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Advogado ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Martin de Luca afirma à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios que o resultado da eleição brasileira precisa ser submetido a uma investigação independente antes de ser considerado plenamente legítimo. De Luca questiona a decisão judicial que, segundo sua avaliação, interferiu no processo eleitoral nas horas finais da votação e defende a abertura dos logs do sistema e de todos os dados relacionados ao episódio.
Para ele, caso uma auditoria independente demonstre que Lula efetivamente venceu por cerca de 4 milhões de votos, o resultado deve ser reconhecido. Se isso não ocorrer, ele considera que o segundo turno deveria ser realizado novamente. O advogado também afirma que a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, deve acompanhar e apoiar o processo, mas que a solução precisa partir dos próprios brasileiros.
Entrelinhas: O que aconteceu nas eleições do Brasil, na sua avaliação?
Martin de Luca: O que aconteceu no Brasil é inacreditável, é inaceitável. É uma anomalia que não tem explicação. A janela Zanin de duas horas, que permite que faça cortina de fumaça para fazer quem sabe exatamente o quê, não tem justificativa. Ao ponto de não ter um ministro do TSE que tinha a cara de assinar o que o Lula estava pedindo. Eles tiveram que ir até um juiz no STF, ex-advogado criminal dele, ex-advogado de campanha dele, para dar a canetada.
Agora a pergunta é: por que você faria uma jogada de tão alto risco sabendo que o mundo inteiro vai perceber isso imediatamente? Não é uma coisa que passou despercebida. Então, por quê?
Primeiro, para preservar o poder. Obviamente, se o Flávio fosse declarado o ganhador da eleição, alguns ministros do STF enfrentariam o impeachment e seria uma situação muito delicada. E, segundo, não podemos esquecer que tem muitos interesses por trás, muitos. Então, os interesses econômicos são gigantes para dar essa canetada.
Entrelinhas: O senhor defende, então, uma investigação independente sobre o que aconteceu nessas duas horas?
Martin de Luca: Se você tiver uma avaliação independente do que aconteceu nas janelas de Zanin, eu acho que as provas que vão sair de lá vão ser impossíveis de defender para o Lula. Se não tem uma avaliação independente disso, porque as provas seriam tão vergonhosas, então a alternativa seria simplesmente aceitar refazer o segundo turno.
Eu acho que é óbvio que não deveria ter um grande medo de refazer o segundo turno, porque se você acabou de ganhar por 4 milhões de votos, refaz no fim de semana que vem e vamos ver se ganha por 4 milhões de votos, com todo mundo de olho e sem canetadas da Zanin.
Se o Lula ganhou, de fato, por 4 milhões de votos, eu vou ser o primeiro a falar que, absolutamente, vai ter que reconhecê-lo como um presidente que foi reeleito. Só que temos a questão da canetada, do mistério e da cortina de fumaça de duas horas, e todos os outros dados que indicam o contrário.
É crítico para a integridade do sistema, para a estabilidade e a governabilidade do país, para o Lula mesmo e para os ministros que estão preocupados pelo impeachment deles ter essa transparência.
Entrelinhas: O senhor acredita que a comunidade internacional deve se manifestar?
Martin de Luca: A comunidade internacional, os Estados Unidos, estão aí para acompanhar, para apoiar, para não permitir que uma eleição seja roubada, se for o caso. Mas a comunidade internacional, os Estados Unidos, não podem liderar. Isso aqui é um assunto que os brasileiros têm que resolver no Brasil e a comunidade internacional apoiar.
Quando aparece uma canetada de última hora, separa tudo por duas horas, separa o conteúdo de votos depois que tinha começado, deixa suas urnas abertas nas áreas onde estão entrando eleitores do PT e todas fechadas onde estão os eleitores do Flávio, quando acontecem essas coisas, eu acho que existe uma responsabilidade de chamar atenção para isso. Não pode deixar passar essas coisas por alto. Porque, se você deixar passar, você nunca mais vai ter uma eleição limpa na América Latina.
Entrelinhas: O Brasil já está em um cenário semelhante ao da Venezuela?
Martin de Luca: Já estamos nesse caminho. Temos o começo da perseguição política, temos a politização do Judiciário, que está acabando com a reputação de um dos melhores Judiciários da América Latina.
Agora, ainda temos, ou tínhamos, a esperança de que houvesse eleições livres. Quando tem eleições livres, o povo pode se manifestar e, quando se manifesta, o que o povo fala deve ser respeitado. Sem canetadas especiais de juízes amigos do candidato e advogados do candidato.
Entrelinhas: O que, na sua avaliação, será decisivo para o Brasil nos próximos meses?
Martin de Luca: O teste que eu acho que é o maior que vai enfrentar o Brasil vai acontecer daqui até janeiro. Se teremos uma prestação de contas, uma investigação independente.
Vão abrir todos os dados, deixar livre acesso, com absoluta transparência, para demonstrar que realmente teve 4 milhões de votos de diferença? Ou vão começar com perseguição política, ameaçar de que Flávio Bolsonaro vá preso, qualquer um que peça uma investigação independente sobre a janela Zanin vá preso, seja censurado?
Se começamos a ver isso, aí já estamos avançando, tirando totalmente a máscara, caminho à Venezuela.
Entrelinhas: O senhor também vê preocupação com a censura das redes sociais no Brasil, após Lula afirmar que a regulação será prioridade?
Martin de Luca: Se a primeira coisa que ele diz no discurso, após, supostamente, ganhar por 4 milhões de votos, é sobre a censura que ele vai fazer, algo me indica que talvez esteja um pouco inseguro sobre o resultado.
Porque quem ganha amplamente é quem é superpopular. Não precisa se desenvolver em censura. Qual é o problema?
Entrelinhas: O que o senhor espera do STF a partir de agora?
Martin de Luca: A gente fala do STF como uma instituição única, e é normal que as pessoas associem o STF como uma instituição única, mas a realidade é que você tem várias pessoas dentro do STF, cada uma com um alinhamento político diferente, com um background diferente, com posições e posturas diferentes e opiniões diferentes.
Minha esperança, novamente, seria que, se o Lula de fato ganha os seus 4 milhões de votos, então que o STF dê a volta atrás com todas as medidas de repressão, de censura, de perseguição política.
Se eles continuam com a perseguição política, com a censura, com a repressão, com a ineligibilidade de qualquer um que é popular e que poderia talvez ganhar uma eleição, então estão deteriorando o Brasil, estão acabando com a credibilidade do Judiciário.
Entrelinhas: O senhor acredita que ainda há espaço para uma saída institucional?
Martin de Luca: Seria o caminho de começar a reconstruir a unidade brasileira e se focar nas coisas que realmente deveriam importar, que são o crescimento econômico, investimento, o bem-estar da população e a luta contra o crime organizado.
Agora, se de fato se prova que o Lula ganha por 4 milhões de votos e continuam fazendo lawfare sem parar, então o caminho que vem pela frente vai ser muito complicado. Aí, sim, entraríamos em uma linha mais pós-2015 na Venezuela.
Entrelinhas: O senhor mencionou que existem ferramentas de pressão à disposição dos Estados Unidos. Há expectativa de novas sanções contra autoridades brasileiras?
Martin de Luca: Acho que é prematuro falar disso. Não é o momento. O momento hoje é focar na eleição, na janela Zanin, em se deve refazer o segundo turno, que é o mais provável que deveria acontecer, e tentar finalizar a eleição.
Eu sou partidário do diálogo e do engajamento e de ver se existe a possibilidade de avançar para a frente, de virar a página. E, quando falo virar a página, não estou descartando que tenha que refazer o segundo turno.
Entrelinhas: Qual deve ser a prioridade do brasileiro neste momento?
Martin de Luca: Hoje o foco são as eleições. Se o resultado é que tem que refazer o segundo turno Se o resultado é que tem provas transparentes de que o Lula ganhou seus 4 milhões de votos a mais, então aceitar que ele continuará sendo presidente e ter diálogo para reduzir a holofote e a perseguição política que têm acontecido.
Também deixar o Congresso cumprir com a função dele e focar, de novo, no que importa, que é o bem-estar do público, diminuir a criminalidade e aumentar os índices econômicos. Isso é o importante.
Isso é o que as pessoas se importam. As pessoas não se importam com essas brincadeiras de censura como a primeira prioridade na vida delas. A primeira prioridade é poder levar seus filhos para a escola sem medo de que vá ser assaltado, ter suficiente dinheiro para chegar ao fim do mês e ter uma vida boa para a sua família.

Mariana Braga é jornalista formada pela UFPR, com mestrado pela École Normale Supérieure de Lyon, na França. Trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná. Foi repórter, apresentadora, editora e chefe de reportagem em emissoras de televisão. Tem formação também em Artes Cênicas e Psicanálise. **Os textos da colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




