
A seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), depois de uma sessão extraordinária, deliberativa, que entrou noite adentro e foi à madrugada, decidiu propor, perante o Senado, processos de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por crime de responsabilidade. Além disso, de acordo com a nota divulgada, a OAB-DF ainda vai “exigir das autoridades competentes, por meio do Conselho Federal da OAB, apuração profunda, isenta e transparente do envolvimento de autoridades que possam estar implicadas em fatos ou em qualquer outra irregularidade correlata”, inclusive ministros do STF, do STJ, juízes em geral, e Procuradoria-Geral da República; vai pedir o afastamento cautelar daqueles que precisarem ser afastados; e propor, perante o Supremo, a investigação de Moraes e Toffoli devido à gravidade das condutas de ambos.
Em relação às investigações do Banco Master, de relatoria do ministro André Mendonça, a OAB-DF vai pedir ao STF o levantamento do sigilo das investigações. E a entidade ainda irá solicitar que o presidente da corte, Edson Fachin, assuma as investigações que envolvam pessoas sem foro privilegiado no STF e as encaminhe às instâncias corretas – é o caso de todos os réus do 8 de janeiro, que não tinham de estar no Supremo. A OAB-DF ainda pedirá o arquivamento do inquérito das fake news, o “inquérito do fim do mundo”. É preciso mesmo acabar com ele. Esse inquérito é arbítrio puro, uma irregularidade em que a própria vítima é quem inventa o inquérito sem o Ministério Público. E mesmo assim ele foi aprovado por 10 a 1 pelos ministros do Supremo, em 2020; o único que votou contra foi Marco Aurélio Mello.
A seccional do Distrito Federal ainda irá elaborar uma carta aberta à OAB Nacional e à sociedade civil sobre as medidas tomadas e proposições para a reforma do Poder Judiciário e resgate da estatura constitucional da suprema corte, que deixou de ser corte constitucional e virou um tribunal político, graças a Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes.
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Meu aplauso à OAB do Distrito Federal; ela está dando um exemplo para a OAB nacional, que tem se omitido de suas obrigações e negado a tradição da OAB – assim como nós, jornalistas, e a mídia em geral nos omitimos, traímos nossos leitores, ouvintes e telespectadores, ficando em silêncio diante de tudo isso.
Finalmente o “inquérito do fim do mundo” sai das mãos de Moraes
Um grande mal, ao longo de todo esse tempo, foi o “inquérito do fim do mundo” nas mãos de Moraes. A estátua da deusa da justiça foi muito mais agredida pelo que acontece atrás dela, dentro do Supremo, que pelas letras escritas com batom. Mas agora o inquérito não está mais com Moraes porque o presidente do STF assumiu a relatoria, e provavelmente vai mandar arquivar tudo.
Ex-ministros que hoje pedem providências no STF ajudaram a validar o arbítrio no passado
O ex-ministro Celso de Mello organizou uma lista de apoio ao presidente Fachin, pedindo providências e dizendo que o Supremo não pode ser escudo para quem cometeu desvio de conduta, que não há espaço para sombras e opacidade. Mas tanto ele quanto Rosa Weber, que também assinou o documento, deram sua contribuição: ambos estavam entre os dez ministros do Supremo que acharam que estava tudo bem no “inquérito do fim do mundo”, que armou Moraes, agora desarmado por Fachin.
Mendonça homologa delação importante no caso Master
André Mendonça homologou uma delação importante dentro do caso Master: a de um empresário que arrecadava dinheiro para Daniel Vorcaro e também aportava dinheiro para o filme Dark Horse. A Polícia Federal está investigando se esse dinheiro foi desviado para outro fim e não para o filme, porque está tudo regular e o Master estava aplicando em cotas do fundo do filme, para depois receber os lucros com a exibição.
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Lula está atrás nos maiores colégios eleitorais do país, e agora fala em transparência
Falei outro dia de pesquisas eleitorais, e Lula está preocupadíssimo, tanto que agora ele diz que tem de haver transparência no caso Master, mostrar todo mundo. Ele está do lado de André Mendonça? Pois Mendonça, obedecendo ao artigo 37 da Constituição, que exige publicidade em toda a administração pública, está mostrando tudo. Falam tanto em sigilo, mas sigilo é para processos envolvendo questões de família, para preservar as pessoas. Em questões grandes, políticas, que envolvem dinheiro público, é o contrário: a regra é a transparência, porque o povo está envolvido, o povo é prejudicado, o povo paga impostos e quer saber se o seu dinheiro está incluído nas ladroagens.
Nos três maiores colégios eleitorais do Brasil – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro –, Lula perde para Flávio Bolsonaro no segundo turno. Na região Sudeste, onde estão os três estados, Lula perde para Flávio por 43% a 34%. É uma senhora diferença. Ele está muito preocupado e eu fico preocupado também, porque ele tem a caneta e o poder na mão, e, se entrar outro, ainda há muita coisa oculta que será revelada.
Metodologia das pesquisas citadas na coluna
São Paulo: pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela Globo, com coleta entre 4 e 7 de setembro e divulgação em 8 de setembro. Foram entrevistados 1,8 mil eleitores, com margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Registros: BR-04705/2026 e SP-00959/2026. Minas Gerais: pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela Globo, com coleta entre 4 e 7 de setembro e divulgação em 8 de setembro. Foram ouvidos 1.506 eleitores com 16 anos ou mais. Margem de erro de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Registro: MG-04716/2026. Rio de Janeiro: pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela Globo, com coleta entre 4 e 7 de setembro e divulgação em 8 de setembro. Participaram 1.302 eleitores fluminenses. Margem de erro de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Registros no TSE: RJ-04768/2026 e BR-09705/2026. Região Sudeste: pesquisa realizada pela Quaest de 03/09/2026 a 06/09/2026, divulgada em 07/09/2026. Foram ouvidas 2.004 pessoas. Margem de erro de 3 pontos porcentuais. Registro: BR-01720/2026.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



