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Alan Ghani

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Eleições

O que a eleição de Trump em 2024 pode ensinar para Flávio Bolsonaro em 2026

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência da República. (Foto: Antônio Lacerda/EFE)

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A eleição de Donald Trump, em 2024, traz um grande aprendizado para o senador Flávio Bolsonaro nos temas a serem explorados para a sua campanha. Trump focou muito na imigração ilegal e na percepção de piora da economia, principalmente a inflação, pelo eleitor americano. Aqui no Brasil, Flávio Bolsonaro poderia seguir os passos de Trump, trocando imigração ilegal por segurança pública e também focar na economia.

Nos EUA, a média da taxa de desemprego durante o governo Biden foi de 4,1%, com pico mínimo de 3,5%. Mesmo tecnicamente em quase pleno emprego, havia uma insatisfação geral com a economia. O motivo para a reclamação era principalmente relacionado à elevação do custo de vida, após inflação acumulada de 21,13% durante o governo Biden (média de 4,91%). Mais emprego com mais inflação não é uma combinação que costuma agradar muito a população, uma vez que os salários por vezes não acompanham os aumentos de preços, e a pessoa tem que trabalhar mais para manter o mesmo poder de compra. Trump captou muito bem esta insatisfação. Tanto é que um dos slogans de sua campanha era: sua vida hoje está melhor do que quatro anos atrás?

A situação no Brasil não é diferente. Hoje, a taxa de desemprego é historicamente baixa (5,8%), e a inflação acumulada em 12 meses está próxima de 4,5%. Embora estejamos longe de um descontrole inflacionário, a sensação é de que tudo ficou mais caro e que é muito difícil fechar as contas no final do mês. Talvez, porque, desde a pandemia, a inflação cresceu 39,15%, e o aumento de renda de muitos brasileiros não acompanhou a alta dos preços.

O senador precisa pegar votos do povão, do eleitor de centro e das pessoas menos ideológicas e convencê-las de que sua vida poderá melhorar

A elevação do custo de vida trouxe outros problemas para a população: o alto endividamento e o aumento da inadimplência. Muitos brasileiros recorrem a dívidas não para comprarem um carro ou um eletrodoméstico, mas para fechar as contas do dia a dia. Hoje, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC, há 81% de famílias com algum tipo de dívida e, segundo o Serasa, há 81,7 milhões de brasileiros inadimplentes. 

Somados a esses fatores, a percepção de um governo taxador também tem aumentado a insatisfação. Por mais que tenha havido a isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas que ganham até R$5 mil, houve uma série de aumentos tributários desde o início do Lula. De acordo com levantamento feito pela Gazeta do Povo, o governo já editou 43 medidas para aumentar a arrecadação, o que equivale a uma nova iniciativa a cada 27 dias. Não à toa, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ganhou o apelido de "taxad".

Os efeitos da elevação do custo de vida, das dívidas e dos impostos são mais sentidos pela classe média — da baixa à alta —, que não conta com auxílios governamentais para fechar as contas no dia a dia. Pelo contrário, sente-se cada vez mais sufocada pela tributação e pelo imposto inflacionário.

Flávio Bolsonaro poderia explorar essa insatisfação com a economia, além da crise de segurança pública, como temas de sua campanha. Inflação, custo de dívida elevado, criminalidade, altos impostos são assuntos que afetam concretamente a vida diária dos brasileiros.

Tem muito mais efeito eleitoral do que falar em censura, alinhamento geopolítico, etc. Não que esses temas não sejam importantes, pelo contrário, mas quem vota em Flávio Bolsonaro já está mais do que convencido disso. O senador precisa pegar votos do povão, do eleitor de centro e das pessoas menos ideológicas e convencê-las de que, com um governo mais à direita, sua vida poderá melhorar.

Que tal começar com o slogan: sua vida está melhor do que quatro anos atrás?

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