
Ouça este conteúdo
A atuação da oposição no Congresso Nacional, as tensões com o Judiciário e os desdobramentos do cenário político brasileiro estiveram no centro desta conversa com o deputado Cabo Gilberto Silva, atual líder da oposição na Câmara. Representando um bloco de cerca de 100 parlamentares, ele detalha os limites de atuação sem maioria, critica decisões recentes de ministros da Suprema Corte e aposta na pressão popular como principal instrumento político. Ao longo da entrevista à coluna Entrelinhas, também comenta o cenário eleitoral, a mobilização da direita no Nordeste e os próximos movimentos da oposição em Brasília.
Entrelinhas: Qual é a sua visão sobre o real tamanho da Oposição hoje e quais os principais desafios?
Cabo Gilberto: É importante primeiro estabelecer à população brasileira, sobretudo quem apoia o espectro da direita, que a gente não tem maioria na Câmara dos Deputados. Eu, que sou líder da oposição, respondo por mais ou menos 100 a 110 parlamentares. A minha assinatura vale por esses 100 parlamentares, aproximadamente. É um número limitado. Tudo o que eu faço, eu peço permissão a eles. Quando você tem que ser líder, você é representante de uma bancada. Como líder da oposição, tenho que fazer a nossa parte, independentemente do resultado. Eu não posso prevaricar, eu não posso ser omisso.
Entrelinhas: Sobre as investigações em relação ao Banco Master, o que é possível esperar e o que se vê nos bastidores sobre tentativas de blindagem?
Cabo Gilberto: Dificilmente, mesmo a gente estando lá, a CPMI terá um resultado prático, porque eles vão tentar, literalmente, impedir que a população entenda em que situação estamos. O clima aqui é horrível, é uma tensão muito grande. Aguardamos urgentemente que essa delação venha com provas concretas para que possamos fazer impeachment de ministros da Suprema Corte, porque não tem como recuar com relação a isso.
Entrelinhas: O senhor defende medidas duras contra o Supremo?
Cabo Gilberto: O Brasil só vai voltar a uma democracia saudável, com a imprensa podendo falar e criticar, quando houver o impeachment de ministros da Suprema Corte para reestabelecer o Estado Democrático de Direito. Essa é a única solução para que possamos ter paz.
A Suprema Corte está no seu pior momento, sendo bombardeada com denúncias gravíssimas. Se não fossem ministros, já teriam sido afastados. O STF está sem credibilidade nenhuma.
Entrelinhas: O senhor protocolou e apoiou pedidos de impeachment de ministros. Eles seguem engavetados. Ainda assim, é um movimento importante e simbólico no cenário político atual?
Cabo Gilberto: O ministro Flavio Dino interferiu na decisão do Congresso Nacional para blindar o senhor Lulinha, que é filho do atual presidente da República e está sendo acusado com provas concretas de uma mesadinha de 300 mil reais que o Congresso Nacional está pagando. Então, a gente tem que fazer a nossa parte.
Entrelinhas: Como o senhor vê a movimentação de Flávio Bolsonaro pelo Nordeste?
Cabo Gilberto: De fato, o Flávio avançou. Nem a gente esperava que esse avanço seria tão rápido. Ele já herdou praticamente todo o suporte do pai, uma força tremenda. O Nordeste é a solução e a gente está trabalhando duro nesse sentido.
Entrelinhas: E a situação política no Nordeste em relação ao Luiz Inácio Lula da Silva?
Cabo Gilberto: É um produto vencido. O PT governou praticamente 20 anos e a popularidade está caindo porque estamos mostrando a verdade dos fatos. O que foi prometido não foi cumprido, e a corrupção voltou como nunca.









