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Censura a jornalista costumava ser coisa do passado, história triste dos tempos da ditadura militar que vigorou no Brasil de 1964 a 1986. Mas parece estar voltando com força, ainda que vestida de nova roupagem. O jornalista paranaense Fernando Beteti, conhecido no YouTube como "o seu repórter saúde", é a vítima mais recente de censura.

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Fernando Beteti tem uma carreira de quase 30 anos entrevistando médicos, cientistas e pesquisadores da área de saúde. Só no canal do YouTube que leva seu nome e tem mais de 450 mil inscritos, tinha publicados cerca de 300 vídeos de entrevistas, até que o YouTube resolveu apagar vários deles, a seu bel prazer.

A censura ao canal do jornalista é consequência da perseguição forte a médicos que ousaram tratar pacientes durante a pandemia já nos primeiros sintomas. Há meses esses profissionais vinham sendo "cancelados" não só do YouTube, mas também de outras plataformas, apesar dos excelentes resultados que dizem ter obtido atendendo pacientes com remédios reposicionados (off label).

A blitz da internet não perdoou. Depois de censurar médicos e pesquisadores, pouco importando se eram especialistas em suas áreas, mestres, doutores, pós-doutores, cientistas com vários artigos publicados em revistas científicas, partiu para cima de quem ousou entrevistá-los.

Foi assim que chegou ao canal de Fernando Beteti, que tem milhões de visualizações e incontáveis depoimentos de pessoas agradecidas por terem tido, ali, acesso a informações que ajudaram na cura de doenças. O canal teve dezenas de vídeos apagados e segue sofrendo censura.

Censura a jornalista foi parar na Justiça

Quem defende a censura diz que as empresas são privadas e podem ditar a regra que quiserem, quando quiserem e agir como bem entenderem. Esquecem que o Brasil tem leis que precisam ser seguidas por todos, sejam brasileiros usuários das plataformas ou os estrangeiros encarregados de sua administração.

O jornalista Fernando Beteti decidiu recorrer à Justiça para tentar reaver as entrevistas apagadas do YouTube e poder continuar publicando, apesar da proibição que sofreu a título de punição por ter, supostamente, descumprido regras de uso da plataforma ao dar voz a determinados médicos.

Consegiu uma decisão liminar, seguiu fazendo suas lives e entrevistas gravadas para posterior publicação, crente de que a Justiça não lhe negaria a liberdade de expressão, prevista na Constituição. Mas eis que sai o resultado do julgamento do mérito da questão.

O juiz deu ganho de causa ao YouTube ainda tentou pautar o jornalista, dizendo quem ele pode ou não entrevistar para se adequar às regras da plataforma. A sentença diz que a lista da pauta do canal só deve incluir médicos alinhados com o que diz a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Como a ditadura da toga avança no Brasil

Para quem achou bonito ouvir no ano passado um juiz do Supremo Tribunal Federal (o então presidente Dias Toffoli), dizendo que o STF trabalhava como "editor do Brasil", definindo o que era verdade ou "fake news", o que podia ou não ser dito e publicado e quem podia publicar, talvez não surpreenda saber que um juiz de 1ª instância quer ser pauteiro de jornalista.

Só que editores e pauteiros são profissionais do jornalismo. Nas redações é rotina um grupo escolher os assuntos que merecem destaque nos jornais e quais especialistas devem ser entrevistados para trazer mais informações. Esses saõ os pauteiros. Outro grupo faz as entrevistas, apura e relata os fatos (repórteres).

Um terceiro grupo (editores) avalia todo o material produzido pela equipe de reportagem e decide como deve ser apresentado ao público, inclusive quais trechos das entrevistas devem ser divulgados.

Fernando Beteti, em seu canal, é pauteiro, repórter e editor de si mesmo, já que trabalha por conta própria. Agora, pelo visto, terá que aceitar "ajuda" do juiz pauteiro e do YouTube editor. Assista à entrevista com o jornalista que sofreu censura até do Judiciário, clicando no play da imagem no topo da tela.

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