i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Diogo Schelp

Foto de perfil de Diogo Schelp
Ver perfil
Política

O governo de Jair Bolsonaro é desenvolvimentista?

  • Por Diogo Schelp
  • [13/09/2020] [18:03]
Bolsonaro é desenvolvimentista
Arroz, o vilão da vez| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Ultimamente, dizer que o presidente Jair Bolsonaro se aproxima de uma política desenvolvimentista ofende mais uma parte da esquerda brasileira, principalmente aquela ligada ao trabalhismo e ao ex-candidato presidencial Ciro Gomes, do que os liberais econômicos bolsonaristas que nas últimas semanas têm dado cavalos-de-pau argumentativos para se manterem fieis ao governo. Os trabalhistas se ofendem porque se imaginam donos de um projeto nacional-desenvolvimentista para o país e, obviamente, não querem ver sua ideologia associada a um presidente que abominam. Mas o questionamento é pertinente: pode-se mesmo dizer que Bolsonaro é desenvolvimentista?

Em linhas bem gerais, o desenvolvimentismo é a visão de que países com economias menos avançadas devem recuperar o atraso por meio de forte incentivo do Estado. Ao longo da maior parte da sua carreira política, Bolsonaro alinhou-se com ideias estatistas e enalteceu as políticas econômicas do período militar, em que predominou o desenvolvimentismo e o intervencionismo.

Apesar de o próprio Bolsonaro admitir que carece de conhecimentos mais profundos sobre economia, não há dúvida de que seu DNA político tem o gene desenvolvimentista. Mas isso está longe de significar que seu governo possa ser qualificado dessa forma.

É muito difícil refutar que Bolsonaro se elegeu com uma plataforma de liberalismo econômico e que, por um bom tempo, seu ministro da Economia, Paulo Guedes, empenhou-se em obedecer a medidas de controle fiscal e a buscar reformas liberalizantes. Mas também não é nenhum segredo que, nos últimos meses, o governo começou a se dividir claramente em uma ala desenvolvimentista, associada aos ministros militares, e uma ala liberal, concentrada em Guedes e, em menor grau, em Tereza Cristina, da Agricultura.

A marca da ala desenvolvimentista foi a elaboração do plano Pró-Brasil, de investimento em obras públicas, comandada pelo ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto. Na própria reunião ministerial em que o Pró-Brasil foi apresentado ao gabinete, Guedes atacou o "caminho desenvolvimentista". Posteriormente, fez críticas a uma corrente do governo que ele chamou de "fura-teto" de gastos.

Se não há dúvidas de que existe essa cisão no governo, também é verdade que Bolsonaro ainda não optou de maneira incontestável por um modelo ou por outro. A agenda liberal de Guedes está malparada e os gastos públicos com as medidas emergenciais ligadas à pandemia do novo coronavírus dispararam. A reforma tributária pode elevar os impostos, em vez de diminuí-los, e a administrativa mal arranha a superfície dos privilégios do funcionalismo público.

Por outro lado, o Pró-Brasil ainda engatinha e a ideia de reformulação e ampliação dos programas de distribuição de renda, apesar de apontarem para uma elevação dos gastos públicos, não é o que se pode chamar de política desenvolvimentista.

O que, nos últimos dias, trouxe reminiscências intervencionistas foi a cobrança governamental em cima do setor privado e do agronegócio pelo aumento no preço dos alimentos. A alta se explica por uma série de fatores externos e internos, alguns deles relacionados à pandemia, mas o governo caiu na tentação de buscar uma bode expiatório no setor produtivo.

Controle de preços era um dos pilares da política de substituição de importações, historicamente associada ao desenvolvimentismo, que descarrilhou na crise fiscal dos anos 80 na América Latina. Os outros eram controle de importações, taxa de câmbio supervalorizada e estatismo. O governo ainda está longe de adotar o pacote completo, mas é justo que os primeiros sinais sirvam de alerta.

O que se tem, por enquanto, é um governo que quase na metade do mandato ainda não assumiu uma identidade econômica consistente. Enquanto afaga as alas antagônicas de seu gabinete, Bolsonaro dá sinais de que tende a fincar o pé com mais força naquela que trouxer dividendos políticos mais evidentes no curto e no médio prazo.

Desenvolvimentismo ou Consenso de Washington? Por enquanto, nem um, nem outro. O jogo ainda está sendo jogado.

5 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]
Tudo sobre:

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 5 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

  • M

    Mauricio Conde

    ± 0 minutos

    A pandemia era uma ótima oportunidade para vender algumas estatais e aliviar dos bolsos do povo e das empresas, parte da dívida causada por ela. Agora a conta será paga com menos investimentos em serviços públicos básicos como saúde, segurança e educação e mais desemprego. Lamentável.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • D

    Dissenha

    ± 5 dias

    Que há problemas há. O escritor alega que quase metade do mandato já passou. Esse ano o País e o mundo não foram sacudidos pela pandemia? O autor não teve sua vida completamente alterada? Não vemos uma onda de esquerda tupiniquim e gringa ecoando inverdades que tem o claro propósito de atrapalhar o governo, mesmo que isso seja péssimo para o País? O Governo vai mal? então o que ficou para fora do Governo é pior. Basta ver a popularidade. É mais tem o auxilio, né. Ninguém falava nas bolsas quando o ex presidiário batia os 70% de aprovação, né

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • P

    PARREIRAS RODRIGUES

    ± 5 dias

    E louva a Ditadura pelo desenvolvimento. Da dívida externa, da inflação.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • J

    João Teixeira Pires

    ± 5 dias

    Mania de querer taxar governos e presidentes como liberais ou desenvolvimentistas, esquerda ou direita, isso ou aquilo. Não existe somente o caminho de ser e agir como um ou outro. No caso em questão, por quê não poderiam coexistir estratégias liberais e alguma estratégia desenvolvimentista? Não seria melhor um equilíbrio? Esse é o jogo da polarização: ficar constantemente jogando para os extremos, sem dar espaço ao que interessa, que é o da negociação, do consenso, a alternativas equilibradas.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • A

    Admar Luiz

    ± 5 dias

    Tens ouvido o Min, Tarciso da Infraestrutura ultimamente, Diogo? Vc nem o citou. Ele que é sem dúvida nenhuma o min. mais popular do governo do "Bozo", hein? Se tivesse escutado a entrevista dada à JP teria firmado - ser tiver honestidade intelectual - uma opinião de que o governo Bolsonaro é sim as duas coisas. Como bem disse o min., utilizará sempre que possível a iniciativa privada. Investimento governamental? Só onde a iniciativa privada não for. Nos rincões, por ex. Dividendos políticos? Se fazer obras, ou terminá-las, como está fazendo o Min. Tarciso, dá dividendos que ótimo. É para o bem dos brasileiros, não?

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

Fim dos comentários.