainda insinua ter algo a revelar sobre Osmar Dias

Beto e Serra: para onde o PSDB vai? | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
Beto e Serra: para onde o PSDB vai? (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)

Em sua passagem por Curitiba, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez críticas à adversária nas urnas Dilma Rousseff (PT). E deixou no ar a possibilidade de revelar algo a mais por trás do acordo que resultou na aliança do candidato ao governo paranaense Osmar Dias (PDT) com o PT e o PMDB – aliança que acabou inviabilizando a candidatura do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) à Vice-Presidência na chapa tucana. Em vários momentos do seu primeiro dia de campanha, Serra fez críticas à adversária Dilma Rousseff, dando o tom que deve adotar até a eleição, em 3 de outubro. "O que realmente parece é que a candidata Dilma não sabe por que quer ser presidente", disse. E completou: "Está chegando ao exagero em matéria de omissão, de não comparação", disse, se referindo ao fato de Dilma estar evitando participar de debates.

O tucano também fez críticas ao plano de governo apresentado por Dilma. "O que foi encaminhado é a alma daquilo que o PT quer. O segundo [plano de governo apresentado pelo PT à Justiça eleitoral e que substituiu um primeiro texto considerado mais polêmico] é um remendo mal feito. Tirando questões polêmicas que, na verdade, eles defendem. Como por exemplo, facilitar a invasão de terras e controlar a imprensa. Eu não diria nem que são duas caras. São várias caras."

Serra ainda defendeu o plano que ele entregou ao Tribunal Superior Eleitoral. O material consiste apenas de dois discursos feitos pelo candidato em abril e junho deste ano. "Eu apresentei todas as diretrizes minuciosamente descritas. Estão lá [nos discursos] todas as diretrizes. O detalhamento a gente vai fazer ao longo dos meses."

O presidenciável ainda comentou a desistência de ter Alvaro Dias como seu vice. "Num primeiro momento, foi a minha escolha [Alvaro como vice]. Mas isso pressupunha um arranjo político que foi desfeito não por nossa vontade. Eu não vou aqui entrar nas razões disso porque não é o momento de falar nisso. Ao longo do tempo, essas coisas serão conhecidas", afirmou Serra, insinuando a possibilidade de revelar os bastidores da negociação que Osmar vinha mantendo com o PSDB.

Na semana passada, tucanos e aliados culparam Osmar Dias pela retirada da indicação de Alvaro para vice de Serra. Como Osmar decidiu se candidatar ao governo do estado em uma coligação com o PT e o PMDB (dando palanque a Dilma no Paraná), o nome do senador tucano perdeu força. O principal argumento para Alvaro ser vice era justamente que ele conseguiria impedir esse palanque para Dilma, já que ele e Osmar sempre disseram ter um acordo de irmãos de não estarem em lados opostos nas disputas eleitorais. Diante da fragilidade desse argumento, o DEM, aliado tucano, conseguiu impor um democrata para a vaga de vice de Serra, o deputado federal carioca Índio da Costa.

Ontem, Serra negou que sua visita a Curitiba tenha sido uma maneira de corrigir qualquer mal-estar que tenha ficado por causa desse episódio. "Eu já viria [para Curitiba] de qualquer maneira. Curitiba é uma média nacional. Quando alguém quer fazer um lançamento de um produto, saber o que está acontecendo, vem até Curitiba", disse.

Alvaro, porém, não esteve na visita de Serra. Segundo ele, o senador teria "tirado uns dias para descansar". Mas, na verdade, Alvaro estava em Brasília, no Senado. Brigado com parte do comando do PSDB do estado, o senador não compareceu nem mesmo à convenção do partido, que referendou Richa como candidato ao governo. No ano passado, Alvaro disputou com o ex-prefeito de Curitiba a indicação do partido para entrar na disputa pelo Palácio Iguaçu.

O presidenciável tucano escolheu Curitiba como o primeiro destino oficial da sua campanha eleitoral. "Eu, no Paraná, me sinto em casa. Portanto, resolvemos fazer a abertura na minha casa", disse Serra para justificar a escolha. Sempre acompanhado de Beto Richa e pelos candidatos ao Senado Gustavo Fruet (PSDB) e Ricardo Barros (PP), Serra iniciou o seu roteiro pela capital paranaense com uma caminhada pelo calçadão da Rua XV, que atraiu centenas de pessoas. Na Boca Maldita, Serra discursou em cima de uma pequena escada e com um megafone. Do centro da cidade, o candidato seguiu ao bairro Parolin para conhecer projetos sociais implantados no local. De lá, seguiu para a sede social do Paraná Clube para um evento ligado à área de assistência social promovido por um comitê ligado à campanha tucana. Depois, visitou a Pastoral da Criança e seguiu para uma visita de cortesia ao governador Orlando Pessuti (PMDB).

Desorganização

O primeiro dia da campanha de Serra foi marcado pela desorganização e por contestações sobre o material de campanha. Um carro de som foi improvisado com uma bicicleta e uma caixa acústica. Não houve distribuição de panfletos ou santinhos, mas havia bandeiras com nomes e números de Serra e Richa. A advogada Carla Karpstein, da coligação de Osmar Dias, diz que o PSDB cometeu irregularidade. Segundo ela, só é possível produzir material de campanha depois que a Justiça Eleitoral fornece um CNPJ para a campanha, o que não aconteceu ainda. Isso configuraria propaganda irregular.

Ivan Bonilha, advogado da campanha de Richa, afirma que não houve qualquer irregularidade. Diz que todas as bandeirinhas têm CNPJ impresso e que o gasto constará da prestação de contas dos candidatos. "Seria um contrassenso a lei permitir campanha no dia 6 de junho e não permitir gastos", disse. Segundo ele, o CNPJ nas peças de campanha é de quem fez a despesa. "É possível, por exemplo, o partido pôr o seu CNPJ e depois fazer uma doação para a campanha", disse.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.