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Danilo de Almeida Martins

Danilo de Almeida Martins

Aborto

E se a água da torneira estiver nos tornando inférteis?

Uma égua prenhe caiu dentro de uma cisterna do sistema de abastecimento de água da região metropolitana de Belo Horizonte. (Foto: Alexandre Mazzo/Arquivo/Gazeta do Povo)

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No mês passado, circulou em todas as redes sociais a notícia de que uma égua prenhe, chamada Amora, havia caído dentro de uma cisterna do sistema de abastecimento de água da região metropolitana de Belo Horizonte.

Com a mobilização de equipes da Companhia de Saneamento, após 24 horas, conseguiram retirar o corpo do animal da adutora e o fornecimento foi novamente retomado após todo um processo de sanitização e desinfecção química da rede, onde testes laboratoriais puderam reafirmar a qualidade da água.

Embora incidentes como este possam ser devidamente resolvidos por nossas Estações de Tratamento de Águas (ETAs), há um tipo de contaminação que não vem sendo saneada.

O processo convencional de tratamento é composto basicamente pela adição de Sulfato de Alumínio, Cal e Cloro para decantação, filtração, desinfecção e fluoretação. Entretanto, mesmo com tantas etapas, ele não é capaz de remover de nossos corpos hídricos os resíduos farmacológicos.

De fato, os resquícios de remédios vêm poluindo o meio ambiente de uma forma descontrolada. Eles vão parar em nossas águas eliminados pela urina, fezes e até pelo descarte irregular destes medicamentos em pias e vasos sanitários. A remoção, por sua vez, exige processos avançados, os quais são caros e ainda estão em fase de pesquisas, sobressaindo, nesse campo, os estudos feitos pela USP.

Assim, ao lado do dano direto de causar a morte de crianças indefesas, o uso deste tipo de medicamento causa malefícios ao meio ambiente e a toda população

Sobre este tema do descarte irregular, quando se trata de fármacos abortivos, a situação é ainda mais sensível.

Muito embora no Brasil não haja uma pesquisa sobre os efeitos do uso e descarte de remédios abortivos no meio ambiente, nos Estados Unidos, a expansão do uso de pílulas abortivas desde 2022 foi motivo de preocupação de 14 procuradores-gerais estaduais daquele país, que, em 05 de junho deste ano, oficiaram à Environmental Protection Agency (EPA) – Agência de Proteção Ambiental – para que ela monitorasse a contaminação do abastecimento de água pelo medicamento abortivo mifepristona.

Segundo o site “lifesitenews.com”, estudos comprovam que os metabólitos da mifepristona permanecem ativos após a excreção e subsistem nos próprios resíduos orgânicos (leia-se: fetos mortos descartados), retendo sua considerável afinidade pelos receptores humanos de progesterona e glicocorticoides presentes no medicamento.

O fármaco prejudica uma gravidez existente ao “inibir competitivamente as ações da progesterona nos locais dos receptores de progesterona” e promove contrações uterinas e o amolecimento do colo do útero, além de afetar o desenvolvimento dos órgãos reprodutivos e a própria fertilidade.

Anualmente, cerca de 40 toneladas de resíduos de bebês abortados, tecidos humanos e subprodutos médicos contaminados por produtos químicos são despejadas nos rios e lagos dos EUA.

Os procuradores dos 14 estados, então, dirigiram uma forte crítica à FDA, que é a principal agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, questionando a equivocada indicação da agência em enquadrar o mifepristona como medicamento cujo impacto ambiental é tido apenas como “mínimo”.

No Brasil, embora não usemos o mifepristona, temos o misoprostol, que é um medicamento similar. Apesar deste estar sujeito a um controle especial de utilização somente em ambiente hospitalar, grupos abortistas vêm tentando liberar o uso deste medicamento buscando promover sua venda em farmácias e realizando programas-piloto de “teleaborto”, onde hospitais enviam o fármaco à casa da mulher que quiser realizar o procedimento.

Além do risco de vida que essas mulheres se submetem, a morte induzida de seus filhos é também transformada em uma nova arma contra a vida, pois o descarte de seus pequenos corpos na rede de abastecimento de água (além, obviamente, de ser totalmente contrário à dignidade humana) termina por poluir o meio ambiente com estes fármacos que não são degradados e que irão novamente vitimar outras crianças.

Também não se pode perder de vista o absurdo incremento da ilícita prática de venda de misoprostol e de outras drogas similares contrabandeados em sites e canais de aplicativos de mensagens que, neste governo, não vêm encontrando quase nenhuma resistência em termos de repressão policial.

Assim, ao lado do dano direto de causar a morte de crianças indefesas, o uso deste tipo de medicamento causa malefícios ao meio ambiente e a toda população e as soluções a esse problema passam tanto pela regulação da ordem econômica quanto pela atuação policial.

Com uma indústria farmacêutica que é a 7ª maior do mundo, que gera anualmente um descarte de cerca de vinte mil toneladas de resíduos químicos, o Brasil tem que voltar seus olhos urgentemente a essa realidade.

A implementação de soluções técnicas, tais quais aquelas objeto dos estudos já realizados pela USP para limpeza total de nossas águas destinadas ao consumo, deve ser tornada obrigatória e imediatamente abarcada e financiada por esta mesma indústria, minorando os efeitos deletérios de seus próprios produtos na saúde humana.

Além disso, é premente a necessidade de repressão a esses ilegais projetos de teleaborto que estão sendo promovidos por alguns hospitais e a efetiva persecução penal ao crime de contrabando e venda destes fármacos abortivos.

Amora, a égua da adutora de Belo Horizonte citada no início do artigo, estava prenhe de 5 meses. Ela e seu filhotinho não sobreviveram às águas de nossas Estações de Tratamento.

Dotados de uma dignidade que se difere em essência daquele pobre potrinho, não deixemos que nossos bebês também sejam vítimas das mesmas águas, livrando-as da contaminação do misoprostol.

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