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Curitiba

Sob pressão popular, CPI sai e Derosso será investigado

Com a oposição perto de conseguir as assinaturas necessárias, aliados do presidente da Câmara decidem referendar a investigação

  • Chico Marés
Derosso: vereadores se beneficiam com propaganda paga pela Câmara. |
Derosso: vereadores se beneficiam com propaganda paga pela Câmara.
 
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Diante da pressão popular, todos os partidos com vereadores na Câmara de Curitiba decidiram ontem aceitar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o presidente da Casa, João Cláudio Derosso (PSDB). A CPI havia sido proposta pela oposição na terça-feira passada, e ontem no começo do dia faltavam apenas quatro assinaturas para que a CPI fosse instalada (é necessária a adesão de 13 dos 38 vereadores para que a comissão seja criada).

Derosso agora será investigado pelas suspeitas de favorecer sua esposa em uma licitação de publicidade da Casa, de contratar irregularmente funcionários da Assembleia e de contratar sua cunhada para um cargo de comissão, o que caracteriza nepotismo.

Lideranças partidárias

A decisão de assinar a CPI foi tomada em conjunto por todos os líderes de partidos, que se reuniram durante a sessão de ontem e deliberaram a favor da investigação. Até o fechamento desta edição, 34 vereadores haviam assinado o pedido. Apenas quatro, que não estavam presentes na sessão, não aderiram: Sabino Picolo (DEM), Francisco Garcez (PSDB), João do Suco (PSDB) e o próprio Derosso. Picolo, porém, disse que assinará hoje, João do Suco está em viagem oficial para a Espanha e Garcez e Derosso não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

As assinaturas deverão ser entregues oficialmente à Mesa Executiva hoje, antes do início da sessão. Confirmado o recebimento, inicia-se a tramitação do processo para criar a comissão. Segundo o vereador Algaci Túlio (PMDB), autor do requerimento, haverá ainda um prazo para que os partidos indiquem seus representantes e, por causa disso, ainda deve demorar um pouco para que a CPI seja instalada efetivamente – até dez dias. Ao todo, serão nove membros na comissão. A divisão dos integrantes será proporcional às bancadas na Câmara – o que tende a garantir à base de apoio de Derosso o comando da CPI.

Fato consumado

Para Algaci Túlio, a pressão popular foi importante para que isso acontecesse. “Todos eles [os vereadores da situação] sofreram pressão de seus eleitores e, quando viram que teríamos as 13 assinaturas, decidiram assinar também. Mas isso é bom para Casa, mostra que temos interesse em fiscalizar o poder público”, disse o vereador do PMDB.

Apesar de a adesão governista ter adiantado o processo, a instalação da CPI já era tida como uma questão de tempo na Câmara desde o início da sessão de ontem. A vereadora Dona Lourdes, do PSB, partido do prefeito Luciano Ducci, surpreendeu o resto da base aliada ao assinar o documento, fazendo com que as assinaturas chegassem a dez – as bancadas do PMDB, PT, PV e PPS também já haviam assinado. Segundo a vereadora, a decisão por assinar a CPI partiu da pressão da sociedade. “Dei uma resposta aos meus eleitores. Acho que eu fiz a coisa certa para a minha vida.”

Com isso, faltavam apenas três assinaturas para serem coletadas. Líder do PDT na Câmara, o vereador Tito Zeglin já dizia publicamente que a bancada do partido (que tem três representantes na Casa) tinha decidido assinar a CPI, mas que aguardava uma reunião com o diretório estadual do partido, amanhã, para decidir a questão. A principal liderança do PDT no estado, o vice-presidente de agronegócio do Banco do Brasil, Osmar Dias, disse em entrevista à Gazeta do Povo que a bancada deveria assinar a CPI.

Apesar de o clima ter sido de que a base aliada só assinou a CPI ao perceber que não havia mais nada a fazer, o vereador Serginho do Posto (PSDB), líder em exercício da prefeitura na Câmara, disse que a decisão já havia sido tomada pela bancada antes da sessão. “A decisão foi tomada pela bancada, em reunião hoje [ontem] pela manhã”, disse o tucano. A reunião não contou com a presença de Derosso. Serginho negou também que tenha havido “proteção” ao presidente da Casa antes de que essa decisão fosse tomada. “Em momento algum o presidente Derosso pediu à bancada que houvesse qualquer tipo de omissão”.

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