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O Brasil não carece de recursos naturais, inteligência ou capacidade empreendedora. Carece, sim, de liderança com autoridade moral, consciência histórica e espírito público. As próximas eleições presidenciais não podem ser reduzidas a uma disputa entre pessoas, partidos ou grupos ideológicos. Precisam colocar no centro do debate um projeto sério e ambicioso de país.
É urgente superar o “nós contra eles”, marca registrada de uma polarização paralisante e estéril. A política brasileira transformou adversários em inimigos. De um lado e de outro, multiplicam-se ressentimentos, radicalismos e desqualificações pessoais. Fala-se muito sobre o passado, mas pouco sobre o futuro. Discute-se quem deve ser derrotado, quando o essencial seria definir o que precisa ser construído.
A questão nacional precisa ocupar o cerne do debate eleitoral. Que país queremos ser nos próximos 20 ou 30 anos? Como transformar nossas riquezas em prosperidade compartilhada? Como recuperar a confiança nas instituições? Como oferecer educação de qualidade, empregos dignos e oportunidades reais aos jovens? Como reduzir a pobreza sem alimentar dependências? Como assegurar o equilíbrio ambiental sem condenar regiões inteiras ao atraso?
Somos vistos pelo mundo como um território de oportunidades. Mas continuamos agindo como se estivéssemos condenados à mediocridade
A desordem crescente da economia global – marcada por rupturas logísticas, conflitos geopolíticos, guerras e disputas por energia, minerais e alimentos – aumentou o valor estratégico das nações dotadas de recursos naturais. É exatamente o caso do Brasil. Somos uma potência ainda adormecida.
Temos uma das maiores reservas de terras agricultáveis do planeta. Cerca de 12% da água doce renovável do mundo encontra-se em nosso território. Dispomos de uma matriz energética relativamente limpa, petróleo, gás e vastas reservas de lítio, grafite, níquel, manganês e terras raras. Temos capacidade empresarial, base industrial, agricultura altamente produtiva e um povo criativo, trabalhador e resistente.
Poucos países reúnem tantas condições favoráveis para protagonizar uma nova etapa do crescimento mundial. Em um cenário de insegurança alimentar, crise energética e escassez de minerais estratégicos, o Brasil poderia desempenhar um papel decisivo. Somos vistos pelo mundo como um território de oportunidades. Mas continuamos agindo como se estivéssemos condenados à mediocridade.
Nosso desenvolvimento permanece bloqueado por um emaranhado de entraves burocráticos, insegurança jurídica, instabilidade regulatória e decisões contraditórias. Grandes investimentos são adiados. Obras fundamentais levam décadas para sair do papel. Projetos estratégicos são interrompidos por disputas judiciais intermináveis. O resultado é conhecido: empresas recuam, o capital procura outros destinos e milhares de empregos deixam de ser criados.
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Não se trata de negar a importância da preservação ambiental, do controle institucional ou da proteção das comunidades. Trata-se de impedir que instrumentos legítimos sejam distorcidos e convertidos em mecanismos de paralisia. Desenvolvimento e responsabilidade ambiental não são inimigos. Países maduros sabem conciliá-los com racionalidade, ciência e segurança jurídica.
O país precisa destravar seu desenvolvimento. Isso exige simplificar regras, reduzir a burocracia sufocante, garantir estabilidade regulatória e oferecer segurança a quem produz e investe. Exige também combater a corrupção com firmeza e consistência. A corrupção não é apenas um desvio moral. É um imposto invisível que penaliza sobretudo os mais pobres, encarece obras, distorce prioridades e destrói a confiança nas instituições.
As eleições presidenciais deveriam oferecer ao eleitor propostas concretas sobre infraestrutura, educação, ciência, tecnologia, segurança pública, equilíbrio fiscal, reforma do Estado e inserção internacional. Os candidatos precisam dizer claramente como pretendem integrar o território, modernizar portos e ferrovias, estimular a indústria, fortalecer o agronegócio, melhorar o ambiente de negócios e preparar os jovens para as novas exigências profissionais.
O país precisa destravar seu desenvolvimento. Isso exige simplificar regras, reduzir a burocracia sufocante, garantir estabilidade regulatória e oferecer segurança a quem produz e investe
O Brasil necessita de um presidente desenvolvimentista, mas desenvolvimento não significa irresponsabilidade fiscal, voluntarismo econômico ou distribuição de favores. Desenvolver é criar condições permanentes para que a economia cresça, a iniciativa privada floresça e as oportunidades cheguem a todos. É combinar responsabilidade social, liberdade econômica, estabilidade institucional e planejamento de longo prazo.
O verdadeiro líder sabe que nenhum grande projeto nacional será construído apenas pela direita, pela esquerda ou pelo centro. Será obra de todos os brasileiros de boa vontade. O país é maior do que os partidos, as ideologias e as ambições individuais. A reconstrução nacional exige diálogo, serenidade e capacidade de ouvir. Exige firmeza nas convicções, mas também respeito pelos que pensam de modo diferente.
A política brasileira foi capturada por agendas curtas, personalismos e conflitos permanentes. O debate público empobreceu. A visão estratégica desapareceu. O interesse nacional frequentemente cedeu espaço ao cálculo eleitoral. É preciso romper esse ciclo.
As próximas eleições apresentam uma oportunidade histórica. O eleitor não deve escolher apenas quem administrará o governo por quatro anos. Deve escolher um rumo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Carlos Alberto Di Franco é bacharel em Direito, especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, diretor do programa Estratégias Digitais para Empresas de Mídia do ISE, professor convidado na Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma), diretor da Di Franco Consultoria em Estratégia de Mídia e consultor de Empresas Informativas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



