
Vocês notaram que as guerras modernas são cirúrgicas? Vocês não viveram isso; eu vivi e me lembro, criança, da destruição completa de cidades. Os alemães primeiro arrasaram Coventry, na Inglaterra, com bombardeio maciço; a resposta dos Aliados foi bombardear Dresden, e não deixaram pedra sobre pedra. Hoje não é assim; os ataques são cirúrgicos. Ataca-se para matar os chefes, o alto comando, os cientistas que estão construindo a bomba atômica, os que comandam a guerra, e os líderes do país. Usam aqueles mísseis penetrantes que perfuram a casamata subterrânea, atravessam o concreto, o aço, seja lá o que for, até chegar ao alvo.
Foi morto, no Irã, o aiatolá Khamenei, e agora ficamos sabendo que seu filho, que o sucedeu, estava por perto. Não morreu, mas diz-se que perdeu uma perna e ficou com o rosto desfigurado. Ele não apareceu mais depois disso. Por outro lado, os iranianos disseram ter atingido Benjamin Netanyahu; em seguida, ele se mostrou tomando café, provavelmente com algum jornal por perto para mostrar que não era uma imagem antiga, e que estava intacto.
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Essa guerra moderna é o oposto do terrorismo que mata inocentes para aterrorizar. Eu também vivi isso. Cobri guerras no Oriente Médio e em Angola; cobri o terrorismo na Argentina, quando metralhavam pontos de ônibus. Puseram uma bomba num café embaixo do meu escritório na Calle Florida, ela explodiu e matou todo mundo. Os bombeiros foram chamados para limpar a rua, de tanto sangue que corria pela sarjeta. Fizeram isso para a população ficar intimidada e obedecer aos terroristas. Esse é o outro lado, o lado muito mais cruel de uma guerra.
Denúncia da PGR mostra elos do Comando Vermelho com Legislativo e Judiciário no Rio
Falando em terrorismo, está chegando ao Supremo uma denúncia da Procuradoria-Geral da República que dá razão ao governo norte-americano sobre as organizações criminosas brasileiras. Os Estados Unidos querem equiparar as facções ao terrorismo. Nós não fazemos equiparação por aqui também? Fala-se em “crime análogo”, o próprio STF considerou a homofobia equivalente ao crime de racismo... Pois o governo norte-americano quer dizer que a organização criminosa que trabalha com narcotráfico faz terror porque destrói os países. Os narcóticos destroem a força nacional principal, que é a própria nação, a população. Destrói a família, destrói as pessoas, destrói as gerações mais jovens. A denúncia da PGR trata de relações com o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro; envolve um desembargador – Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região –; o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, deputado Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado Thiego Raimundo Oliveira Santos, conhecido como TH Joias.
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Justiça impede uso de patrimônio do Distrito Federal para cobrir rombo do BRB
O governador do Distrito Federal está cada vez mais enrolado no caso Master. Agora está envolvendo judicialmente, porque a 2.ª Vara da Fazenda Pública aqui do Distrito Federal vetou o uso de bens do patrimônio do Distrito Federal – incluindo empresas públicas como a Companhia de Águas e Saneamento e a Terracap, que administra o território do Distrito Federal – como garantia para o BRB, o banco estatal do Distrito Federal, cobrir o rombo que teve com o Banco Master. O governador já havia até sancionado a lei. Além de derrubar a lei, o juiz enviou tudo para o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. Vai ser difícil o governador explicar essa.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



