
Má notícia para o Brasil, e em especial para os pecuaristas: o presidente Lula diz que o tarifaço não faz mal, que basta buscar outros mercados, mas não é simples assim. A carne brasileira, por exemplo, não está no tarifaço americano, mas está no da China, que Lula não menciona. A China cobra 12% da carne brasileira; se ultrapassarmos a cota do que podemos exportar para lá, haverá uma taxa adicional de 55%, chegando a 67%. Parece que a cota já foi atingida, mas o governo nega.
E não é só a China: em 3 de setembro entra em vigor aquela proibição da exportação de carne bovina, frango, carne de cavalo, pescado e mel para a União Europeia. Os europeus estão alegando questões sanitárias, que os brasileiros usam um antimicrobiano proibido na Europa. Então, China e União Europeia estão colocando barreiras ao exportador brasileiro.
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Ortega cancelou eleições na Nicarágua; em 2022, era proibido falar de sua amizade com Lula
Está refletindo na campanha de Lula o que Daniel Ortega acabou de fazer na Nicarágua. Ortega decidiu que não haverá mais eleições por lá, para que a oposição não conquiste o poder. Já estava marcada eleição para o ano que vem; com isso, ela está cancelada. Ortega já brigou com a Igreja Católica, já expulsou bispo e freira, já prendeu padre, já fechou colégio católico. Seu partido é a Frente Sandinista de Libertação Nacional, e hoje quem manda são ele e a esposa, Rosario Murillo, que não é mais vice-presidente, e sim “copresidente”.
Na eleição passada, proibiram Bolsonaro e vários outros de dizer que Ortega era amigo de Lula. Mas basta pesquisar os dois nomes no Google, e eles aparecerão lá juntos, como fundadores do Foro de São Paulo, unindo a esquerda latina: Lula, Ortega, Hugo Chavez... Nos 47 anos desde a Revolução Sandinista, Ortega governou a Nicarágua por 30; houve um interregno entre 1990 e 2007, com Violeta Chamorro e outros dois presidentes, mas foi só. E no tempo de Chamorro ele não ficou quieto, não. Agora, no poder, se aparece algum candidato ao governo, ele manda prender.
Cuba, onde Ortega recebeu treinamento, está à beira do colapso
Quando Ortega começou na guerrilha, só tinha até a sexta série do ensino fundamental; assaltou bancos, se refugiou em Cuba, onde foi treinado e recebeu apoio. Agora, a sua matriz está fechando as portas; já se foram 67 anos desde a Revolução Cubana, em que os comunistas assumiram o poder em 1.º de janeiro de 1959. Não tinha como dar certo.
Cuba era a pérola do Caribe, hoje tem problema até para plantar cana. Os cubanos deram charuto de garantia para o dinheiro brasileiro do BNDES na construção do Porto de Mariel. E o Brasil pagava muita coisa à ditadura de Cuba pelo Mais Médicos: o médico recebia só uma pequena parte do salário, e o resto ia para o governo cubano. Na Venezuela, quando os norte-americanos prenderam Nicolás Maduro, tiveram de matar 36 cubanos que faziam a segurança dele; em troca, Maduro mandava petróleo para Cuba. Agora, o petróleo acabou, o país está quase sem energia, quase sem água – só a nomenklatura de lá que ainda tem acesso a isso. Mesmo assim, ainda há muita gente aqui que acha maravilhoso, gente que gostaria de estar lá colhendo cana, como fizeram amigos meus no meu tempo de juventude.
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Violência contra crianças é tragédia brasileira
Estamos vendo com muita tristeza os casos de violência dentro de casa, contra crianças. Comentei o caso de Itapiranga (AM), em que o pai foi bater no filho com uma mochila e havia dentro dela um machete, um facão, que furou as costas do menino e o matou. A criança tinha 6 anos, o pai tem 24, ou seja, foi pai com 18. E a Justiça em Francisco Beltrão (PR) mantém na prisão o pai de 31 anos que deu um chute no rosto da filha de 3 anos, em plena rua. Uma pessoa que viu tentou interferir, e o pai ameaçou essa pessoa, dona de uma academia de ginástica. Agora, descobriram que ele punia os filhos fazendo as crianças se ajoelharem sobre tampinhas de garrafa com a borda virada para cima. É incrível a violência que acontece dentro de casa; imaginem que adultos essas crianças se tornarão.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



