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Neil Young, o bom senso perdido e o amor encontrado no celeiro
| Foto: Neil Young/Reprise Records/Facebook

E o Canadá, hein? É invasão da capital por caminhoneiros; presidente fugindo e pegando Covid pela segunda vez; Neil Young e Joni Mitchell, ambos canadenses, saindo do Spotify porque a empresa não “cancela” Joe Rogan, puxando a fila de mais alguns artistas de menor relevo. Tudo, claro, em razão da pandemia de insensatez que vivemos.

Saudades de quando o pacato país era mais lembrado pelo curling do que outra coisa. Mas uma hora as coisas vão se aquietar. Como está acontecendo em outros países que, mesmo com números altos de contágio, começaram a levantar suas restrições: Reino Unido, França, Holanda, Dinamarca, Espanha, Áustria, Finlândia, Bélgica, Grécia, Suécia são alguns.

Se você não está nem aí para os posicionamentos políticos de Neil Young (assim como para os de Joe Rogan) e discorda completamente da sua campanha canceladora, sugiro escutar o seu último disco, Barn, que está excelente

Começa a se tornar difícil sustentar acusações simplórias de “genocidas” e “antivacina”, com perseguições decorrentes. Amém. Não que tenha esperança de que o bom senso será recuperado. Já o vínhamos perdendo mundialmente desde antes da pandemia, que apenas acelerou o processo. Mas se diminuir a insensatez generalizada já será um alívio.

Dou uma sugestão para tanto, caso queira combater a insensatez em você, caro leitor. Se, como eu, não está nem aí para os posicionamentos políticos de Neil Young (assim como para os de Joe Rogan) e discorda completamente da sua campanha canceladora, sugiro escutar o seu último disco, Barn, que está excelente.

Se não pela música, que é meu caso, que seja como um ato político, se é o que anda lhe parecendo ser a coisa mais importante da vida. Porque será uma atitude política oposta à de Neil Young, não se recusando a “conviver” com quem pensa diferente ou simplesmente permitindo que pensamentos divergentes tenham voz, como me parece ser o que fez Rogan em seu podcast.

Barn é intitulado assim por ter sido o lugar onde o disco foi gravado. Young restaurou um celeiro/estábulo do século 19, mantendo suas características originais, e lá levou sua banda, Crazyhorses, para gravar as dez músicas ao vivo, sem muita firula tecnológica. Na capa do disco tem a foto do celeiro e foi recém-lançado um documentário com a gravação da obra, disponível na íntegra no YouTube, que vale a pena assistir.

O celeiro, originalmente, servia como lugar de passagem. Os viajantes paravam, pernoitavam, alimentavam seus animais e seguiam em frente. Ficava no meio do nada e continua ficando. Em entrevista, Neil disse que o que mais gostava era de ir a pé até lá de sua casa (o celeiro fica na sua propriedade, que é imensa). Algumas das canções foram compostas nessas caminhadas acompanhadas de seus cachorros. No documentário podemos ver um pouco disso.

E o disco me parece perfeito para isso, para uma parada temporária em meio à viagem estafante que tem sido esta pandemia, surpreendendo-nos com uma banda “das antigas” se divertindo tocando e nos fazendo descansar por 42m50s. Destaque para Nils Lofgren, grande guitarrista da E-Street Band, banda que acompanha Bruce Springsteen, mas que antes de fazer parte dela tocou com os Crazyhorses nos anos 70 e agora retornou participando da gravação deste disco de Neil Young.

Recomendo o Tidal, onde a qualidade das músicas é muito superior à do Spotify. Só não avisem Neil Young que podemos escutar algo de Joe Rogan por lá também

A melhor música do disco é Welcome Back, em que Neil canta: “Cantarei uma velha canção para você agora / Uma que você já escutou antes / Pode ser uma janela para sua alma que posso abrir suavemente”. O que resume o álbum como um todo. Ao chegar a essa música, a penúltima, essa janela já foi aberta e por ela entrou o amor, cantado em várias canções, especialmente as últimas, como em Tumblin’ Thru the Years: “Na estrada à frente, meu amigo, nosso amor é o guia de que precisamos / Leva-nos por todo o caminho de volta para casa, para a luz”.

Barn não está mais disponível no Spotify, pela exigência ridícula de Neil Young, mas pode ser escutado em outros tantos serviços de streaming, como o Tidal, de onde linkei as músicas e agora o disco todo. Aliás, recomendo o Tidal, onde a qualidade das músicas é muito superior à do Spotify. Só não avisem Neil Young que podemos escutar algo de Joe Rogan por lá também. Ironia divertida, que combina com o alerta de despedida da última música, Don’t Forget Love: “Quando você está com raiva e atacando, não se esqueça do amor / Você não sabe do que está falando, não se esqueça do amor”.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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