Defensores da cloroquina que foram infectados por coronavírus
Luciano Hang, Sikêra Junior, Arolde de Oliveira, Stanley Gusman, Gil Vianna e Thiago Andrade de Souza (em sentido horário): defensores da cloroquina no tratamento de Covid-19.| Foto:

Desde que o presidente Jair Bolsonaro passou a fazer campanha em defesa do uso de cloroquina no tratamento contra Covid-19, um grande número de pessoas influentes no Brasil seguiu o mesmo caminho. Mas muitos dos defensores do medicamento originalmente usado na profilaxia de malária foram infectados pelo novo coronavírus e alguns deles morreram.

Luciano Hang, dono da Havan

O caso mais recente entre os que ficaram doentes é do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, que teve diagnóstico de Covid-19 e foi internado em um hospital da Prevent Sênior, na cidade de São Paulo. Na mesma unidade também foram internadas com Covid-19 Andrea Hang, esposa de Luciano, e Regina Modesti Hang, de 82 anos, mãe do empresário.

Nesta quarta-feira (20), Hang divulgou vídeo nas redes sociais em que voltou a defender o uso de hidroxicloroquina e ivermectina, além de outros medicamentos, na prevenção e tratamento contra a Covid-19. O empresário também disse que é favorável à vacina e afirmou não ser negacionista. "Negacionista é aquele que não aceita que existe outros tratamentos para Covid", acrescentou.

O apresentador de TV que morreu de Covid-19

Outro caso que chamou a atenção e chocou muitas pessoas foi a morte do apresentador da TV Alterosa, afiliada ao SBT, Stanley Gusman, no dia 10 de janeiro passado. Ele tinha 49 anos e estava internado em estado grave na UTI do Hospital Villa da Serra, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte.

Negacionista da pandemia, Gusman contestava o isolamento social, se dizia seguidor de Bolsonaro e defendia o uso de cloroquina. “E que fique claro. Estou com o PR (presidente da República) nessa também. Sem garantias eu não tomo a vacina”, escreveu em dezembro ao comentar a afirmação de Bolsonaro de que não iria tomar vacina contra coronavírus.

Sikêra Jr. esteve à beira da morte

O também apresentador de TV Sikêra Jr. gerou polêmica por ter se declarado contra o isolamento social durante a pandemia. À frente do programa Alerta Nacional, na RedeTV!, Sikêra passou mal ao vivo com sintomas da doença. Internado, ficou vários dias respirando com auxílio de oxigênio.

Após se recuperar, Sikêra voltou a defender cloroquina para tratamento contra coronavírus. “A cloroquina, gente, finalmente liberaram, porra! O negócio já era pra tá na mão do povo”, declarou o apresentador, usando palavrões, em um vídeo quando ainda doente.

Senador e deputado

No mundo político, o senador Arolde de Oliveira (PSD) foi internado no hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em 5 de outubro após ser infectado e apresentar os sintomas da Covid-19. Ele morreu duas semanas depois, no dia 21 de outubro.  Oliveira defendia o uso da cloroquina contra o novo coronavírus e criticava o isolamento social como forma de conter a propagação da doença.

Em 19 de abril de 2020, Arolde de Oliveira chegou a postar no Twitter: “Os números do vírus chinês no mundo e no Brasil demonstram a inutilidade do isolamento social”.

O deputado estadual Gil Vianna (PSL), morto em 19 de maio em decorrência de complicações de Covid-19, fez uso de cloroquina enquanto esteve internado no Hospital da Unimed, em Campos, no Rio de Janeiro. A informação foi dada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Na religião e na medicina

Defensores de cloroquina no mundo da religião e nos meios médicos também viraram vítima da Covid-19. O pastor Thiago Andrade de Souza, integrante do Movimento São Paulo Conservador, fazia propaganda do uso preventivo de ivermectina e cloroquina.

“Se você tomou ivermectina, azitromicina ou hidroxicloroquina, poste no Facebook e, se não precisou tomar e é a favor, poste que é a favor. Vamos forçar as prefeituras a começarem a prevenção urgente. E fazer a distribuição gratuita”, publicou nas redes sociais, no dia 25 de novembro.

Jovem, Thiago Andrade morreu no último dia 3 de janeiro, aos 36 anos, vítima da Covid-19, em São Paulo. Ele estava internado havia 30 dias com a doença.

O médico Lécio Patrocínio, além de defender a cloroquina, também criticava o papel da Organização Mundial de Saúde (OMS) frente à pandemia. Patrocínio morreu vítima de Covid-19 aos 68 anos de idade, no último dia 2, após ter ficado um mês internado em Macaé e cerca de três semanas no Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro.

Até o momento, não há comprovação científica de eficácia de cloroquina no tratamento contra Covid-19. Estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado em outubro, mostra que a hidroxicloroquina não teve efeito sobre os tempos de internação ou chances de sobrevivência de pacientes da Covid-19. Apesar da inexistência de respaldo da comunidade científica mundial, na comunidade médica existem muitos profissionais que defendem o uso de cloroquina.

O Ministério da Saúde lançou o aplicativo TrateCOV, que recomenda a prescrição de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina após o diagnóstico de Covid-19.

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