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O Estadão e a CNN divulgaram uma descoberta: Moraes não ficou apenas naqueles auditores fiscais com tornozeleira, sem passaporte, com sigilo quebrado e impedidos de entrar na repartição. Ele atingiu também mais um auditor e três funcionários da Receita, entre eles um vigilante, supostamente ligado a um dos auditores daquela primeira ofensiva. A Polícia Federal colocou tornozeleira eletrônica também no vigilante. Não sei se ele tem passaporte, mas tem direito de ter. Se tiver, não vai poder ir para a Disney agora. É, continua, continua.
Foi o estímulo após sete anos de hibernação da mídia, que tem entre seus deveres informar os fatos e denunciar os erros, não é?
Dionísio Cerqueira
A propósito, a Polícia Federal realizou ontem uma operação de busca e apreensão em Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina — nome, aliás, do autor do melhor livro sobre a Guerra do Paraguai, da qual ele participou. Lá em Dionísio Cerqueira, um sujeito teria desviado R$ 1 milhão da Caixa Econômica Federal. A notícia, segundo a agência oficial, diz que foi apreendido um carro de luxo dele. Ora, com R$ 1 milhão não dá para comprar um carro de luxo. Um modelo da Mercedes, por exemplo, o Maybach, custa no mínimo R$ 5 milhões. Um Rolls-Royce também — mesmo o mais básico — passa de R$ 5 milhões. Talvez um Bentley custe um pouco menos. Ou será que já não sabemos mais o que é carro de luxo? Um esportivo também é caríssimo: uma Ferrari, uma Maserati — esses carros italianos são absurdamente caros.
Mas, enfim, o sujeito desviou R$ 1 milhão. E sabe por que estou dizendo isso? Porque vivemos num país onde há quem desvie bilhões. Roubaram R$ 6 bilhões dos aposentados e pensionistas. Você tem ideia do que são R$ 6 bilhões? Eu explico: é quase quatro vezes o total do fundo partidário do ano passado — dinheiro que vocês pagaram, que nós pagamos. O PL foi o partido que mais recebeu, graças a Bolsonaro: R$ 192 milhões dos nossos impostos. O segundo foi o PT, com R$ 140 milhões, como publicou a Gazeta do Povo. O que menos recebeu, o Partido Verde, ainda assim levou quase R$ 12 milhões — o que dá cerca de R$ 1 milhão por mês para as despesas do partido.
Sempre achei, e continuo achando, que quem deve sustentar um partido político é o seu filiado. Quem gosta do partido é quem deve sustentá-lo. É uma associação de ideias. Quem compartilha dessas ideias e quer ver o partido no poder que o financie — não os impostos de todo mundo. O meu imposto está indo para um partido que eu não queria ver no governo. Isso é um desrespeito à vontade do cidadão, do pagador de impostos.
Maioridade penal
Tenho falado aqui sobre a redução da idade mínima, que está prevista na PEC da Segurança. Mendonça Filho, também conhecido como Mendoncinha, lá de Pernambuco, é o relator — um excelente parlamentar. O PT está reconhecendo, segundo o próprio líder do partido, que o melhor é empurrar com a barriga, porque, se votar agora, vai perder e, segundo eles, “vai prejudicar os meninos e meninas”. Mas que meninos e meninas? Assaltantes, homicidas, agressores? A partir dos 16 anos ainda são meninos e meninas?
Eu, com 16 ou 17 anos, chamava-os de rapazes e moças. Não vou usar o termo “rapariga”, como em Portugal, porque no Nordeste isso tem outra conotação. Mas, convenhamos: com 16 anos já se pode votar, escolher presidente e governador — qual é o problema, então? O PT reconhece que a maioria do povo brasileiro quer reduzir a idade penal para 16 anos. A Argentina está reduzindo para 14; a Suécia, para 13 (antes era 16). E aqui no Brasil, durante o Império e depois dele, já foi 14 por muito tempo.

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



