
Primeiro assunto é que está todo mundo esperando, suponho que, no mínimo, metade do Brasil. Esse julgamento de terça-feira (15) é mais importante que final de Copa do Mundo. Final de Copa do Mundo não faz a menor diferença na nossa vida. Esse julgamento faz, né?
E não adianta dizer que Lula tá separado disso. Lula inclusive disse, na semana passada, que “Andrei é um companheiro". Andrei, que é o diretor da Polícia Federal, que havia sido afastado do cargo por André Mendonça, e retornou por ordem de Dino, que, por sua vez, foi ministro da Justiça de Lula. Diretor da Polícia Federal não devia ter preferência política, mas é um companheiro de Lula, né?
Adiar julgamento não fará diferença
Enfim, tem gente que quer adiar, não vai fazer a menor diferença. Se ficar, o bicho come, se correr, o bicho pega. Se adiar, o mal vai se derramando até o dia 4 de outubro (data do primeiro turno das eleições).
Se fizer o afastamento do ministro Alexandre de Moraes na terça-feira (15), o mal vai ser exposto. E não tem só Moraes, tem o ministro Dias Toffoli, tem o procurador-geral da República, Paulo Gonet, gente citada lá no celular de Daniel Vorcaro.
Querem ver os outros celulares, mas isso fica para depois. Nesta terça-feira, é só a abertura de um inquérito administrativo: o que está em jogo é o afastamento de Moraes. Depois vai apurar tudo, quem tiver junto com Moraes nessa: com Vorcaro, Gonet, o Toffoli. Essas coisas que a gente já sabe e já viu vão entrar também.
O Supremo, constitucionalmente, é a casa própria para julgar seus próprios ministros ou o procurador-geral por crimes comuns como corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, tráfico de influência, essas questões.
Fachin já engendrou falhas para anular a Lava Jato
Então, a expectativa é essa. Fachin é o mesmo que engendrou uma falha na Lava Jato: “não, ora, houve um engano, não era o tribunal de Curitiba, não era a vara de Curitiba, era uma vara de Brasília e uma vara de São Paulo, se enganaram no endereço”.
Gente, todo mundo sabe que se uma ação já terminou com condenação, com confirmação em tribunais superiores, acabou. Isso só acontece quando a ação recém começou, tá nos primórdios, aí se corrige, passa para outra vara, mas depois que termina o processo, não tem isso.
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Supremo se tornou tribunal parcial, político
Então, ficou muito claro. Esse é o mesmo Fachin que está agora tentando reverter uma tentativa de suicídio do Supremo. Por quê? Porque o Supremo, Supremo de Barroso e de Gilmar, quis ser um tribunal político e está pagando por isso.
No momento em que se tornou tribunal político, perdeu a isenção, a imparcialidade, e um tribunal não pode ser parcial, pois ele deixa de existir. Isso é um germe que acaba com o tribunal, a falta de imparcialidade, de isenção, ele se torna político. Político é o Congresso e, por isso, o Congresso sofre de todos os lados.
O Supremo deveria ficar como defensor da Constituição e não sofreria nada, mas é um tribunal político e tem as fragilidades de um tribunal político. Passou a não ser mais imune à crítica. Tentou ser, inventou o inquérito do fim do mundo para se defender.
Dino procura chifre na cabeça de Dark Horse
Bom, Dino está procurando chifre na cabeça do Dark Horse. E está querendo mostrar que Mário Frias pode ter ligação com o crime organizado. Gente, essa é a pior das condenações, porque basta isso para provocar manchetes nos jornais e depois se constata que não era. E aí, como é que fica? Todos os lados sofrem isso por aqui, né? Gera manchete.
E mostrar os celulares que ainda não estão sob o escrutínio de um juiz do Supremo vai avisar os alvos de uma necessária, futura busca e apreensão: “olha, tratem de apagar o que tiver por aí, de sumir com as provas.”
Bom, e a outra questão é que amanhã tem que ser público, né? Porque os nativos estão inquietos, os patrões dos ministros do Supremo, o povo brasileiro, querem saber afinal se no topo da Justiça vai ser corrigido o descarrilamento.
Lula só diz obviedades
O presidente está preocupado, mas tudo que ele fez foi dar uma de conselheiro Acácio, que só diz obviedades. Ele diz: “se alguém for culpado, tem que ser punido.” Ah, é? Que novidade!
Mas ele não deu um pio quando a Malu Gaspar denunciou, em dezembro, a existência do contrato de Vorcaro com a família de Moraes. No entanto, ele jurou, ao tomar posse, cumprir a Constituição que exige reputação ilibada de ministro do Supremo.

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



