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O rei Alexandre de Moraes I já frequentou capas de revista sendo chamado de “A Muralha”. A revista o descreveu como “dono de um estilo impetuoso”. Imagine um juiz de futebol que seja “dono de um estilo impetuoso” e entenderemos o problema. Ímpeto não é exatamente o que se espera de um juiz. Um promotor ou advogado pode ser impetuoso. Um atacante, ou mesmo um goleiro. De um juiz exige-se o oposto.
Mesmo assim, a revista não teve pejo em chamá-lo de “A Muralha”. Muralha que protege o quê? Para a revista, é aquela lenga-lenga de achar que advogados indicados por PT, PSDB e MDB a um tribunal, para defender os próprios partidos, sejam a própria democracia encarnada. Para seres humanos com um pouco mais de cérebro, só este arranjo já é uma confissão do problema do micro e macropoder brasileiro.
Outra revista já chamou o rei Alexandre de Moraes I de “o fiador da democracia”. Se é apenas um juiz entre 11, por que ele seria o fiador? Se a resposta é “por combater o Bolsonaro”, esta não é a função de juiz – ainda mais inventando crimes de estro próprio, conduzindo processos, criando inquéritos infinitos e atuando como… parte no processo. O que é a própria definição de golpe contra a democracia.
Se a resposta for outra… bem, não há muita explicação para a escolha. Qualquer pessoa seria melhor para ser “fiadora da democracia”. Alguém que invente uma auditoria para votos, por exemplo. Ou um diretor-geral da PRF que tenha feito blitz para evitar compra de votos no dia do pleito (mas este foi preso pelo Rei Alexandre de Moraes I).
Todos os que se preocupam com democracia são considerados antidemocráticos pelo Rei Alexandre de Moraes I e seus nobres. Um deles vociferou “Perdeu, mané! Não amola” com voz macilenta quando alguém lhe perguntou sobre um código-fonte que “fiaria” a democracia.
Mais estranho ainda é que a revista tenha, questão de meses antes, alertado para um… “golpe” (oh, ironia!) que estaria sendo levado a cabo pelo Rei Alexandre de Moraes I e seu fiel escudeiro, Dias Toffoli.
Por que alguém que era um risco para a democracia virou fiador da democracia? E por que este mesmo indivíduo precisa ser bajulado como “salvador da democracia, salvai-nos” cada vez que profere um som pela boca? Talvez seja a própria erosão da democracia que explique essa indispensabilidade de repetir roboticamente “democracia” a cada nova aparição pública.
Observar o jornalismo da grande mídia nos últimos anos, além de um atentado contra a Convenção de Haia, era uma cacofonia infinita com a palavra “democracia”. Simplesmente porque consideravam que pessoas que votam em Bolsonaro não mereciam existir. E toda hora o Rei Alexandre de Moraes I era incensado, lisonjeado, bajulado, adulado, idolatrado, paparicado, encomiado por destruir Bolsonaro e a direita – e isto era considerado “defender a democracia”.
Nem a Rainha da Inglaterra ou uma baleia dando saltos fora d’água na Disney precisam de tantos aplausos simplesmente por existirem como o rei Alexandre de Moraes I.
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É assim que o reinado de terror do Rei Alexandre de Moraes I se sustenta: só, única e exclusivamente, com bajuladores. Se Sua Majestade Alexandre I quer ovos com bacon no café da manhã, é a vitória da democracia. Se o Rei Alexandre I disser que o céu é verde, o céu tornou-se democrático.
Se o Rei Alexandre I disser que Filipe Martins viajou para os Estados Unidos, pode prendê-lo em Ponta Grossa – porque assim evita um golpe de Estado. O mesmo ocorre se Sua Majestade, Alexandre, o Democrático, definir que Filipe Martins fez uma busca no LinkedIn, mesmo com a Microsoft negando a busca: Filipe Martins volta para a prisão, e a democracia fica salva desses perigos antidemocráticos: alguém usar o search do LinkedIn.
E tome bajulação ao Rei da Democracia, Alexandre de Moraes I, o Democrático, o Estado Democrático de Direito Encarnado!
Mas o seu “estilo impetuoso”, afinal, mostrou-se o que é quando o escândalo do Banco Master colocou jornalistas da grande mídia do lado oposto do Rei Alexandre de Moraes I: pura vontade, puro surto, puro chilique, sem base em lei nenhuma.
Afinal, o rei Alexandre de Moraes I age não “democratizando” o que não é democrático nem protegendo a democracia onde ela está ameaçada, mas impondo a sua vontade com “ímpeto” (eufemismo para brutalidade irracional e anticonstitucional) e tratando todos os seus inimigos como pulgas a serem destruídas.
Alexandre é apenas a Ilegalidade Suprema, cujo poder absoluto vai virar pó assim que seu séquito de capachões, os súditos que ficam elogiando cada aparição pública sua como se ele estivesse democratizando o ar, pararem com o teatrinho
É como na história “A Roupa Nova do Rei”, que está mais próxima da ciência política do que dos contos infantis. O Rei não age sozinho: vira um despotazinho mimado, paranoico e agressivo (ou “impetuoso”) porque todos dizem que sua nova roupa está linda. É como uma toga que não garante justiça – nem democracia – nenhuma. Assim que cessam os elogios, descobre-se que o rei está nu. E a toga é pura injustiça.
Agora, os jornalistas passam a chamar o inquérito das fake news de “inquérito absurdo”. A OAB declara que o inquérito “precisa acabar”. Jornalistas da grande mídia dizem que o poder de Alexandre parece ter ido um pouco além. Nada mudou: apenas eles próprios também viraram alvos.
A roupa nova do Rei Alexandre de Moraes I não era exatamente uma boa roupa há muitos e muitos anos. Sete anos, para ser mais exato. Neste país, todos os que disseram que a democracia tinha acabado foram parar no próprio inquérito que acusavam de ser ilegal.
Com auxílio da velha mídia, da CPI da Covid, do inquérito dos atos antidemocráticos, das denúncias ao rei Alexandre I e da repetição dos bordões sobre democracia nas redes sociais. Mas a direita estava certa: a democracia está nua.








