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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Derrota inédita

A matemática de Alcolumbre funcionou, e o Senado recusou Messias no STF

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Davi Alcolumbre, presidente do Senado, durante análise do veto de Lula à Lei da Dosimetria. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

“Eu acho que vai perder por oito”, disse o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, para o líder do governo, Jaques Wagner, antes da votação. 42 menos 34 dá oito. Foi 42 a 34, e Alcolumbre sabia exatamente quem ia votar e como. E Jorge Messias foi rejeitado depois de esperar cinco meses desde a indicação de Lula. Lula perdeu, o governo perdeu. Para comparar, dos que estão atualmente no Supremo, o mais votado foi Luiz Fux, que passou por 68 votos a 2. A votação mais apertada foi a de André Mendonça, aprovado por 47 a 32. Tivemos quatro ausências. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) e Cid Gomes (PSB-CE) estavam fora de Brasília. Mas o que eu não entendi foram as ausências do Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e de Wilder Morais (PL-GO), que estavam no Congresso e não votaram.

Articulação política, aborto e censura pesaram contra Messias

Não se tratou de avaliar o notável saber jurídico de Messias; foi uma votação política. Mas o fato é que o governo perdeu, e Messias caiu também por causa daquele parecer sobre o aborto, e pela censura promovida por aquele órgão que ele criou dentro da AGU para fiscalizar redes sociais. A Constituição garante, no artigo 220, a livre manifestação do pensamento e das notícias.

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O Conselho Federal de Medicina, aliás, ao ver toda essa mobilização contra Messias por causa do parecer que resultou na suspensão da proibição da assistolia fetal, foi ao Supremo pedindo que a corte decida isso de uma vez. A resolução do CFM está suspensa desde 2024 por uma liminar de Alexandre de Moraes, que ainda não foi submetida ao plenário. Já está na hora, porque já se passaram dois anos. Quantos bebês morreram nesse período, pelo método da assistolia fetal?

Depois de perder com Messias, Lula perdeu na análise do veto à dosimetria

A derrota do governo se repetiu na quinta-feira, quando o Congresso derrubou o veto do presidente, por uma votação ainda maior que aquela que aprovou a Lei da Dosimetria, vetada por Lula. Eram necessários 257 votos de deputados para derrubar o veto, e foram 318 – na aprovação da lei haviam sido 297. No Senado, eram necessários 41 votos para derrubar o veto, e foram 49; na votação que aprovou a lei foram 47. O Congresso falou forte e o governo mostrou que está sem força – um motivo para Lula avaliar bem a sua vontade de ser reeleito.

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Empreiteiro da “farra dos guardanapos” também estava no jatinho que veio de Sint Maarten

Falei aqui ontem do “aviãozinho do tigrinho” que veio de um paraíso fiscal do Caribe, trazendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira, e mais dois deputados, com malas que não passaram pela alfândega. Não comentei, mas lembrei depois, que entre os passageiros também estava Fernando Cavendish. Você se lembra dele? Foi ele quem fez a dancinha em Paris, com guardanapo na cabeça, ao lado de Sérgio Cabral, e que estava envolvido na Lava Jato e foi condenado. Para vermos que a nossa crise é de falta de vergonha também. As pessoas se expõem, acham que isso é normal essa falta de boa conduta, de decoro.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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