O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro da Educação, Milton Ribeiro, participa da divulgação dos novos critérios de desconto e renegociação das dívidas do Fies.| Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agencia Brasil
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A prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, em operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (22), embora ainda não tenha uma sentença condenatória, descontrói um dos principais argumentos do presidente Jair Bolsonaro: de que não há corrupção em seu governo. A investigação tem ainda outros significados, como tornar público a ação de líderes evangélicos nos corredores do poder em Brasília.

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Em março deste ano, durante uma das lives que faz semanalmente, Bolsonaro defendeu o ex-ministro da Educação. Na ocasião, o presidente afirmou: "eu boto a minha cara no fogo pelo Milton".

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Agora, com a prisão do ex-ministro, o presidente mudou de discurso. "Ele que responda pelos atos dele, eu peço a Deus que não tenha problema nenhum", disse Bolsonaro, em entrevista à rádio Itatiaia, de Minas Gerais. "Se a PF prendeu, tem um motivo, e o ex-ministro vai se explicar", completou.

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Na entrevista, Bolsonaro afirmou que afastou Ribeiro do cargo assim que vieram as denúncias contra o ex-ministro. A exoneração, entretanto, conforme foi publicado no Diário Oficial, ocorreu "a pedido" de Ribeiro e não por determinação do governo.

A ação de líderes evangélicos no governo é um ponto que tem chamado a atenção. Em abril, Bolsonaro impôs sigilo em informações relativas aos encontros dele com os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Os dois pastores são alvo da operação da PF nesta quarta-feira, envolvidos em denúncias de operarem esquema de cobrança de propinas no Ministério da Educação.

Bolsonaro diz lamentar o fato de que a imprensa vai tentar fazer ligação de Milton Ribeiro a ele. Embora o ex-ministro tenha sido indicado pela bancada evangélica, a responsabilidade pela nomeação é do presidente.

É fato que Bolsonaro, nos últimos meses, diante dos indícios de corrupção no governo, baixou o tom e chegou a admitir que não teria como fiscalizar os milhares de atores do governo. Apesar de não haver até agora citação de Bolsonaro nas investigações envolvendo o ex-ministro e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, o caso terá impacto direto na campanha das eleições de outubro.