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A gripe de laboratório e a ficção

Office of the Public Health Service Historian/EUA
Mulheres e crianças norte-americanas usam mascaras para se proteger contra a Gripe Espanhola, que matou mais de 20 milhões de pessoas no mundo em 1918.

Desde que surgiram os primeiros casos da gripe A (H1N1), batizada de gripe suína, não faltaram acusações de que o vírus letal foi produzido em laboratório. Para os defensores da teoria da conspiração, os donos da indústria mundial do remédio querem ganhar muito dinheiro com a doença.

Não bastassem os blogs que proliferaram na internet, as fofocas e todo tipo de alarme, o governador do Paraná, Roberto Requião, estimulou os ataques nesta semana ao insinuar que a infestação pelo vírus H1N1 pode ter sido causada propositadamente, por motivos financeiros. E citou investimentos dos EUA no laboratório que fabrica o Tamiflu (medicamento mais usado hoje contra a doença).

O caso da gripe suína não é único. Há quem acredite que o vírus HIV também é produto de laboratório. Nessa concepção, a AIDS seria uma desgraça criada pela ganância dos seres humanos.

No passado, quando foram registradas pandemias avassaladoras, os fabricantes de medicamentos não eram vítimas de tais acusações. Não é de hoje que gripes matam multidões.

A história da gripe remonta ao tempo de Hipócrates. Acredita-se que a referência mais antiga sobre esta doença infecciosa esteja no Livro IV das Epidemias, onde é descrito um extenso surto de uma importante infecção catarral que afetou o Norte da Grécia no ano de 412 a.c. Mas o isolamento do vírus influenza ocorreu somente em 1933.

Antes dessa data importante para a saúde mundial, talvez tenha ocorrido a pior pandemia de gripe da história da humanidade. A terrível Gripe Espanhola (1918) matou pelo menos 20 milhões de pessoas. Estima-se que, nessa pandemia, cerca de 50% da população mundial tenha sido infectada, 25% com infecção clínica. No Brasil foram registradas mais de 35 mil mortes.

Depois vieram as pandemias de 1957 (Gripe Asiática) e a de 1968 (Gripe de Hong-Kong).

Se no passado as pandemias de gripe demoravam décadas, ultimamente os períodos entre uma e outra têm sido curtos. O grande deslocamento das pessoas pelo planeta, com a evolução dos meios de transporte, propicia a transmissão da doença rapidamente.

Os sistemas de vigilância epidemiológica evoluem, mas não conseguem dar respostas eficientes. Segundo dados Organização Mundial de Saúde (OMS), a gripe atinge 10% da população mundial anualmente, e 1,5 milhão de pessoas morrem por causa de complicações geradas pela doença.

A tese de que o vírus da gripe A (H1N1) foi criado em laboratório pode ser uma caso de ficção. A realidade, porém, é que as autoridades de saúde do mundo todo precisam se preocupar mais com a gripe e reforçar políticas de prevenção.

Célio Martins

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Office of the Public Health Service Historian/EUA
Pessoas infectadas pelo vírus da Gripe Espanhola são atendidas em centro de emergência de um hospital do Kansas, EUA.

Grandes epidemias de gripe

Gripe Asiática
A primeira pandemia de que se tem notícia ocorreu entre 1889-1892 e foi conhecida como Gripe Asiática. Não há dados confiáveis sobre o número de mortes no mundo em decorrência da doença.

Gripe espanhola
Atacou, entre setembro e novembro de 1918, o planeta inteiro e deixou mais de 20 milhões de mortos.

Gripe asiática
Em 1957, a gripe asiática foi responsável pela morte de 1 milhão de pessoas.

Gripe de Hong Kong
Foi causada por um vírus transmitido pelas aves para os seres humanos. Aconteceu em 1968, em pouco tempo ganhou o mundo e matou mais de 46 mil pessoas.

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