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Ressaca Sanitária
| Foto: Bigstock

Parece haver algo de podre no reino dos covidocratas. No mundo todo, surgem sinais de que as convicções de outrora começam a fraquejar, e a secular deusa trifonte (“ciência, ciência, ciência”), a ruir sob o próprio peso, demasiado para pés de barro. Queimam-se os arquivos, irrompe um frenesi revisionista, principia uma corrida desvairada para apagar pistas e reescrever a história. Como é próprio da natureza das coisas, onde antes tínhamos risadas ébrias, abraços eufóricos e expansividade solar, hoje temos ânimos lunares, olhares baixos e anseios de penumbra. Depois da esbórnia vem o mal-estar físico e moral; depois da orgia sanitária, a ressaca sanitária. Mas, ao fim e ao cabo, o garçom insiste em brandir nos ares o temível pedacinho de papel: – Quem vai pagar a conta?

Máscaras, lockdown, passaporte sanitário – tudo tem sido repensado, e aquilo que, há alguns meses, era tido por escandaloso, hoje começa, mui discretamente, a ser afirmado. E afirmado, com uma espantosa naturalidade, pelos mesmos atores de cuja boca jamais pararam de jorrar as alcunhas correntes – “bolsonarista”, “negacionista”, “anticientífico” – mediante os quais se tentou estigmatizar e criminalizar quem sempre se manteve cético quanto às certezas de microondas e aos consensos-miojo (prontos em 3 minutos) que o autoproclamado “jornalismo profissional” tentava nos fazer engolir a seco. Foi por manifestar esse ceticismo, aliás, que eu mesmo virei alvo da CPI da Infâmia, conduzida por néscios fantasiados de cientistas e benfeitores da humanidade.

Sobre as máscaras, por exemplo, um pneumologista português afirmou recentemente que seu uso obrigatório deve ser suspenso imediatamente, já que, além de ineficientes para conter a transmissão de um vírus que “veio para ficar”, as máscaras causam problemas sérios na psique individual e na sociabilidade humana. “A máscara deixou sequelas graves na mentalidade das pessoas” – diz o pneumologista. “Temos de voltar rapidamente à vida normal que supõe a vida social sem máscara. A máscara é uma barbaridade nas relações sociais em que vivemos, é importante que não nos habituemos a este apetrecho”.

Essa parece ser também a opinião de Leana Wen, especialista em Covid da rede CNN, segundo quem a obrigatoriedade das máscaras nos EUA deve ser flexibilizada. “A ciência mudou” – disse Wen, ao defender a ideia de que o uso da proteção facial seja uma decisão pessoal e familiar, não uma imposição do Estado. Em outro momento, Wen já se posicionara frontalmente contra o uso das máscaras de pano – essas que continuam a pulular nas ruas das cidades brasileiras, inclusive dentro das salas de aula. Segundo a especialista midiática, as máscaras de pano não passariam de artefatos de decoração facial.

Sobre o lockdown, uma nova obra em vias de ser lançada promete ser o último prego no caixão dessa desastrosa política, que um estudo recente do Instituto de Economia Aplicada da Universidade Johns Hopkins (mencionado numa das minhas colunas) já havia começado a sepultar. Trata-se do livro O Ano em que o Mundo Enlouqueceu, de Mark Woolhouse, laureado cientista e prestigiado professor de epidemiologia da Universidade de Edimburgo.

Desde janeiro de 2020, Woolhouse vinha assessorando os governos britânicos no enfrentamento à pandemia, na condição de membro do SPI-M (Scientific Pandemic Influenza Group on Modelling), um braço do SAGE (Scientific Advisory Group for Emergencies). O SAGE tornou-se notório por previsões catastrofistas sobre a Covid-19, a exemplo do recente alerta de que a variante ômicron poderia causar 6 mil mortes diárias caso o Reino Unido não adotasse restrições mais severas. Tão alarmista foi a atuação do comitê que muitos de seus integrantes se arrependeram, confessando, entre outras coisas, que o governo britânico adotou deliberadamente o terror psicológico como forma de controle social. Esse é, por exemplo, o tema do livro Um Estado de Medo: como o governo britânico instrumentalizou o medo durante a pandemia de Covid-19, best-seller da jornalista Laura Dodsworth, que entrevistou vários ex-integrantes do SAGE.

Mark Woolhouse é um desses arrependidos. Em O Ano em que o Mundo Enlouqueceu, ele confessa lamentar ter participado da política governamental de imposição do lockdown, que causou uma terrível devastação econômica e social, sem ter conseguido conter minimamente a transmissão do vírus. “Desde fevereiro de 2020, sabíamos que o lockdown não podia resolver o problema, senão apenas adiá-lo” – diz o ex-integrante do SAGE.

Perguntado sobre se os governos chegaram a pensar nas consequências das draconianas restrições impostas, Woolhouse responde: “Não houve em momento algum, mesmo no ano seguinte, qualquer tipo de análise dos males causados pelos lockdowns. Se eles chegaram a ser considerados? Não vi nenhuma evidência disso, o que é muito, muito preocupante”. Já em abril de 2020, por exemplo, o SAGE recebeu projeções estimando que o custo dos lockdowns “duraria três anos mais que o da doença mesma”. Mas nem isso impediu que a insanidade fosse adiante.

Conclui Woolhouse: “Causamos sérios danos às nossas crianças e jovens adultos, que foram privados de sua educação, emprego e existência normal, além de sofrer danos em suas perspectivas futuras, tendo que herdar uma montanha recorde de dívida pública. Ficamos hipnotizados pela escala de emergência que ocorre uma vez a cada século e só conseguimos piorar ainda mais a crise. Resumindo, entramos em pânico. Esta foi uma epidemia que clamava por uma abordagem precisa de saúde pública e obteve o oposto. Tudo isso para proteger o Sistema Nacional de Saúde de uma doença que é uma ameaça muito, muito maior para os idosos, frágeis e enfermos do que para os jovens e saudáveis”.

Sobre o passaporte sanitário, surgem diariamente novos questionamentos sobre a eficácia e a segurança das vacinas. Em resposta a eles, tudo o que os governos e suas agências de vigilância sanitária têm oferecido é falta de transparência. Como, por exemplo, mostra matéria recente do The New York Times – insuspeito de excesso de ceticismo, uma vez que ocupa o centro mesmo da indústria de propaganda covidocrata –, o CDC tem omitido do público uma parte considerável dos dados que coleta. “Em dois anos de pandemia, a agência responsável pela resposta do país à crise de saúde pública publicou apenas uma ínfima parcela dos dados obtidos” – diz o texto da reportagem.

Máscaras, lockdown, passaporte sanitário – tudo tem sido repensado, e aquilo que, há alguns meses, era tido por escandaloso, hoje começa, mui discretamente, a ser afirmado

Mas a omissão de dados não é o único problema. Há também o problema da falta de repercussão midiática mesmo ali onde os dados existem e preocupam. No Reino Unido, por exemplo, dados recentes divulgados pela UK Health Security Agency parecem indicar risco considerável de que, além de aumentar as chances de infecção (contrariando a propaganda oficial do lobby vacinal), as doses extras (“booster doses”) da vacina possam estar causando o efeito Antibody-dependent enhancement, conhecido pela sigla ADE. Os dados sugerem que o risco aumenta proporcionalmente à quantidade de booster doses recebidas, o que, aliás, é consistente com o alerta feito recentemente pela EMA, a agência de vigilância sanitária da União Europeia.

Segundo o portal de medicina PebMed, o ADE pode ser definido como “a intensificação da síndrome infecciosa decorrente de novas exposições aos antígenos do patógeno (previamente infectante ou via vacinação) de uma forma dependente dos anticorpos, não neutralizantes ou subneutralizantes, induzidos em cada novo contato. Tais anticorpos são capazes de se ligar à partícula viral mas não bloqueiam ou permitem a eliminação da infecção, ao contrário, facilitam a infecção viral... Esses mecanismos podem induzir a apoptose de células imunes levando ao desenvolvimento de linfopenia de células T e à cascata inflamatória (a tempestade de citocinas)”.

Como mostra matéria do site de mídia alternativa The Exposé, que se baseia exclusivamente em dados oficiais, a imunidade dos britânicos triplamente vacinados parece estar decaindo drasticamente em comparação com a dos não-vacinados, a ponto de haver o risco de que essas pessoas desenvolvam uma nova forma de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – ou, simplesmente, AIDS. Esse, aliás, era justamente o temor do recém-falecido Luc Montagnier, o médico francês que descobriu o vírus da AIDS, e que, em discurso no Parlamento de Luxemburgo proferido no início do ano, afirmou que as vacinas de mRNA são, na verdade, “um veneno”.

No Brasil, o Nobel de Medicina foi contestado, entre outros, por um rapazote que milita no Estadão, e que, mundialmente conhecido por haver criado “o primeiro veículo de checagem de fatos da cidade de Bauru”, decretou que “discurso de prêmio Nobel engana ao afirmar que vacinas ‘criam variantes’ e agravam pandemia”.

Creio que o futuro próximo dirá se quem tinha razão era Montagnier ou o checador de Bauru. Por via das dúvidas, o governo britânico já parece ter se adiantado, extinguindo o passaporte sanitário e demais restrições no Reino Unido. O mesmo se diga de Israel, país mais vacinado do mundo (no qual, todavia, a curva de mortes voltou a subir), e outrora adepto de políticas ultra-restritivas. Quais outros seguirão o mesmo exemplo?

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